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Agência de notícias
Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 14h00.
“Criptodólares”, tokenização de ativos do mundo real e a interseção com inteligência artificial serão as três tendências dominantes no mercado de criptomoedas em 2026, segundo a Hashdex. Em seu relatório anual, a gestora aponta que os criptoativos consolidaram sua maturação institucional e tecnológica em 2025, projetando um futuro em que o setor estará plenamente integrado ao sistema financeiro global.
Samir Kerbage, CIO da Hashdex, argumenta que a fase experimental do mercado cripto acabou. Com a redução dos riscos regulatórios e tecnológicos, a exposição a cripto deve deixar de ser uma aposta marginal. Os ativos digitais se tornaram diversificadores indispensáveis e o “novo normal” se caracteriza por uma convicção mais sólida por parte dos investidores.
Diante dessa mudança de paradigma, a tendência é que os investidores busquem uma exposição maior aos ativos digitais em seus portfólios.
“Uma alocação de 5% é o novo 1%. Cripto já ultrapassa US$ 3,3 trilhões, representando cerca de 1% do total de ativos investíveis no mundo – incluindo ações, renda fixa e ativos privados. Isso significa que um portfólio com menos de 1% de exposição está, na prática, assumindo uma posição ativa de sub-exposição nessa classe de ativos", comenta.
A primeira tendência apontada no relatório é a aceleração da escalada das stablecoins. Segundo a Hashdex, os “criptodólares” substituirão o petrodólar no comércio global.
A Hashdex projeta que a capitalização de mercado das stablecoins deve atingir US$ 500 bilhões em 2026, US$ 2 trilhões até 2028 e US$ 4 trilhões até 2030, impulsionada pela demanda por trilhos comerciais mais eficientes e proteção contra depreciação patrimonial em países em desenvolvimento. Atualmente, há US$ 295 bilhões em stablecoins em circulação.
O crescimento da demanda por stablecoins também pode contribuir para reafirmar o status do dólar como moeda de referência do sistema financeiro internacional, apesar das iniciativas do Brics lideradas pela China para diminuir a dependência da moeda americana no comércio global.
O relatório aponta que a emissão de stablecoins cria uma demanda estrutural por títulos do Tesouro norte-americano, ajudando a financiar a dívida pública dos EUA e, ao mesmo tempo, criando uma alternativa moderna ao sistema bancário tradicional.
Estima-se que a emissão de US$ 4 trilhões em stablecoins poderia encurtar a duração média da dívida do governo dos EUA em quatro meses.
Além de beneficiar diretamente plataformas de contratos inteligentes como Ethereum e Solana – usadas para emitir e transacionar as stablecoins – a ascensão dos “criptodólares” também favorece indiretamente o bitcoin, segundo o relatório.
A tokenização de ativos do mundo real deve ganhar tração exponencial à medida que grandes instituições financeiras – como a gestora BlackRock e bancos como o Citi e o JPMorgan – adotam a tecnologia blockchain, prevê a Hashdex.
“À medida que o dinheiro é tokenizado via stablecoins, é natural esperar que esses dólares busquem ativos de investimento, criando uma ponte poderosa entre o dinheiro digital e os mercados de capitais", afirma.
A gestora projeta que setores inteiros, do mercado imobiliário a títulos de dívida, passarão a ser negociados em blockchain, com ganhos de eficiência e transparência tanto para os emissores quanto para os investidores.
O relatório estima um crescimento do mercado de ativos tokenizados (excluindo stablecoins) dos atuais US$ 36 bilhões para cerca de US$ 400 bilhões até o final de 2026. O potencial de longo prazo é ainda maior, “uma vez que há cerca de US$ 664 trilhões em ativos do mundo real que podem migrar para uma forma tokenizada”.
Os avanços em inteligência artificial representam o terceiro vetor de oportunidade para os investidores de criptoativos. O relatório prevê que o mercado de "IA Cripto" atingirá US$ 47 bilhões até 2034, devido à necessidade de uma camada de liquidação financeira descentralizada para sistemas autônomos.
Em um cenário futurista não tão distante, agentes de IA se tornarão entidades ativas, integradas à economia digital, segundo a Hashdex. Como as IAs não têm acesso a serviços financeiros tradicionais, a infraestrutura cripto se apresenta como a mais apropriada para que esses agentes movimentem valores on-line.
Novos casos de uso devem surgir a partir desta convergência, como “micropagamento, pagamentos contínuos (streaming) e serviços financeiros de IA para IA", projeta.
“A convergência de IA e cripto se traduzirá diretamente em atividade de rede e na captura de valor pelas plataformas que impulsionam essa nova economia digital”, conclui o relatório.
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