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Abstract blockchain technology concept. Internet security. Isometric digital cube connection background. (Getty Images/Reprodução)
Redação Exame
Publicado em 25 de dezembro de 2025 às 11h00.
O ano de 2025 representou um momento decisivo para o Brasil no desenvolvimento dos mercados baseados em ativos digitais. Não se tratou apenas de outro ciclo de entusiasmo tecnológico; foi o período em que a tokenização deixou de ser promessa e passou a ocupar espaço concreto nas estratégias de capital e inovação de empresas e instituições financeiras.
Esse deslocamento do conceito para a prática foi impulsionado por um fator central: a regulação amadurecida. A clareza jurídica trouxe previsibilidade a um ambiente antes marcado por incertezas, permitindo que emissores, investidores e operadores estruturassem produtos com segurança e governança robusta. O resultado é um ecossistema mais confiável e propício à expansão.
Os números confirmam essa mudança visto que o mercado de tokenização no Brasil deve encerrar 2025 próximo de R$ 4 bilhões em volume, indicando não apenas expansão, mas a consolidação de operações reais e de grande porte. E esse avanço dialoga com a tendência global, visto que projeções internacionais estimam que a tokenização movimente mais de US$ 10 trilhões na próxima década. Em outras palavras, o que vemos no Brasil é parte de uma transformação estrutural dos mercados de capitais, não um fenômeno isolado.
A adoção da tokenização por setores como imobiliário, agronegócio, energia, varejo, crédito e serviços financeiros reforça essa mudança de fase, evidenciando que a tecnologia deixou de ser inovação acessória e passou a ser uma resposta concreta a desafios estruturais, incluindo acesso a capital, redução de custos operacionais e aumento da eficiência em cadeias complexas.
O ponto de virada regulatório também cumpriu um papel fundamental ao estabelecer regras claras e previsíveis. Com a eliminação de incertezas que historicamente freiam inovação, empresas passaram a enxergar a tokenização como peça-chave capaz de destravar novas fontes de financiamento, ampliar liquidez e melhorar a eficiência de processos financeiros.
Essa mudança de postura decorre da combinação entre tokenização, rastreabilidade, automação e padronização, atributos que respondem às demandas contemporâneas de compliance, transparência e precisão de dados. Em um ambiente empresarial no qual governança e eficiência se tornaram ativos estratégicos, representar direitos econômicos por meio de tokens passou a constituir uma vantagem estrutural competitiva.
Se 2025 foi o ano da virada, os próximos anos serão decisivos, a disputa agora não é apenas tecnológica, mas estratégica. Organizações que compreenderem como integrar a tokenização aos seus modelos de negócios terão melhores condições de captar recursos, inovar em produtos e competir em um mercado cada vez mais digital.
Poucos países combinam maturidade institucional, demanda corporativa e capacidade de inovação como vemos no Brasil; por isso, nesse contexto, empresas e investidores que se anteciparem a essa transformação ocuparão posição de liderança, enquanto aqueles que retardarem sua adoção enfrentarão um mercado já consolidado e significativamente mais competitivo.
*Rodrigo Caggiano é empreendedor serial no ecossistema Web3, cofundador da Mobiup Digital e criador de soluções como Capitare e RWA Monitor. À frente da Mobiup, ele recebeu por três anos consecutivos o reconhecimento da MIT Technology Review como uma das empresas mais inovadoras do Brasil. Professor de Blockchain para Negócios e mentor de startups, Rodrigo ajuda empreendedores a aplicar tecnologia, modelar novos produtos e escalar negócios na economia digital.
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