Inteligência Artificial

Em Davos, nova presidente da Meta defende cooperação entre rivais do setor de IA

Em painel, a recém contratada Dina Powell McCormick diz que inteligência artificial é “esporte coletivo” e exige alinhamento entre empresas

Dina Powell McCormick: ex-conselheira de Trump (Patrick McMullan/Getty Images)

Dina Powell McCormick: ex-conselheira de Trump (Patrick McMullan/Getty Images)

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 17h09.

A inteligência artificial precisa ser tratada como um “esporte coletivo”, que exige cooperação entre empresas rivais, governos e fornecedores de energia para manter a humanidade no centro das decisões tecnológicas. A avaliação é de Dina Powell McCormick, nova presidente e vice-chair do conselho da Meta, feita em sua primeira entrevista pública no cargo durante um painel do site Axios em Davos, na Suíça.

A executiva estreou no cargo durante a programação da Axios House Davos, evento paralelo ao Fórum Econômico Mundial, onde enquadrou a IA como uma transformação estrutural para a sociedade humana. Segundo ela, o setor precisa se alinhar em “valores centrais” para garantir que a tecnologia seja, ao mesmo tempo, segura e produtiva.

Powell McCormick assumiu a nova função há apenas oito dias. Ex-executiva do Goldman Sachs, banco de investimentos americano, ela também ocupou cargos de alto escalão nos governos de George W. Bush e Donald Trump. Seu perfil combina experiência em Wall Street, no Vale do Silício e em Washington, uma intersecção cada vez mais valorizada à medida que políticas de IA, demanda energética e mercado de trabalho passam a convergir.

“Quando digo que é um esporte coletivo, quero dizer que não dá para fazer isso sem a energia necessária, sem todos os hyperscalers trabalhando juntos e sem os governos”, afirmou Powell McCormick em conversa com o jornalista Mike Allen, do Axios.

Ela citou como exemplo um encontro inédito sobre IA e energia realizado no ano passado em Pittsburgh, nos EUA, organizado por ela e por seu marido, o senador Dave McCormick (Republicano da Pensilvânia). O evento reuniu CEOs de tecnologia, grandes investidores, líderes sindicais e autoridades públicas para discutir como financiar e operar a próxima fase de crescimento da IA.

Valores comuns e regulação “inteligente”

Nos bastidores, Powell McCormick sinalizou que os riscos e benefícios da IA já atingiram um patamar que torna inevitável algum grau de coordenação entre concorrentes diretos. A presidente da Meta defendeu que empresas de tecnologia trabalhem juntas em padrões mínimos compartilhados, que incluam segurança, uso de energia e o que chamou de “regulação inteligente”.

Segundo ela, é possível construir um cenário em que a IA sustente crescimento econômico sem ampliar conflitos ou instabilidade. “Por mais piegas que isso soe, é realmente possível”, disse. “Eu já sei que amigos em outras empresas estão ansiosos para fazer parcerias conosco.”

A fala reforça um movimento observado em Davos: apesar da competição acirrada por mercado e capital, líderes do setor reconhecem que a escala e o impacto da inteligência artificial tornaram a cooperação uma questão estratégica — não apenas ética.

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