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Redação Exame
Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 17h30.
O mercado de criptomoedas pode estar se aproximando do fim de um dos períodos mais difíceis dos últimos anos. Segundo a gestora Bitwise, o setor vive um “inverno cripto” em escala completa desde janeiro de 2025, mesmo que parte do mercado tenha resistido a reconhecer esse cenário. Em relatório publicado na segunda-feira, a empresa afirma que, historicamente, os momentos de maior desalento costumam ocorrer mais perto do fim dos ciclos de baixa do que do início.
De acordo com a Bitwise, os preços vêm caindo de forma consistente desde o começo de 2025, mas essa fraqueza foi parcialmente mascarada por fluxos institucionais. Entradas em ETFs e estratégias de tesouraria ajudaram a sustentar alguns dos principais ativos, enquanto o mercado voltado ao varejo enfrentava perdas mais profundas.
O comportamento recente, segundo a gestora, não caracteriza uma correção pontual, mas um movimento semelhante ao observado em 2022, impulsionado por excesso de alavancagem e realização de lucros. Para o diretor de investimentos da Bitwise, Matt Hougan, reconhecer o momento como um verdadeiro inverno cripto ajuda a explicar por que notícias positivas não conseguem impulsionar os preços. Mesmo avanços regulatórios e maior adoção institucional não foram suficientes para alterar o sentimento do mercado.
Nos ciclos anteriores, como em 2018 e 2022, a Bitwise observa que fundamentos raramente importam nos momentos de mínima. Os invernos cripto tendem a terminar não com otimismo, mas com exaustão. A pressão vendedora diminui, o mercado se estabiliza e, de forma gradual, cria as bases para um novo ciclo de expansão.
Os números recentes refletem esse ambiente. O bitcoin está cerca de 39% abaixo do pico registrado em outubro de 2025. O ether recua mais de 50% no mesmo intervalo, enquanto muitos outros tokens acumulam quedas ainda mais acentuadas. Segundo a Bitwise, ativos sem suporte institucional relevante chegaram a cair 60% ou mais ao longo do período.
Ao mesmo tempo, fluxos institucionais suavizaram parte do impacto. O relatório estima que veículos institucionais absorveram mais de 740 mil bitcoins, oferecendo dezenas de bilhões de dólares em sustentação de preços. Esses recursos ajudaram a conter perdas mais severas nos ativos com maior acesso a ETFs e estratégias corporativas de tesouraria, enquanto o segmento mais exposto ao varejo sofreu um mercado de baixa mais intenso.
Apesar do cenário negativo nos preços, Hougan afirma que a narrativa estrutural do setor não se deteriorou de forma relevante. O avanço regulatório, a adoção por Wall Street, o crescimento das stablecoins e a tokenização de ativos continuam em desenvolvimento, mesmo que o mercado esteja ignorando esses fatores no curto prazo.
Para a Bitwise, esse conjunto de notícias positivas cria uma pressão latente que pode se traduzir em recuperação quando o sentimento mudar. Se o padrão histórico se repetir, o atual inverno, iniciado em janeiro de 2025, pode estar mais próximo do esgotamento do que do aprofundamento.
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