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Omnichannel, cripto, jogos: as tendências para meios de pagamento em 2023

Setor passou por uma revolução no Brasil nos últimos anos em meio ao avanço da digitalização, acentuado pela pandemia e lançamento do Pix

Clientes devem ver um aumento nas opções e tipos de meios de pagamento em 2023, em especial no e-commerce (the_burtons/Getty Images)

Clientes devem ver um aumento nas opções e tipos de meios de pagamento em 2023, em especial no e-commerce (the_burtons/Getty Images)

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João Pedro Malar

27 de dezembro de 2022, 09h00

A indústria de meios de pagamentos passou por uma revolução no Brasil nos últimos anos em meio ao avanço da digitalização, acentuado não apenas pela pandemia, mas também com o lançamento do Pix, o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central. E esse cenário deve continuar em 2023.

As apostas do setor para o próximo ano incluem um aprofundamento da oferta de opções e tipos de pagamento para os clientes, indo desde o uso das critptomoedas até outras formas de pagamento instantâneo ou agendado. Além disso, as empresas devem investir em métodos conhecidos como omnichannel.

A consultoria Beyond Borders divulgou uma pesquisa que aponta cinco tendências na área ao longo de 2023. Confira!

Meios alternativos

A expectativa da empresa é que a América Latina tenha um cenário ideal para a expansão de meios de pagamentos alternativos, entre eles os pagamentos instantâneos - já famosos no Brasil com Pix -, o uso de carteiras digitais e a lógica "compre agora, pague depois" (Buy Now, Pay Later, em inglês), onde o cliente não precisa realizar um pagamento no momento da compra.

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Dados da empresa apontam que o Brasil já está na terceira posição na divisão de mercado de meios de pagamentos alternativos no e-commerce da America Latina, com 44% do volume total de pagamentos no país usando meios alternativos em 2022.

Atualmente, o Pix lidera a lista de métodos alternativos, seguido pelas carteiras digitais e boletos. Já a área de "compre agora, pague depois" está em estágio inicial, com espaço para expansão no Brasil. Em 2022, o Pix teve o maior crescimento de uso, de 97%.

Uso de nuvens

Ainda segundo a Beyond Borders, a América Latina é a região com maior crescimento do uso de softwares e sistemas de nuvens como meios de pagamento. Até 2026, a empresa espera um crescimento de 28% a cada ano. No Brasil, esse crescimento está associado ao aumento da digitalização de pequenas e médias empresas.

A empresa destaca que o Brasil "é um celeiro de oportunidades para esse mercado", em especial após a aprovação e uma nova regulamentação sobe o tema que permite que instituições financeiras processem transações de câmbio de até US$ 100 mil usando essas plataformas.

Para a consultoria, "essa nova regulamentação deve impulsionar o surgimento de novas soluções e modelos de negócios voltados para os mega-pagamentos e deve colocar o Brasil no radar de grandes empresas globais de SaaS/Cloud que desejam vender para o consumidor brasileiro".

Jogos e streaming

A indústria de meios de pagamento também deve investir no impulsionamento de micropagamentos e pagamentos alternativos na chamada economia criativa, em especial plataformas de streaming e jogos. A Beyond Borders associa esse crescimento à explosão de influenciadores e criadores digitais, demandando "soluções de micropagamentos que possibilitem a remuneração desses criadores".

Os dados da empresa apontam que, no Brasil, 23% dos criadores de conteúdo não são remunerados pelo trabalho, mas 50% conseguem realizar essa monetização. A expectativa é que o volume de pagamentos para a área na América Latina cresça 60% ao ano até 2025.

O relatório aponta que a área de streaming também é promissora para os meios de pagamento alternativos, "já que uma grande parte dos gamers e streamers não possuem cartão de crédito e utilizam carteiras digitais para comprar produtos e serviços relacionados".

E-commerce sem fronteiras

A Beyond Borders também aposta no chamado "comércio digital cross-border", com plataformas de e-commerce vendendo para clientes de diferentes países na América Latina, o que é "reflexo da maturidade do mercado da região, onde 75% dos latino-americanos compraram online em 2022".

Para a consultoria, a tendência deve manter níveis altos de crescimentos nos próximos anos em diversos países, com média de crescimento projetado de 34% ao ano até 2025, acima inclusive de todo o segmento de comércio digital. O setor cresceu 39% em 2022, mas ainda representa 6% do volume total de compras.

Criptomoedas

O uso de criptomoedas como meios da pagamento também devem crescer ao redor da América Latina, em especial no Brasil. O motivo é que o país aprovou recentemente um projeto de lei que regulamenta o setor e deve entrar em vigor em cerca de 180 dias, ainda no primeiro semestre de 2023. Na região, o país tem a terceira maior penetração de criptoativos.

Para a Beyond Borders, "os brasileiros já demonstram ter interesse por cripto e têm mostrado boa adesão a plataformas de investimento em cripto. Na América Latina, 75% das pessoas que utilizam cripto o fazem em investimentos; 53% compram cripto para preservar suas economias da inflação e 35% para fazer remessas para outros países".

Omnichannel e sustentabilidade

Já Samuel Ferreira, CEO da empesa especializada em soluções de meios de pagamentos Meep, acredita que a disponibilidade de diferentes opções de pagamentos deve crescer cada vez mais nos estabelecimentos comerciais, aumentando também o poder de escolha dos clientes.

Para ele, a busca de empresa por uma "experiência omnichannel", que resume a concentração dos canais de compra de uma companhia, vai continuar alta em 2023:  “O varejista brasileiro precisa disponibilizar canais digitais como parte de sua estratégia de negócios, trazendo uma experiência omnichannel. Com tantas facilidades digitais hoje, o público tende a deixar antigos hábitos de lado, para aderir a soluções mais práticas, inovadoras e, sobretudo, seguras".

Para Ferreira, as novidades nos meios de pagamento trazem também inovações sustentáveis: “O consumo de papéis e plásticos nos meios de pagamento também é um debate no mercado. Essa é uma tendência pensada ambientalmente, e os meios digitais irão ganhar ainda mais força em um futuro bem próximo”.

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