Número de criptomoedas "mortas" dispara mais de 220% e supera 12 mil em 2022, revela pesquisa

Em meio a quedas significativas, pedidos de falência, o colapso de uma série de projetos e inflação mundial recorde, volume de negociação de criptomoedas sucumbe e mais de 12 mil ativos viram “zumbis”
Criptomoedas se tornam "zumbis" com baixo volume de negociação (SOPA Images/Getty Images)
Criptomoedas se tornam "zumbis" com baixo volume de negociação (SOPA Images/Getty Images)
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Mariana Maria Silva

Publicado em 03/10/2022 às 13:37.

Última atualização em 03/10/2022 às 13:55.

O mercado de criptomoedas não vive um bom momento em 2022. Desde que atingiu recordes de capitalização em US$ 3 trilhões e a cotação do bitcoin, principal ativo, chegou a US$ 69 mil no último ano.

A nova classe de ativos recuou da grandiosidade atingida em 2021 graças a uma série de fatores, como a inflação mundial recorde e medidas de bancos centrais para contê-la, o estouro da guerra entre Rússia e Ucrânia, o colapso de projetos como Luna, além dos pedidos de falência de empresas como Voyager Digital, Celsius e Three Arrows Capital.

Enquanto até grandes empresas sofrem do impacto negativo no mercado, uma série de criptomoedas de menor relevância pode não se recuperar quando o “inverno cripto” acabar.

(Mynt/Divulgação)

Um estudo realizado pela Nomics para a Bloomberg revelou que enquanto o mercado cripto perdia mais de US$ 2 trilhões em 2022, o número de criptomoedas “mortas” ou “zumbis” foi de 12,1 mil. Faltando cerca de três meses para o ano acabar, o número já representa mais de três vezes o resultado do último ano.

A empresa, que acompanha mais de 64,4 mil ativos, identificou como “zumbis” as criptomoedas que não foram negociadas por pelo menos um mês ao longo do ano. O resultado de 2022 foi 227% superior ao último ano, que teve 3,7 mil criptomoedas zumbis.

(Nomics/Reprodução)

Ainda que não estejam essencialmente “mortas”, as criptomoedas “zumbis” apresentam um baixíssimo volume de negociação e correm o risco de serem efetivamente “abandonadas” pelo investidor cripto. As razões para isso podem ser várias: o projeto não cumpriu o que prometia, não tinha objetivos interessantes, ou era fraudulento. O cenário macroeconômico atual também não colabora para a situação, segundo Lucas Josa, analista do BTG Pactual, em entrevista à EXAME.

“O aumento no número de criptos "zumbis" se deve, majoritariamente, ao atual momento macroeconômico. Por conta de políticas monetárias mais contracionistas, taxas de juro subiram no mundo inteiro e a liquidez tem sido enxugada dia após dia”, explicou.

“Dentro deste cenário, projetos sem fundamentos e que possuem promessas mirabolantes, com ênfase para os relacionados ao metaverso, não conseguem mais prosperar porque o risco não vale mais a pena para os investidores”, acrescentou Josa.

Como não pertencem a um governo ou país em específico, criptomoedas podem ser criadas por qualquer pessoa, projeto ou empresa que tenha conhecimento em linguagens específicas de programação. Por isso, elas também podem ser criadas como uma forma de bonificação dada por empresas ou projetos de “brincadeira”, sem um plano de ação concreto por trás. Isso pode colaborar para o seu abandono com o tempo.

“Por conta disso, os projetos não conseguem mais se capitalizar e, invariavelmente, não conseguem entregar nada do que foi proposto em seu plano de ação”, afirmou Lucas Josa.

Além disso, mesmo as criptomoedas que não se classificam como “zumbis” pela Nomics, apresentam um volume de negociação baixo. Dos 64,4 mil ativos, apenas cerca de 13,8 mil tiveram volume de negociação em um período de 24 horas na última semana, afirma a pesquisa.

“Acho que os projetos de cripto precisarão garantir que estejam prontos para os baixos tanto quanto quiserem aproveitar os altos”, disse Nick Gauthier, cofundador da Nomics, à Bloomberg.

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