Como a crise macroeconômica pode impactar o bitcoin, os criptoativos e os investimentos

Inflação americana em alta, ambiente recessivo, economia chinesa e até guerra podem impactar os criptoativos e os investimentos
Fatores macroeconômicos podem gerar fuga dos ativos de risco (Andriy Onufriyenko/Getty Images)
Fatores macroeconômicos podem gerar fuga dos ativos de risco (Andriy Onufriyenko/Getty Images)
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Cointelegraph BrasilPublicado em 05/08/2022 às 09:25.

O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, elevou a taxa de juros nos EUA em 0,75% pela 2ª vez consecutiva. O intervalo agora está entre 2,25% e 2,50%. E de acordo com a instituição, novos aumentos podem voltar a ocorrer.

O objetivo é trazer a inflação para a meta de 2%, desafio que não será fácil. O núcleo da inflação – que exclui alimentos e energia – medido pelo índice preferido do Fed, o PCE (Personal Consumption Expenditures - Despesas de consumo pessoal), acumula alta de 4,8% nos últimos 12 meses e não dá sinais de alívio por enquanto.

As causas para tanto desequilíbrio estão baseadas em dois elementos básicos da economia:

Excesso de demanda - Os estímulos em excesso durante a pandemia (e até depois da fase mais crítica) têm mantido o consumo elevado. Além disso, o mercado de trabalho está aquecido e, com as empresas competindo por trabalhadores, os salários estão elevados.

Oferta restrita - A cadeia de produção dá sinais de melhora mas o ambiente externo ainda é desfavorável, com a guerra na Ucrânia e sanções à Rússia atrapalhando a normalização total da produção.

O desequilíbrio entre oferta e demanda tem pressionado os preços e aumentar juros é a solução contra a inflação alta. A dúvida é até quando a taxa vai subir e qual será o tamanho do ajuste. A oferta está representada pelo PCE, que seria algo parecido com nosso Índice Nacional do consumidor amplo (IPCA).

(Mynt/Divulgação)

Antes de junho, o índice PCE manteve-se estável em 6,3% de acordo com os dados da Bloomberg. No entanto, em junho, os preços do gás atingiram níveis recordes, e o índice de preços PCE refletiu esses ganhos: os preços dos alimentos aumentaram 11,2% e os preços da energia cresceram 43,5%, segundo o Bureau of Economic Analysis (BEA - Escritório de Análise Econômica). Mês a mês, o índice de preços PCE subiu 1% em relação a maio.

Excluindo os preços voláteis de alimentos e energia, o núcleo do PCE - o índice de inflação observado de perto pelo Federal Reserve - aumentou 4,8% em relação a um ano atrás, ligeiramente acima de maio, mas abaixo de uma alta de 5,3% em fevereiro.

Economia chinesa desacelerando

A economia da China registrou seu pior desempenho trimestral em mais de dois anos, após meses de severos bloqueios de Covid causaram estragos em todo o país.

O Produto Interno Bruto da segunda maior economia do mundo cresceu apenas 0,4% nos três meses até 30 de junho, em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com o National Bureau of Statistics (NBS) na sexta-feira.

Os gastos do consumidor continuam fracos, enquanto o mercado de trabalho está sob pressão significativa – o desemprego entre os jovens atingiu um novo recorde de 19,3% em junho. Ou seja, o cenário chinês é a antítese do que se está vendo nos EUA.

Os preços globais mais altos das commodities, especialmente os preços de alimentos e energia, contribuíram para a inflação importada. Os crescentes riscos de estagflação em todo o mundo também ameaçam a estabilidade econômica da China.

Diante desse cenário de recessão nos EUA e estagnação na China é interessante olharmos como andam os índices de inflação em ambas as potências.

O se observa acima é que os EUA vem lutando contra uma inflação em franco crescimento há pelo menos um ano, enquanto a China como tinha uma economia mais aquecida apresentava uma inflação menos impactante, mas que vem crescendo desde o último ano devido aos diversos lockdown aplicados às cidades mais importantes do país, como Pequim, Shezhen e Shangai.

Além disso, as tensões geopolíticas observadas nesta semana também podem afetar os mercados.

Investimentos e Economia

O que se tem observado, é que os investidores devem continuar seguindo a estratégia do custo médio por dólar (DCA) em ativos de alta volatilidade como o bitcoin e as ações das Big Techs.

Os investidores devem usar as altas do mercado para reduzir o risco de suas carteiras e levantar capital para financiar suas compras de DCA.

Essa abordagem dupla permitiu que os investidores reduzissem o risco de curto prazo enquanto aumentavam constantemente sua exposição de longo prazo aos ativos – um objetivo fundamental do investimento de longo prazo. Como passamos por um desempenho historicamente ruim de ativos em 2022, essa estratégia equilibrou a balança do risco versus recompensa.

Dow Jones Industrial Average (DJX: +10.9%)
S&P 500 (SPX: +13.75%)
Nasdaq-100 (NDX: +18.2%)
Bitcoin (BTC: +33%)
Ethereum (ETH: +91%)

Ao olharmos para o mercado ao longo de julho, percebe-se que houve um rali, mesmo sob um cenário de baixa.

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