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Editor do Future of Money
Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 12h02.
O bitcoin começa o ano de 2026 em um cenário incerto. Mais uma vez, a maior e mais antiga criptomoeda do mercado confirmou sua volatilidade característica, com um 2025 marcado por altos e baixos, recordes e perdas expressivas. Mas o que esperar para o ativo nos próximos meses?
Gigantes do mercado seguem, em geral, otimistas. O JPMorgan afirma que a criptomoeda deve cravar um novo recorde neste ano e chegar aos US$ 170 mil. Bancos como o Standard Chartered e o Citi também projetam recordes, assim como gestoras especializadas no mercado cripto.
Mas também há quem compartilhe uma visão mais cautelosa. Após um tombo de mais de 30% em 2025 e sair dos US$ 110 mil para os US$ 80 mil, terminando o ano em US$ 90 mil, o bitcoin pode ser prejudicado por um cenário macroeconômico incerto e uma aversão a riscos ainda forte no mercado, reduzindo a demanda pela criptomoeda e seu potencial de alta.
Samir Kerbage, CIO da Hashdex, afirma à EXAME que "não projetamos um preço específico para o bitcoin, mas o conjunto de fatores que analisamos para 2026 é construtivo". Para ele, três fatores devem determinar o futuro do mercado cripto: o grau de expansão das chamadas stablecoins, o avanço da tokenização de ativos do mundo real e a convergência entre IA e blockchain.
"Considerando esses vetores, o cenário mais favorável para 2026 envolve expansão acelerada das stablecoins, avanço substancial da tokenização e adoção institucional ampliada, ambiente no qual o bitcoin e outros criptoativos podem buscar novos patamares de valorização", explica.
Segundo ele, em um cenário mais pessimista, "marcado por restrições de liquidez ou choques macroeconômicos, a tese estrutural permanece: a transição para um sistema financeiro digital, baseado em ativos escassos e de alcance global, está em andamento. O bitcoin ocupa posição central nesse processo".
Axel Blikstad, fundador da B2V Crypto, diz que espera que a criptomoeda termine 2026 na casa dos US$ 175 mil, mas ressalta que a dinâmica do ativo mudou. A grande novidade é o aparente fim do tradicional "ciclo de quatro anos" que determinou o comportamento da criptomoeda desde sua criação.
"Claramente, 2025 foi um ano bem atípico e frustrante para os investidores do bitcoin. Eles viram mercados de risco como a bolsa norte-americana e ações de tecnologia terem uma alta expressiva. Pior do que isso, viram a alta do ouro de aproximadamente 60% no ano, mas que não levou o bitcoin junto", comenta.
O executivo avalia que a queda recente da criptomoeda envolveu uma "troca de mão", com ativos vendidos por grandes investidores antigos migrando para institucionais. O movimento ocorreu devido a um "medo de uma possível quebra da economia em 2026, gerando essa antecipação".
"Depois da desalavancagem do dia 10 de outubro, o mercado está melhor tecnicamente do que estava antes. Vemos as grandes exchanges com seu menor estoque de bitcoin da história. Também vemos como positivo a aprovação da regulação do mercado cripto nos EUA muito em breve", pontua.
Para Blikstad, essa regulação "vai trazer mais investidores e bancos do mercado tradicional para esse mercado que ainda tem muito espaço para crescer. E não somente o bitcoin, mas outros protocolos como a Ethereum ainda tem um grande caminho pela frente na parte de tokenização de ativos, que na minha visão é um caminho sem volta".
Na ponta oposta, Theodoro Fleury, gestor e diretor de investimentos da QR Asset Management, acredita que 2026 será mais um ano desafiador do bitcoin. A projeção leva em conta o comportamento histórico da criptomoeda após atingir novos preços recordes. A última máxima do ativo foi no início de outubro deste ano, de US$ 125 mil.
"Historicamente, o que se costuma ver na sequência [da máxima] é um retorno dos preços do ativo até próximo do nível dado pelo custo da mineração. Hoje, esse valor estaria em torno de US$ 55 mil a US$ 60 mil, o que vejo como o piso para 2026", comenta.
Ao mesmo tempo, Cortina pontua que o cenário macroeconômico deve ser o grande definidor do preço da criptomoeda no próximo ano. O destaque é o possível impacto de decisões de juros pelo Federal Reserve, o que determinaria o apetite ao risco dos investidores.
"O ano de 2026 deve começar após um corte da taxa de juros pelo Fed, mas a sequência de cortes segue sendo uma grande interrogação. E isso deve ter um peso importante no próximo ano. Caso tenhamos a perspectiva de mais cortes, com projeções de taxa ao final ao ano abaixo dos 3%, isso pode influenciar positivamente os preços", afirma.
Considerando todos esses fatores, Cortina diz que a gestora vê o nível de preço de US$ 100 mil como o "potencial teto para o ano de 2026", o que deixaria o bitcoin próximo do zero a zero pelo segundo ano consecutivo.
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