Tecnologia

Alívio para os pais: 72% dos adolescentes conversam com alguém após problemas online

Pesquisa global da Microsoft mostra que jovens brasileiros reagem a ameaças digitais e adotam medidas de proteção, mesmo com aumento da exposição a riscos

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 10h19.

Mesmo com o aumento da exposição a riscos na internet, a maioria dos adolescentes brasileiros tem buscado ajuda e tomado atitudes para se proteger no ambiente digital. É o que aponta a Pesquisa Global de Segurança Online da Microsoft, divulgada nesta terça-feira, 10, no Dia da Internet Segura.

Realizado anualmente, o levantamento chega à sua décima edição ouvindo adolescentes e adultos de diversos países sobre suas experiências e percepções da vida online. Em 2025, o estudo ampliou o foco para refletir a crescente complexidade do ambiente digital e os riscos de segurança em constante transformação.

Um dos principais resultados indica que 81% dos adolescentes brasileiros que vivenciaram algum risco online conversaram com alguém ou fizeram uma denúncia. O dado é visto pela empresa como um sinal de maior resiliência e abertura ao diálogo, tendência que aparece pelo segundo ano consecutivo na pesquisa.

Apesar desse comportamento positivo, o cenário ainda exige atenção dos pais. No Brasil, 63% dos entrevistados afirmaram ter passado por pelo menos um risco online significativo no último ano. Entre os principais problemas relatados estão discurso de ódio (36%), violência gráfica e sangrenta do mundo real (28%) e golpes e fraudes online (27%).

A pesquisa também revela diferenças geracionais na percepção dos riscos. Enquanto adolescentes demonstram maior preocupação com cyberbullying, termo em inglês usado para definir o assédio praticado no ambiente digital, outras faixas etárias tendem a se preocupar mais com fraudes financeiras e golpes virtuais.

Outro dado que chama a atenção dos pais é o comportamento prático dos jovens diante das ameaças. Segundo o estudo, 90% dos adolescentes brasileiros tomaram ações defensivas, como bloquear perfis, encerrar contas ou evitar novos contatos com a fonte do risco. A taxa está acima da média global e reforça a ideia de que os jovens estão mais atentos às próprias rotinas digitais.

Microsoft aposta em educação digital e ferramentas para famílias

Diante desse cenário, a Microsoft afirma ter reforçado sua estratégia de proteção e educação digital voltada a adolescentes, famílias e educadores. Entre as novidades está o Minecraft Education CyberSafe: Bad Connection?, jogo educacional que aborda temas como recrutamento online e radicalização, riscos considerados emergentes no ambiente digital.

A empresa também lançou um guia de início do Microsoft Family Safety, ferramenta de controle parental que ajuda responsáveis a monitorar atividades, definir limites e compreender melhor o uso que adolescentes fazem da tecnologia. A iniciativa ganha relevância em um contexto em que vários países, inclusive o Brasil, discutem ou ampliam a idade de consentimento digital.

Para especialistas em segurança online, os dados reforçam a importância do diálogo contínuo entre pais e filhos. Embora a internet exponha adolescentes a riscos reais, o levantamento indica que informação, confiança e canais abertos de conversa continuam sendo fatores centrais para reduzir danos e fortalecer a autonomia dos jovens no ambiente digital.

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