Future of Money

16 anos do Bitcoin: do whitepaper ao ouro digital

Documento que marcou a criação do Bitcoin completa 16 anos; primeira criptomoeda do mundo se tornou ativo que mais valorizou nos últimos anos e é considerado por especialistas o "ouro digital"

. (Reprodução/Reprodução)

. (Reprodução/Reprodução)

Matheus Parizotto
Matheus Parizotto

Associate Director da Mynt

Publicado em 1 de novembro de 2025 às 10h00.

Tudo sobreBitcoin
Saiba mais

No dia 31 de outubro de 2008, um documento de nove páginas circulou numa lista de e-mails de entusiastas de criptografia propondo um “dinheiro eletrônico de ponto a ponto (P2P)”.
Dezesseis anos depois, o Bitcoin saiu do nicho: entrou em portfólios institucionais, seus ETFs bateram recordes de captação, já vale mais de US$ 2 trilhões e ganhou espaço no debate público.

2008 vs 2025: comparativo histórico

O Bitcoin nasceu no epicentro da crise de 2008. A bolha imobiliária nos Estados Unidos havia acabado de estourar, hipotecas de alto risco foram empacotadas como títulos seguros para serem vendidos e, com a alta da inadimplência, esses ativos despencaram.

O crédito interbancário travou, a confiança no sistema se deteriorou e a falência do Lehman Brothers acelerou o risco de efeito dominó. Naquele momento, governos e bancos centrais evitaram colapsos bancários com resgates, liquidez abundante e dinheiro barato.

  • INVISTA E GANHE R$ 50. Abra sua conta na Mynt, a plataforma crypto do BTG Pactual, invista R$ 150 em qualquer criptoativo até 20/12/2025 e ganhe R$ 50 de cashback em bitcoin. Confira o regulamento no site.

O primeiro bloco da rede registrou a manchete do "The Times" sobre um segundo resgate aos bancos, um retrato fiel do clima daquela época.
Em 2025, a necessidade mudou de personagem: em vez de salvar bancos, os próprios governos seguem financiando déficits crescentes, aumentando suas dívidas e emitindo dinheiro.

Nos Estados Unidos, o déficit do ano fiscal de 2025 é de cerca de US$ 1,7 trilhão, e a dívida total já supera US$ 38 trilhões. É um quadro que se repete em várias economias, com endividamento público em alta e sem tendência de desaceleração.

Nesse ambiente, a ideia de um dinheiro escasso e de oferta previsível se mostra mais importante do que nunca, e o Bitcoin dialoga diretamente com essa preocupação.

Bitcoin: um ativo estratégico para governos e empresas

El Salvador deu início ao movimento de adoção do bitcoin ainda em 2021 ao torná-lo moeda de curso legal no país. Em 2025, os Estados Unidos levou o tema a outro patamar ao instituir uma Reserva Estratégica de Bitcoin, determinando que parte dos bitcoins sob custódia federal seja retida em vez de vendida em leilões. É a maior economia do mundo sinalizando que vai guardar Bitcoin como ativo estratégico para o futuro.

No setor privado, cresce o número de empresas com bitcoin em balanço, com a Strategy como caso mais emblemático. Somando todas as empresas listadas em bolsa, o saldo corporativo já supera 1 milhão de BTCs, e a tendência é que esse número continue crescendo.

Em paralelo, os ETFs deram os trilhos para investidores institucionais de longo prazo. Fundos de pensão já aparecem nos registros regulatórios, como o plano estadual de Michigan. Entre os fundos soberanos, o Mubadala (Abu Dhabi) divulgou participação relevante, e o fundo soberano da Noruega ampliou de forma indireta sua exposição ao bitcoin via empresas e veículos listados.
Esse movimento amplia o perfil de investidores, torna a base de demanda mais estável e reforça o caráter menos especulativo e mais estrutural da alocação em bitcoin.

Onde o Bitcoin chegou em números

Em outubro, o preço renovou a máxima histórica acima de US$ 125 mil e a capitalização de mercado segue acima dos US$ 2 trilhões, colocando o Bitcoin entre os dez ativos mais valiosos do mundo.

O poder computacional opera na casa de 1,14 bilhão de TH/s (terahashes por segundo), um patamar que consolida o Bitcoin como a rede mais segura do mundo, enquanto mais de 23 mil nodes mantém uma cópia do blockchain, garantindo alto nível de descentralização e evitando interrupções no seu funcionamento.

Nos veículos de investimento, os ETFs à vista somam mais de US$ 150 bilhões em ativos, com o IBIT, da BlackRock, à beira de US$ 100 bilhões sozinho. Do lado corporativo, o valor alocado em tesourarias de empresas já ultrapassa US$ 100 bilhões, liderado por casos como a Strategy.

Política monetária incorruptível desde o início

Em economias com déficits crescentes e dívidas em alta, decisões de política monetária oscilam conforme indicadores econômicos, ciclos e, não raramente, pressões políticas.

O Bitcoin opera em outra lógica. A emissão por bloco está em 3,125 BTC desde o halving de abril de 2024, e os halvings acontecem a cada quatro anos e a oferta total é limitada a 21 milhões.
Não há comitês, reuniões emergenciais ou comunicados de última hora. As regras são públicas, imutáveis no dia a dia e conhecidas com antecedência.

Para o investidor, essa previsibilidade virou tese de investimento. Em um mundo de moeda inflacionária e déficits persistentes, um ativo de escassez programada ganhou espaço como reserva de valor de longo prazo.

A estrutura atual, com ETFs líquidos e presença em balanços corporativos, ajuda a traduzir essa tese em prática. O resultado é um perfil de demanda mais paciente, com alocadores institucionais que pensam em anos ou até mesmo décadas, não em dias ou semanas.

De ideia a ativo estratégico

Dezesseis anos depois do whitepaper, a proposta de um dinheiro ponto a ponto (P2P) evoluiu para um ativo estratégico em carteiras de instituições financeiras, governos e empresas. O Bitcoin combina a lógica do ouro com atributos digitais que o metal não tem: auditoria aberta, transportabilidade global, divisibilidade extrema e liquidação contínua.

Em um ambiente de déficits e dívida em alta, a oferta previsível deixa de ser detalhe técnico e vira argumento central.
É assim que uma ideia publicada em 2008 ganhou escala ao longo dos anos e passou a disputar espaço nas estratégias de investimento e no debate de política econômica.

Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | X | YouTube Telegram | Tik Tok  

Acompanhe tudo sobre:BitcoinCriptomoedasCriptoativosFinanças

Mais de Future of Money

Stablecoins podem ocupar espaço do Drex sem avanço de uma CBDC, afirma superintendente da CVM

B3 quer integrar ações tokenizadas no 2º semestre de 2026

Brasil retira R$ 7 milhões em mais uma semana pessimista dos fundos de cripto

Em US$ 77 mil, bitcoin perdeu força no curto prazo?