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Redação Exame
Publicado em 11 de março de 2026 às 17h02.
O estrategista sênior de commodities da Bloomberg Intelligence, Mike McGlone, voltou a afirmar que o preço do bitcoin pode cair abaixo de US$ 10 mil. A projeção pessimista, no entanto, foi contestada por analistas de mercado, que consideram esse cenário pouco provável sem um choque macroeconômico extremo.
Em entrevista ao canal EllioTrades, McGlone afirmou que o mercado cripto ainda pode enfrentar um período prolongado de ajuste. Segundo ele, o bitcoin segue exposto a pressões macroeconômicas e pode cair caso ativos de risco passem por uma reprecificação significativa.
Atualmente, o bitcoin é negociado próximo de US$ 70 mil, após oscilar recentemente entre US$ 69 mil e US$ 71 mil.
A previsão de McGlone recebeu críticas de diversos analistas do setor. Para Mati Greenspan, fundador da Quantum Economics, uma queda até US$ 10 mil exigiria uma crise global de liquidez ou outro evento extraordinário.
Segundo ele, o bitcoin movimenta dezenas ou centenas de bilhões de dólares por dia em negociações globais, o que torna improvável um colapso tão acentuado sem um choque sistêmico.
Outros especialistas admitem que o ativo pode recuar, mas apontam níveis muito acima da projeção mais pessimista. Para Jason Fernandes, cofundador da AdLunam, uma queda até a região de US$ 28 mil poderia ocorrer em caso de contração significativa da liquidez global ou aumento do estresse financeiro.
Já Jonatan Randin, analista da PrimeXBT, afirmou que a previsão de US$ 10 mil é possível em termos teóricos, mas altamente improvável.
Randin avalia que o bitcoin pode permanecer em um movimento lateral no curto prazo, possivelmente entre US$ 60 mil e US$ 70 mil. Mesmo eventuais altas até US$ 80 mil poderiam ser temporárias caso as pressões macroeconômicas persistam.
Ele também indicou que uma possível zona de acumulação poderia surgir entre US$ 30 mil e US$ 40 mil caso o mercado entre em um ciclo de queda mais prolongado.
Para Greenspan, identificar o fundo exato do mercado é uma tarefa difícil, mas há sinais de que a principal correção do ciclo já pode ter ocorrido.
Segundo ele, o bitcoin já passou por um mercado de baixa relevante em 2022 e atualmente registra um recuo de cerca de 50% em relação à máxima histórica, algo que não é incomum para o ativo.
McGlone, por outro lado, acredita que o setor ainda precisa passar por um processo mais longo de ajuste antes que um fundo consistente seja estabelecido. Segundo o estrategista, o mercado permanece em tendência de baixa e os investidores devem considerar vender durante momentos de alta.