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Bitcoin vai à mínima do ano e criptos despencam: entenda o colapso da FTX

Com grandes posições em criptomoedas e na iminência de quebra, Alameda Research e FTX provocam avalanche no mercado cripto

Preço do bitcoin despencou para o menor valor do ano nesta terça, após colapso de FTX e Alameda Research (Cemile Bingol/Getty Images)

Preço do bitcoin despencou para o menor valor do ano nesta terça, após colapso de FTX e Alameda Research (Cemile Bingol/Getty Images)

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Gabriel Rubinsteinn

Publicado em 8 de novembro de 2022 às 18h48.

Última atualização em 8 de novembro de 2022 às 19h11.

A polêmica envolvendo a corretora cripto FTX, que até recentemente era a segunda maior do mundo e está perto de ser adquirida pela concorrente Binance após entrar em colapso financeiro, provocou uma série de desdobramentos no mercado de criptomoedas - principalmente nos preços. Nesta terça-feira, 8, o mercado cripto chegou a perder US$ 150 bilhões em valor de mercado e o preço da maioria dos ativos digitais "derreteu".

Maior criptomoeda do mundo, o bitcoin atingiu o seu menor preço do ano na mínima do dia, de US$ 17.579, segundo o CoinGecko. O valor é 75% menor do que a máxima histórica do ativo, de US$ 69.044 registrada há exatamente um ano. No momento, o preço do bitcoin é de US$ 18.286, queda de 12,3% nas últimas 24 horas.

O ether, criptomoeda nativa da rede Ethereum e segunda maior do mundo por valor de mercado, despencou para US$ 1.283 na mínima do dia, e agora é negociado a US$ 1.317, com queda de 17,7% nas últimas 24 horas.

Mas não são apenas as duas maiores criptomoedas que sofrem nesta terça. Projetos relacionados à FTX e à Alameda Research, empresa de investimentos que também foi criada por Sam Bankman-Fried, CEO da corretora, são os que mais caem no momento.

O pior desempenho é do token FTT, usado pela FTX como espécie de programa de fidelidade para seus usuários. Cotado a US$ 5,04, o ativo acumula queda de 77,2% nas últimas 24 horas. A situação já não era favorável para o ativo desde o último fim de semana, quando começaram os rumores de insolvência da FTX - a Binance, que agora pode comprar a concorrente, chegou a anunciar que iria se desfazer de sua posição milionária de tokens FTT.

O token SOL, da rede Solana, criada com fundos em boa parte oriundos da Alameda Research e com grande apoio da FTX, também aparece entre as maiores quedas - negociada a US$ 23,95, a criptomoeda acumula 26% de queda nas últimas 24 horas.

(Mynt/Divulgação)

A origem dos problemas da FTX

Na última quarta-feira, 3, um vazamento mostrou os resultados do segundo trimestre da Alameda Research. A publicação mostrou que, apesar do patrimônio da empresa ser de US$ 14,6 bilhões, 33% do valor era composto por FTX Token (FTT), token emitido pela exchange, que por sua vez é ligada à Alameda.

Além disso, o passivo da Alameda é de US$ 8 bilhões, dos quais US$ 7,4 bilhões em empréstimos. O temor dos investidores estava ligado ao fato de que, se o preço do FTT colapsasse, era possível que a empresa não tivesse como arcar com seus empréstimos, causando uma liquidação massiva.

Além de FTT, a Alameda tem em seu patrimônio US$ 1,2 bilhão em Solana (SOL); US$ 3,37 bilhões em criptomoedas não-identificadas; US$ 2 bilhões investidos em valores mobiliários; US$ 2,2 bilhões em ativos não nomeados, US$ 134 milhões em caixa. Essas posições já explicam porque os tokens FTT e SOL são dos mais atingidos pela crise.

Caroline Ellison, CEO da Alameda Research, se manifestou no domingo, 6, por meio de sua conta no Twitter. Ela afirmou que o balanço divulgado deixou de fora mais de US$ 10 bilhões em ativos e completou dizendo que os criptoativos listados são posições de longo prazo da empresa, e que essas posições teria cobertura. Quanto aos US$ 7,4 bilhões em empréstimos, a executiva da Alameda disse que entre junho e novembro, a maior parte desse valor já teria sido paga.

Sam Bankman-Fried também se posicionou através da rede social, quando afirmou que "a FTX tem o suficiente para cobrir todos os fundos dos clientes. Nós não usamos os ativos de nossos clientes, nem mesmo em tesouros. Nós estamos processando os saques, e vamos continuar fazendo isso”.

A posição do jovem bilionário, apontado como "homem do ano" do mercado cripto em 2021 por publicações internacionais, mudou radicalmente nesta terça, quando os saques de clientes da FTX foram congelados e o executivo anunciou o acordo de venda da corretora para a rival Binance, reconhecendo problemas financeiros e o risco de insolvência.

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FTT com preço inflado e semelhanças com colapso da Celsius

Tanto a Alameda Research quanto a corretora FTX estavam em alta durante o "efeito dominó" provocado no mercado cripto após o colapso da plataforma de empréstimos e serviços financeiros com ativos digitais Celsius. Na época, Sam Bankman-Fried foi uma das vozes mais ativas do setor, condenando a má gestão das empresas quebradas e inclusive afirmando que "muitas corretoras tinham risco de insolvência".

Mais recentemente, em meados de setembro, SBF disse que a FTX possuía US$ 1 bilhão para resgatar empresas com problemas de liquidez.

Assim, investidores e entusiastas do mercado cripto foram surpreendidos pela descoberta de que parte do patrimônio da Alameda Research era de um token facilmente emitido pela FTX. Além disso, a presença do token é problemática por ser um ativo volátil, em um mercado de baixa, e ainda mais quando responde pela maior parte do patrimônio da empresa.

“O risco é alto, levando em consideração que o SBF está nas duas pontas da negociação, e também pelo fato de que mais de 90% dos tokens FTT estão concentrados em apenas dez carteiras”, avaliou João Kamradt, head de Research e Investments da Viden, quando os primeiros rumores sobre a situação começaram a circular.

Kamradt apontou também que o volume de negociação do FTT é baixo, além do interesse para aquisição do criptoativo ser baixo. “Ou seja, a Alameda hoje possui um terço de seu patrimônio composto por um ativo que possui pouca demanda do mercado, e que é artificialmente inflado pela própria FTX”, explicou.

Também é importante considerar que, ao inflacionar artificialmente o preço do token FTT, a FTX também aumentava o patrimônio da Alameda Research e da própria corretora, já que ambos possuíam grandes posições do token. Especialistas chegaram a apontar como as empresas faziam isso para captar investimentos de fundos e investir em ativos digitais, aumentando ainda mais o preço do FTT e criando um ciclo de valorização artificial do ativo e das empresas.

Com a queda no preço do FTT após a divulgação da história, a situação se inverte, com as duas empresas perdendo boa parte do patrimônio e falhando no cumprimento de suas obrigações financeiras - inclusive com clientes da corretora buscando retirar seus valores investidos.

Caso a venda da FTX seja confirmada, em acordo com a Binance, os usuários da plataforma poderão reaver seu dinheiro. O impacto no mercado cripto e no preço da maioria dos ativos digitais, entretanto, ainda parece longe de terminar.

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