Preço do bitcoin quebra novo recorde: ainda é tempo para comprar?

Principal ativo digital do mundo atinge maior preço da história no Brasil e se aproxima de marcas importantes no exterior; ainda vale a pena investir?

Em alta desde o início de setembro, o preço do bitcoin continua subindo. Já são mais de 65% de ganhos nos últimos 60 dias, incríveis 250% no ano e, nesta terça-feira (17), o ativo passou de 94.000 reais, seu maior preço no mercado brasileiro em todos os tempos.

No mercado internacional, o ativo, negociado acima de 17 mil dólares, também atingiu marcas importantes: além de estar cotado no maior preço em quase três anos, está muito perto da sua maior capitalização de mercado já registrada, de 335 bilhões de dólares.

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Com números tão impressionantes, muita gente se pergunta: ainda é hora de comprar bitcoin?

Não existe resposta fácil ou verdade absoluta sobre o assunto, já que essa decisão deve se basear, mais do que análises técnicas e tendências, em condições e fatores individuais.

Motivos para apostar

Entre os especialistas em criptoativos, a opinião favorável à compra é predominante. Relatório do Citibank divulgado esta semana, por exemplo, sugere que o preço do bitcoin pode chegar a 318 mil dólares (cerca de 1,9 milhão de reais) em dezembro de 2021 e ainda chamou o ativo de "ouro do século 21".

O banco JPMorgan, cujo CEO chamou o bitcoin de fraude em um passado não muito distante, parece ter mudado de opinião, com a divulgação de um relatório em que compara o maior ativo digital do mundo ao ouro e que afirma que "seu preço pode dobrar ou triplicar se a tendência de alta se mantiver".

Lendário investidor de Wall Street, o bilionário Stanley Druckenmiller também foi a público dizer, pela primeira vez, que tem parte do seu portfólio alocado em bitcoin: “Eu possuo muito mais ouro do que bitcoin, mas, francamente, se a aposta no ouro funcionar, a aposta no bitcoin provavelmente funcionará melhor”.

Além do otimismo do mercado, o bitcoin e os criptoativos de forma geral estão vivendo um contexto favorável. Em primeiro lugar, a pandemia do novo coronavírus acaba sendo positiva para sua expansão, não apenas por causa do aumento da digitalização do dinheiro, mas também pela forma como os governos lidam com a situação.

Ao imprimir dinheiro para cobrir dívidas e tentar resolver os problemas econômicos causados pela Covid-19, os governos criam problemas como inflação, enfraquecimento das suas moedas, etc. Tudo isso acaba sendo positivo para o bitcoin, que, por não ter um "dono" nem ninguém capaz de interferir em sua circulação, é imune à essa questão.

As moedas digitais emitidas por bancos centrais — as chamadas CBDCs — também são positivas para os criptoativos, simplesmente porque endossam a maioria de suas características e, mais do que isso, colocam os holofotes sobre o assunto, atraindo a atenção de potenciais investidores e novos adotantes.

 (EXAME Academy/Exame)

Por último, e provavelmente mais importante, o fluxo de dinheiro institucional no mercado de criptoativos não para de crescer. Não apenas grandes empresas oferecendo serviços ligados a esse universo — como o PayPal, que agora permite negociar, guardar e usar criptoativos em sua carteira —, mas investidores institucionais.

A Grayscale Investments, por exemplo, já soma 500 mil unidades de bitcoin em seu portfólio, o que equivale a cerca de 45 bilhões de reais. A Square, empresa do CEO do Twitter, Jack Dorsey, também anunciou a compra de 50 milhões de dólares no ativo. No Brasil, corretoras e gestoras como a Hashdex, Vitreo e BLP oferecem fundos de investimento em criptomoedas no país.

Esse fluxo de dinheiro institucional é fundamental para o crescimento do mercado de criptoativos, e os recentes anúncios de grandes bancos como Citibank e JPMorgan, entre vários outros, mostram que é um movimento que já está acontecendo.

Para completar, a adoção em larga escala da tecnologia blockchain — que foi criada com a invenção do bitcoin — também é favorável aos ativos digitais.

Todos esses fatores podem explicar porque o ativo está subindo, e porque esse movimento ainda pode se estender e até se intensificar, mas, ao mesmo tempo, não existem certezas, e a própria história do bitcoin mostra que as coisas não são tão simples.

Motivos para ficar de fora

Apesar de todo o crescimento e do otimismo do mercado, criptoativos ainda são muito voláteis, e com o bitcoin não é diferente. Ao contrário do mercado de ações, que já é considerado um investimento de risco, nos criptoativos é comum observar oscilações de mais de 5 ou 10% em um período de 24 horas. Então, para investir em bitcoin, ainda é preciso um pouco de sangue frio.

Além disso, é preciso estar atento ao câmbio. A cotação do bitcoin é em dólares, valor que as exchanges brasileiras convertem para reais. Isso significa que variações de preço na relação real-dólar influenciam esse mercado. É por isso, por exemplo, que o bitcoin está em seu maior preço da história no Brasil, mas não no mercado internacional.

Cotado a 17 mil dólares fora do país, ele vale 94 mil reais no Brasil. Na máxima histórica do ativo no mercado internacional, quando era cotado perto de 20 mil dólares, a moeda norte-americana era mais barata para os brasileiros, que pagavam 70 mil pelo bitcoin — se o bitcoin chegar aos mesmos 20 mil dólares hoje, no Brasil ele será vendido a mais de 110 mil reais.

A proximidade com a máxima histórica do ativo também pode ser um problema, já que esta faixa de preço será uma resistência importante para o preço do ativo.

Apesar de tudo isso, o mais importante para decidir entre comprar ou não o ativo, é preciso ter em mente que se trata de uma tecnologia ainda bastante nova e de um mercado de risco, fatores que fazem com que seja ainda mais difícil prever o que acontecerá no futuro. De qualquer forma, analisando suas finanças com responsabilidade e se expondo apenas aos riscos que você de fato pode correr, o futuro dos criptoativos parece promissor.

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