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Previsão para o bitcoin: especialistas revelam se cripto pode subir ou cair

Entenda quais são as perspectivas para a maior criptomoeda do mundo após queda expressiva até US$ 60 mil

 (Reprodução/Reprodução)

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Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 14h40.

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Depois de atingir um pico histórico em outubro de 2025, quando superou US$ 126 mil, o bitcoin entrou em um ciclo de correção que mudou o humor do mercado. Desde então, a criptomoeda perdeu cerca de 45% do valor e passou a oscilar em torno de US$ 68,5 mil, segundo dados do CoinGecko. Mais do que uma simples realização de lucros, o movimento abriu um debate mais profundo sobre o papel do ativo em um cenário de liquidez mais restrita, juros elevados e maior presença institucional.

A pergunta central deixou de ser se o mercado mudou e passou a ser onde está o novo piso de preço. Analistas ouvidos pelo Decrypt apontam dois caminhos possíveis para o curto e médio prazo: um repique técnico impulsionado por posições vendidas excessivas ou um período prolongado de acomodação, no qual o bitcoin pode passar meses digerindo os excessos do último ciclo de alta.

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Essa divergência não é apenas teórica. Ela define o horizonte de investimento e o comportamento dos participantes do mercado, separando traders em busca de movimentos rápidos de investidores focados em uma tese estrutural de longo prazo.

O embate também aparece nos mercados de previsão. Na plataforma Myriad, usuários passaram a atribuir cerca de 44% de probabilidade de que o próximo grande movimento do bitcoin seja uma alta até US$ 84 mil, contra uma queda para US$ 55 mil. O número quase dobrou em poucos dias, sinalizando uma mudança relevante no sentimento de curto prazo. Em contraste, outras criptomoedas mostram menos otimismo, com o ethereum, por exemplo, recebendo apenas 30% de chance de avançar para US$ 3 mil antes de cair para US$ 1,5 mil.

O pano de fundo é um mercado mais sensível a variáveis macroeconômicas. O bitcoin deixou de ser apenas um ativo especulativo ligado a tecnologia e passou a responder também a fatores como política monetária, spreads de crédito e força do dólar. É nesse ambiente que se constrói a disputa entre os cenários otimista e pessimista.

O bitcoin pode voltar a subir?

Para uma parte dos analistas, o mercado criou as condições para uma recuperação técnica relevante. A principal tese é a existência de um volume elevado de posições vendidas que podem ser forçadas a se desfazer caso o preço suba rapidamente.

“No futuro imediato, esperamos uma expansão violenta para cima, impulsionada por um short squeeze mecânico”, afirmou Nicholas Motz, CEO da ORQO Group e CIO da Soil, em entrevista ao Decrypt. Segundo ele, o bitcoin começa a se desacoplar de parte das pressões macro tradicionais e passa a funcionar como proteção contra riscos ligados à dívida soberana.

“À medida que o preço se recusa a romper para baixo, antecipamos uma ‘pain trade’, em que os vendidos ficam presos e são obrigados a recomprar, levando o mercado a um movimento vertical alimentado pela volatilidade”, disse Motz.

A ideia é que, mesmo em um ambiente de incerteza, a própria estrutura do mercado ajuda a limitar quedas mais profundas. A presença institucional ampliou a liquidez nos derivativos e no mercado à vista, o que tende a reduzir movimentos extremos e reforçar tendências quando há um gatilho claro.

“Market structure amadureceu significativamente. A participação institucional é mais profunda e os mercados de derivativos são mais líquidos”, afirmou Rachel Lin, CEO da SynFutures, ao Decrypt. Para ela, isso tende a amortecer choques bruscos, mas também cria condições para movimentos direcionais quando o fluxo muda de lado.

Outro elemento observado é o comportamento do capital on-chain. Em ciclos anteriores, quedas de preço normalmente vinham acompanhadas de saída de recursos do ecossistema cripto. Agora, parte relevante do dinheiro permanece dentro da infraestrutura, estacionada em stablecoins ou produtos tokenizados.

“Em vez de tentar adivinhar o próximo movimento, é mais revelador observar onde o capital para on-chain”, disse Denis Petrovcic, CEO da Blocksquare, ao Decrypt. Ele aponta que as stablecoins se tornaram uma espécie de amortecedor macro do mercado cripto.

