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Balneário Camboriú terá torre com 157 metros e apenas 78 apartamentos

FG Empreendimentos lança o North Tower, na Barra Norte, com VGV estimado em R$ 365 milhões e foco no mercado residencial de alto padrão

Jean Graciola, presidente e cofundador do Grupo FG (Dvulgação)

Jean Graciola, presidente e cofundador do Grupo FG (Dvulgação)

Rafael Martini
Rafael Martini

Editor da Região Sul

Publicado em 14 de setembro de 2026 às 10h42.

Última atualização em 14 de setembro de 2026 às 10h49.

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A FG Empreendimentos escolheu a Barra Norte de Balneário Camboriú para colocar no mercado mais uma torre de alto padrão. Com 157 metros de altura, 49 pavimentos e apenas 78 unidades residenciais, o North Tower terá VGV estimado em R$ 365 milhões e chega em um momento no qual a construtora tenta transformar o forte crescimento dos últimos anos em uma operação cada vez maior e mais diversificada.

Entre 2017 e 2025, a companhia multiplicou por dez o volume de vendas. No ano passado, registrou R$ 1,36 bilhão de receita líquida, avanço de 20% na comparação com 2024, enquanto o VGV comercializado cresceu 10%.

O ritmo continuou neste ano. No primeiro quadrimestre de 2026, as vendas avançaram 36% e a companhia calcula ter alcançado 68% de participação em seu mercado de atuação.

O crescimento aparece também nos canteiros. A FG mantém atualmente 16 megaempreendimentos simultâneos, entre pré-obra e construção, que envolvem cerca de 1,2 milhão de metros quadrados. É uma área que a empresa compara a aproximadamente 210 campos de futebol ou a mais de 20 grandes shopping centers.

O North Tower entra nesse pipeline com uma combinação de arquitetura contemporânea, conceitos de bem-estar e engenharia de alta performance. O projeto estrutural contará com a expertise da Talls Solutions, consultoria do próprio Grupo FG criada a partir do conhecimento acumulado em obras de grande complexidade.

Essa engenharia tem hoje sua maior vitrine no Senna Tower, também em Balneário Camboriú. Desenvolvido pela FG em parceria com a Marca Senna e a Havan, o empreendimento deverá superar 550 metros e, quando concluído, tem a previsão de se tornar o edifício residencial mais alto do mundo. Serão 157 pavimentos e 228 unidades, com entrega prevista para 2033. O VGV é estimado em R$ 8,5 bilhões e, somente no primeiro ano após o lançamento, as vendas chegaram a R$ 2,48 bilhões.

A experiência acumulada nesses projetos também virou negócio. A Talls Solutions já participa de mais de 70 torres de outras incorporadoras, com atuação em dez estados brasileiros e no Paraguai.

“A engenharia brasileira passou a sentar à mesa do mundo. Quando criamos a Talls, já tínhamos conhecimento técnico, experiência acumulada e acesso a dados reais. Faltava conquistar o único ativo que nenhuma empresa recebe ao nascer: confiança”, afirma Stéphane Domeneghini, diretora executiva da Talls.

A mudança de escala da FG também alterou a origem dos compradores. Em 2019, São Paulo respondia por apenas 2% do VGV comercializado pela companhia. Atualmente, essa participação está próxima de 20%.

O movimento avança também para fora do Brasil. Aproximadamente 5% dos clientes são estrangeiros, com destaque para compradores dos Estados Unidos, América Latina e Europa. A FG já inaugurou um escritório em Miami e prepara novas estruturas comerciais na Europa e na Ásia.

Crescimento de 10 vezes

É no estoque de terrenos, porém, que aparece com mais clareza o tamanho da aposta da empresa para os próximos anos.Somente em 2026, a FG adquiriu mais de 1,2 milhão de metros quadrados em novas áreas, com potencial superior a R$ 35 bilhões em VGV. Com essas compras, o landbank da companhia soma aproximadamente 4,5 milhões de metros quadrados, suficiente, segundo os cálculos da empresa, para desenvolver empreendimentos com VGV potencial de R$ 130 bilhões.

“Nossa história explica quem somos, mas não pode limitar onde queremos chegar. Falamos de passado e presente para compreender, principalmente, o futuro. Temos uma companhia maior, projetos mais complexos e uma responsabilidade proporcional a essa dimensão”, afirma Jean Graciola, presidente e cofundador do Grupo FG.

Parte dessa estratégia já tem endereço e cronograma. Para o segundo semestre de 2026, a companhia prevê dois lançamentos: um empreendimento residencial em Balneário Camboriú e outro de uso misto, com resort, na Praia Brava.

Entre 2026 e 2028, estão previstos ainda três hotéis ou empreendimentos de uso misto, que deverão acrescentar mais de 1.000 leitos ao portfólio. Os três projetos envolvem R$ 5,2 bilhões em investimentos, sem considerar o valor dos terrenos, e somam previsão de R$ 12,5 bilhões em VGV.

A diversificação inclui ainda um Open Shopping, cujo lançamento está previsto para o final de 2027.Para financiar essa expansão, a FG também ampliou a estrutura financeira construída ao redor do negócio imobiliário. Desde 2019, sua carteira de recebíveis cresceu sete vezes e cerca de 90% das operações de financiamento realizadas com os compradores são feitas diretamente pela companhia.

Nos últimos anos, a empresa manteve margem líquida de aproximadamente 37%, acima da faixa de 12% a 18% que considera saudável para o setor da construção civil.

“Crescimento sem resultado econômico não se sustenta. O desafio é ampliar nossa capacidade de investimento, preservando a saúde financeira, a disciplina e a visão de longo prazo”, afirma Leandro Benedet, diretor de Planejamento Estratégico, Controladoria, Desenvolvimento Imobiliário e Novos Negócios.

Administrar uma companhia que hoje vende dez vezes mais do que em 2017 foi justamente o tema de um encontro realizado recentemente pela FG com suas principais lideranças em Balneário Camboriú. A reunião colocou na mesma mesa áreas como estratégia, engenharia, governança, gestão de pessoas, mercado e experiência do cliente.

A preocupação é preparar a estrutura interna para uma carteira que já reúne 16 grandes projetos simultâneos, presença comercial cada vez maior fora de Santa Catarina e um banco de terrenos capaz de sustentar vários anos de lançamentos.

“Chegamos a uma escala que exige de nós uma nova forma de pensar e de liderar. Temos projetos mais complexos, ampliamos nossa presença em novos mercados e estamos construindo hoje as bases da FG dos próximos anos”, afirma Graciola.

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