Felippe Percigo: A crise da FTX é uma baita oportunidade

Enquanto uns se apavoram, outros aproveitam. Entenda como se posicionar do lado de quem escolhe lucrar com o pânico em vez de se tornar uma vítima dele
Sam Bankman-Fried, ex-CEO da FTX (Bloomberg/Getty Images)
Sam Bankman-Fried, ex-CEO da FTX (Bloomberg/Getty Images)
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Da RedaçãoPublicado em 14/11/2022 às 08:03.

Por Felippe Percigo*

O mercado cripto está sofrendo o seu próprio aquecimento global. Em meio a um ciclo de baixa persistente, quando a gente achava que a atmosfera estava ficando menos pesada, aparece uma “eventualidade” chamada Sam Bankman-Fried. O novo ex-bilionário foi capaz de emaranhar de tal forma a FTX com a Alameda Research que acabou acionando um maçarico sobre os preços já em estado de derretimento.

A crise que a suposta insolvência da corretora FTX instalou no mercado pode estar apenas no começo. Pelo que sentimos nesses últimos dias, a caixa de Pandora se escancarou e tempos sombrios devem se seguir.

Algumas perguntas estão na mesa: quem (e o que) vai pular dessa caixa? As manobras financeiras desastrosas de SBF vão desencadear auditorias em série nas corretoras? Até quando o dinheiro das pessoas vai ficar preso? Há rumores de que até as criptomoedas de El Salvador estariam sob custódia da corretora.

Um tombo de preços era inevitável. Vimos moedas praticamente se liquefazendo, com 70%, 80%, 90% de desvalorização. Pode ter sido uma surpresa para a maioria. Um susto, sem dúvida.

(Mynt/Divulgação)

Nós que estamos no mercado cripto (e um pouco mais calejados de experiências anteriores) já tínhamos detectado uma queda mais brusca em nosso radar. Muitos indicadores on-chain vinham apontando, há alguns meses, para a possibilidade de uma volatilidade mais acentuada. Observamos quedas no horizonte, sim, mas não esse caos.

O temor pelo crash da FTX serviu, de fato, para acelerar e aprofundar o mergulho. Sabemos que a Alameda se expôs a várias outras empresas de empréstimo cripto que colapsaram no começo de 2022, o que inclui a Voyager, à qual disse que pagaria US$ 200 milhões em setembro, e a BlockFi, que recebeu uma linha de crédito de US$ 400 milhões no início deste ano.

Analistas descobriram que a Alameda também mantinha empréstimos em diversos protocolos DeFi. A Binance deu a entender que sairia em socorro da corretora de SBF, mas ao investigar a situação da exchange mais profundamente voltou atrás. O quadro tomou, então, contornos ainda mais críticos.

Esse novo percalço nefasto na criptoesfera é mais um de uma série enfrentada pelos investidores em 2022. Para muitos, as falências em cadeia de grandes players se materializaram em prejuízos reais e dolorosos. E não vamos nos esquecer dos colapsos de UST e Luna. As consequências ainda estão sendo sentidas.

A bola de neve infelizmente deve engrossar. O episódio que FTX e Alameda protagonizam está sendo chamado “carinhosamente” como o momento Lehman Brothers do mercado cripto. Vamos lembrar que foi exatamente por conta da crise do subprime que o Bitcoin nasceu. Portanto, existe um copo meio cheio para considerarmos. Pode ser que estejamos expurgando o que há de ruim para deixar o bom entrar.

Mas, enquanto aguardamos melhores fases, como passar por essa?

Pode respirar, porque não existe motivo para pânico. Não é um momento confortável, concordo, mas o desespero resulta em atitudes quase sempre piores do que apenas ficar quieto e deixar a poeira abaixar.

Agora, se você decidir agir, que seja com a mente tranquila, porque existem oportunidades para agarrar aqui.

A hora é, na verdade, muito boa para se compreender a dinâmica dos ciclos. No mercado, existem padrões que são em geral respeitados. As análises gráfica e on-chain já vinham alertando para ocorrências de alta volatilidade, motivadas por uma combinação da perturbada cena macroeconômica com a guerra e o aumento da taxa de juros americana. A tragédia da FTX, por sua vez, antecipou e realçou o que estava na fila para acontecer.

Apesar do cenário, a minha recomendação é resistir a encerrar posições. Não vejo motivos para atitudes radicais. Melhor canalizar essa energia para estudar uma boa exposição.

Olha só. O bitcoin foi derrubado a uma mínima de dois anos e chegou a deslizar abaixo dos US$ 16 mil nos últimos dias. Esse sell-off está vinculado ao pavor dos investidores com o caso FTX-Alameda.

Em outro prisma, desde junho, os indicadores vinham mostrando mais queda, inclusive uma possibilidade de descida do bitcoin até os US$ 14 mil. E, logicamente, nem imaginávamos que o gigante FTX ruiria. É possível chegarmos a esse nível? Sim, mas não é muito provável. Ainda assim, o risco existe.

Com os preços tão descontados, acredito que a estratégia nesta hora é apostar na cesta básica: Ether e Bitcoin. A barganha é das melhores para quem deseja acumular essas criptomoedas para o longo prazo. Um conselho que eu dou é aproveitar já e não tentar achar o fundo. Mesmo que as moedas possam sofrer mais pressão nos próximos dias, elas já estão em excelente promoção. Pode ser a grande chance na década da acumular.

Quem faz aportes habituais deve mantê-los. O Dollar-Cost Averaging, ou seja, a estratégia de aplicar o mesmo montante financeiro regularmente, ajuda a proteger o investidor em um ambiente de muita volatilidade. O método mira na redução do preço médio de compra e, portanto, esta é uma ótima chance de derrubar mais um pouco essa média.

Já aqueles que estão com as mãos coçando para comprar altcoins, muito cuidado. Investir em criptos alternativas não deve ser uma opção agora. A recomendação é esperar o mercado encontrar o fundo e se consolidar neste fundo, até que a tendência de baixa seja revertida. Quando estivermos em uma nova temporada de alta, aí, sim, podemos começar a avaliar que altcoins adotar para o portfólio.

Para encerrar, quero destacar dois aprendizados fundamentais que podemos absorver desse novo imbróglio:

• O velho e bom “not your keys not your coins”: se você não tem as chaves privadas das suas criptos, elas não são suas. O ideal é se acostumar a guardar em hard wallets, mesmo que não se trate de uma quantia muito robusta.

• Não se emocione, para não se expor de maneira indevida. Mantenha uma participação pequena em cripto na carteira. Assim, você consegue se beneficiar das boas valorizações e ainda dormir à noite tranquilo, sem se preocupar em acordar sem nada no caso de o mercado azedar. A palavra de ordem é diversificação.

*Felippe Percigo é um investidor especializado na área de criptoativos, professor de MBA em Finanças Digitais e educa diariamente, por meio da sua plataforma e redes sociais, mais de 100.000 pessoas a investirem no universo cripto com segurança.

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