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Costa Rica vai às urnas neste domingo para eleger novo presidente do país

Laura Fernández, candidata governista, lidera com discurso de segurança e inspiração no modelo de El Salvador

Laura Fernández: candidata governista é favorita para vencer as eleições deste domingo
 (Marvin RECINOS /AFP)

Laura Fernández: candidata governista é favorita para vencer as eleições deste domingo (Marvin RECINOS /AFP)

Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 10h37.

Última atualização em 2 de fevereiro de 2026 às 20h39.

Os costarriquenhos vão às urnas neste domingo, 1º, para escolher o próximo presidente do país, em uma eleição marcada pelo favoritismo da candidata governista Laura Fernández. As informações são da agência AFP.

Cerca de 3,7 milhões de eleitores estão aptos a votar no pleito, que também renovará o Parlamento. A votação ocorre em um país historicamente associado à estabilidade política e ao bem-estar social, mas que nos últimos anos passou a enfrentar uma expansão do narcotráfico acompanhada de altos índices de violência.

Aos 39 anos, a cientista política conservadora é considerada a herdeira política do presidente Rodrigo Chaves, que mantém altos índices de popularidade. Laura Fernández lidera as pesquisas ao colocar a segurança pública no centro da campanha, principal preocupação do eleitorado.

“Vamos ganhar no primeiro turno e vamos fazer isso com 40 deputados”, afirmou Fernández durante o encerramento de sua campanha, ao se referir ao número necessário para obter maioria em um Congresso de 57 cadeiras e viabilizar mudanças constitucionais.

Segundo a AFP, uma vitória da candidata consolidaria a presença da direita na América Latina, após resultados recentes em países como Chile, Bolívia, Peru e Honduras. Chaves é aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Para vencer no primeiro turno e evitar uma segunda rodada em 5 de abril, Laura Fernández precisa obter ao menos 40% dos votos válidos. A pesquisa mais recente da Universidade da Costa Rica (UCR) indicava 44% das intenções de voto para a candidata, mas com um elevado contingente de 26% de eleitores indecisos.

Durante o governo Chaves, a taxa de homicídios atingiu níveis históricos — cerca de 17 assassinatos por 100 mil habitantes.

O presidente atribui o avanço da criminalidade ao Judiciário, que, segundo ele, favorece a impunidade. As autoridades afirmam que a maioria dos crimes está ligada ao narcotráfico, que transformou o país em um importante corredor logístico para o tráfico internacional de drogas.

Laura Fernández propõe concluir a construção de uma penitenciária inspirada na megaprisão implementada em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele, de quem se declara admiradora, além de defender o endurecimento das penas e a decretação de estados de exceção em regiões afetadas pela violência.

A proposta gera críticas entre adversários. Álvaro Ramos, candidato do tradicional Partido de Libertação Nacional (social-democrata), afirmou que “não é necessário prender pessoas por estarem tatuadas”.

Já Ariel Ramos, da Frente Ampla, acusou Laura de tentar importar o modelo de uma democracia “duvidosa”, em referência ao governo de Bukele.

Oposição e analistas também alertam para o risco de mudanças constitucionais que permitiriam o retorno de Rodrigo Chaves ao poder no futuro. Pela regra atual, ele só poderia voltar a concorrer após dois mandatos.

Os adversários afirmam que, se eleita, Fernández governaria sob forte influência do atual presidente.

A candidata nega qualquer intenção autoritária. “A ditadura dos privilégios está com os dias contados”, declarou, ao defender uma reorganização dos poderes do Estado.

Especialistas ouvidos pela AFP apontam que o favoritismo de Laura Fernández também se apoia na insatisfação popular com os partidos tradicionais e no enfraquecimento de áreas como a saúde pública.

Um estudo da UCR indica que o país manteve cinco anos de estabilidade fiscal à custa da redução do financiamento de programas sociais.

“Está em jogo a forma de governar e sob quais regras, com a premissa de que o combate à violência pode levar a menos controles, menos contrapesos e menos garantias”, afirmou à AFP a pesquisadora Marcela Piedra, da UCR.

A oposição, fragmentada em cerca de 20 candidaturas, aposta em um segundo turno ou na formação de uma bancada legislativa capaz de conter eventuais avanços do Executivo.

As seções eleitorais abrem às 6h (horário local) e permanecem abertas por 12 horas. Os primeiros resultados oficiais devem ser divulgados às 21h, segundo as autoridades eleitorais.

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