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O bitcoin não é o único ativo do mercado financeiro que anda batendo recordes nos últimos dias. Na última segunda-feira, 4, o ouro, a mais tradicional e usada reserva de valor de investidores, atingiu o maior preço da história, na casa dos US$ 2.151 por onça, superando a marca de US$ 2.072 atingida em agosto de 2020, ainda durante a pandemia de Covid-19.

Ao mesmo tempo, a valorização do metal ainda está distante da observada na criptomoeda. No acumulado de 2023, o bitcoin tem uma valorização de mais de 150%, também operando atualmente no maior patamar de preço do ano, acima dos US$ 43 mil, mas distante do recorde de US$ 60 mil em 2021. Já o ouro acumula valorização de pouco mais de 4,5% no ano até a última terça-feira, 5, segundo dados do Yahoo Finance.

Mas existe um aspecto em que o ouro ainda está significativamente à frente do bitcoin: dados da plataforma CompaniesMarketCap apontam que o metal é, atualmente, o ativo mais valioso do mundo, com uma capitalização total de US$ 13 trilhões. Já a criptomoeda é o 9º ativo mais valioso, mas ainda na casa dos US$ 860 bilhões.

Mesmo assim, a coincidência no comportamento dos dois ativos reforçou as já conhecidas comparações entre entusiastas do mundo cripto de que o criptoativo seria o "ouro digital", ou seja, uma nova reserva de valor que tende a substituir o metal como principal refúgio dos investidores em momentos de crise.

Os entusiastas do bitcoin argumentam que o ativo possui uma série de características que corroboram essa visão. A principal é a sua escassez: a criptomoeda foi criada para ter uma quantidade máxima disponível no mercado, assim como o ouro. Ou seja, quanto maior a demanda por ela, maior o seu preço.

João Galhardo, analista da Mynt, plataforma de criptoativos do BTG Pactual, afirma que o bitcoin é, hoje, "a coisa mais próxima a uma reserva de valor dentro do mundo dos ativos digitais", exatamente pelas características dadas a ele pelo seu criador, o misterioso Satoshi Nakamoto.

Entretanto, ele pontua que "a tecnologia [da criptomoeda] existe há pouco tempo e não foi provada como uma reserva de valor como o ouro, que esteve presente como instrumento de flight-to-quality [fuga para a qualidade, em tradução] por milênios". Por isso, o analista argumenta que "falta tempo" para afirmar que a moeda já é um ouro digital, por mais que o potencial exista.

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Alta do ouro e do bitcoin

Já sobre as altas dos dois ativos nos últimos dias, Galhardo diz que ainda não é possível dizer que elas estão ocorrendo pelas mesmas causas. Ele lembra que o bitcoin "está muito mais exposto às narrativas que tangem ativos de risco" quando comparado com o ouro. Por isso, a criptomoeda ainda tem "mais correlação" com o SPX, um índice da bolsas de valores dos Estados Unidos, do que com o ouro.

Em relatório divulgado na segunda-feira, 4, analistas da plataforma Investing disseram que o novo recorde de preço do ouro está ligado "à expectativa do mercado de que o Federal Reserve [Fed, banco central dos EUA] tenha encerrado o ciclo de alta de juros iniciado em março de 2022 e deve começar os cortes das taxas em 2024".

"O risco desse otimismo é a manutenção de uma postura rígida pelo Fed durante o primeiro semestre de 2024. O presidente do banco central dos EUA, Jerome Powell, tenta moderar o entusiasmo por cortes nas taxas de juros, advertindo que seria 'prematuro' especular sobre a flexibilização da política", explicam. Diante desse risco, o ouro encontra margem para valorizar.

Já no caso do bitcoin, os ganhos ao longo de novembro são atribuídos por especialistas às expectativas do mercado em torno da aprovação dos pedidos de lançamento de ETFs de preço à vista da criptomoeda nos Estados Unidos. Vista como iminente, a aprovação pode resultar em um forte fluxo de entrada de capital no ativo e em uma demanda maior, o que ajudariam na sua valorização futura.

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