Repórter
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 11h40.
A República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou a marca de 2 mil mortes pela atual epidemia de ebola, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 11, pelas autoridades de saúde do país. O balanço contabiliza 2.011 óbitos entre 4.381 casos confirmados, aproximando o surto da epidemia mais letal já registrada em território congolês.
Declarada oficialmente em 15 de maio, a epidemia é causada pela variante Bundibugyo do vírus ebola e já é considerada a maior da história da RDC. Segundo a diretora da Aliança das Vacinas (Gavi), Sania Nishtar, o avanço da doença pode fazer com que o surto se torne o maior já registrado no mundo.
Os números se aproximam da epidemia de 2018 a 2020, que deixou quase 2,3 mil mortos entre cerca de 3,5 mil pessoas infectadas. Atualmente, a taxa de mortalidade é de 45,9%.
O surto começou na província de Ituri e se espalhou por outras áreas do nordeste e leste do país, regiões marcadas pela presença de grupos armados, infraestrutura precária e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
O ministro da Saúde da RDC, Samuel Roger Kamba, afirmou que a epidemia ainda não atingiu seu pico. Segundo ele, a expectativa é controlar a propagação nos próximos três meses e iniciar uma redução no número de casos.
Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), um dos principais desafios é que muitos pacientes não chegam ao sistema de saúde. Segundo Mohamed Yakub Janabi, diretor da entidade para a África, cerca de 70% das pessoas infectadas morrem em casa, sem receber atendimento.
Como ainda não existe uma vacina específica contra a variante Bundibugyo, especialistas da OMS recomendaram o início de um ensaio clínico com a Ervebo, imunizante aprovado contra a cepa Zaire do vírus ebola.
As doses serão fornecidas pela reserva global de vacinas contra o ebola, administrada pela Gavi e produzida pela farmacêutica Merck. O estoque conta com cerca de 500 mil doses, parte delas armazenadas na própria RDC devido à frequência de surtos no país.
Além da falta de uma vacina específica, a resposta à epidemia é dificultada pelos conflitos armados e pela desconfiança de parte da população em relação às equipes de saúde. Para o virologista Jean-Jacques Muyembe, um dos cientistas que ajudou a descobrir o ebola em 1976, a reação das autoridades foi lenta e marcada por problemas de coordenação nacional.
*com AFP