“Diferentemente de ciclos passados, o capital não sai automaticamente do setor durante quedas, ele fica estacionado on-chain”, explicou. Isso muda a dinâmica da formação de preço. Em vez de fuga completa, há rotação para ativos de menor volatilidade ou para produtos como títulos do Tesouro tokenizados e crédito privado on-chain.

“A correção não significa necessariamente que o capital está deixando o mercado cripto, mas que pode estar buscando rendimento e menor risco dentro do próprio ecossistema”, afirmou Petrovcic.

Nesse cenário, um gatilho positivo, seja técnico ou de fluxo institucional, poderia reativar rapidamente essa liquidez e empurrar o bitcoin para níveis mais altos, alimentando a tese de um rali até a região dos US$ 80 mil.

Queda do bitcoin e a "gravidade" do ciclo

O contraponto é mais cauteloso e olha menos para movimentos técnicos e mais para o contexto macroeconômico e histórico dos ciclos do bitcoin. Para esses analistas, o mercado entrou em uma etapa de digestão prolongada.

“Estamos na fase de gravidade do ciclo”, disse Connor Howe, CEO e cofundador da Enso, em entrevista ao Decrypt. Para ele, o bitcoin tende a se mover lentamente para baixo ou de lado, permanecendo por meses na faixa entre US$ 45 mil e US$ 55 mil.

A explicação envolve o excesso criado no topo do ciclo anterior, impulsionado por ETFs, alavancagem e expectativas exageradas. Parte da oferta comprada em preços elevados ainda está presa no mercado, o que gera pressão vendedora sempre que o ativo tenta se recuperar.

Nesse cenário, investidores não deveriam esperar uma recuperação em formato de “V”, mas sim um período de consolidação, com volatilidade, frustrações e tempo como principal fator de ajuste.

Até mesmo os analistas mais otimistas reconhecem esse atrito no médio prazo. Motz, que defende um short squeeze inicial, admite que depois de qualquer alta rápida o ambiente macro pode voltar a pesar.

“Após um eventual short squeeze, o ambiente mais amplo de spreads de crédito mais abertos e um dólar resiliente deve criar fricção significativa”, afirmou. O resultado provável seria uma fase de consolidação volátil, em vez de uma retomada sustentada.

O pano de fundo inclui juros ainda elevados, menor expansão de liquidez global e um mercado financeiro mais seletivo em relação a risco. Diferentemente de ciclos anteriores, o bitcoin agora compete diretamente com títulos que oferecem rendimento real positivo, o que altera a equação para grandes investidores.

O novo papel do bitcoin

Apesar da divergência no curto e médio prazo, há um ponto de consenso entre os analistas ouvidos pelo Decrypt: o papel estrutural do bitcoin está mudando. A criptomoeda caminha para ser vista menos como uma aposta tecnológica e mais como uma reserva de valor não soberana.

Motz descreve esse movimento como uma resposta à chamada “dominância fiscal”, um ambiente em que preocupações com dívida pública e sustentabilidade fiscal passam a se sobrepor às políticas tradicionais dos bancos centrais.

“Entramos em uma era em que questões de dívida soberana ganham protagonismo”, disse. Nesse contexto, o bitcoin tende a migrar do status de ativo puramente especulativo para o de proteção contra riscos sistêmicos.

Isso não elimina a volatilidade nem os ciclos de mercado, mas muda o tipo de investidor que passa a se interessar pelo ativo. Em vez de apenas traders, entram em cena gestores, fundos e instituições buscando diversificação fora do sistema monetário tradicional.

O resultado é um mercado mais complexo, onde forças técnicas, macroeconômicas e estruturais atuam ao mesmo tempo. O bitcoin fica, assim, preso em um cabo de guerra entre a gravidade de um ciclo de ajuste e a possibilidade de uma alta impulsionada por fluxo e posicionamento.

Para investidores, a mensagem é clara: o debate já não é apenas sobre preço, mas sobre função. Entre um rali técnico até US$ 84 mil e meses de consolidação perto dos US$ 50 mil, o bitcoin continua a amadurecer como um ativo cada vez mais integrado às dinâmicas do mercado global.

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