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Entidades do agronegócio e transportadoras criticam greve de caminhoneiros

Movimento ainda não trouxe prejuízos ao escoamento de insumos e da produção, mas preocupa empresas

As paralisações de caminhoneiros a favor do presidente Jair Bolsonaro, que nesta quinta-feira ocuparam parcial ou totalmente rodovias em 15 estados do país, preocupam entidades do agronegócio e grandes transportadoras que não apoiam o movimento.

Os atos ainda não têm impacto negativo real e significativo no transporte de insumos e no escoamento da produção, mas, especialmente para o agronegócio, o período atual é importante para o transporte de fertilizantes e sementes a ser usados, por exemplo, na safra de soja.

Para Christian Lohbauer, presidente da Croplife Brasil, entidade que reúne 48 grandes empresas do segmento de sementes e defensivos agrícolas, o movimento de caminhoneiros é despropositado e não representa o agronegócio.

"A gente não sabe a quem serve paralisar [o agronegócio], a única atividade que cria riqueza neste país, prejudicar as empresas para entregar insumos, sementes, defensivos e fertilizantes. Vai começar a preparação da safra de soja agora, parar estradas é um absurdo completo, é um surrealismo que nem o Bolsonaro apoia", diz ele.

Ele ressalta que as paralisações não têm uma liderança clara.

"Não identificamos a liderança desses atos, mas parar tem um custo, é preciso saber quem financia isso", afirma.

No setor da agropecuária, também não foram sentidos, ainda, impactos negativos das paralisações.

“Diferentemente de 2018, salvo situações pontuais, o setor contou com a compreensão dos caminhoneiros que liberaram a passagem de cargas vivas, perecíveis e ração. Não temos informações de bloqueios de cargas do setor”, afirmou em nota a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

No segmento, a avaliação é que o movimento de caminhoneiros parece disperso, mas poderia contar com apoio ou orientação de alguns produtores rurais. Entre grandes transportadoras, as paralisações atuais também são vistas com ressalvas.

Presidente do Grupo G10, uma das maiores transportadoras do país, Claudio Adamuccio afirma que as transportadoras de grande porte não querem nenhuma conexão com o movimento.

"Nenhum grande transportador se posicionou ou vai se posicionar a favor dessas paralisações. Isso é coisa dos autônomos, micro e pequenos empresários. Em 2018, várias empresas que tiveram caminhões parados nos bloqueios levaram multas milionárias só por estarem ali. Estão até hoje gastando com advogados por isso", afirma ele.

O grupo, sediado em Maringá (PR), tem postos de combustível também e, segundo Adamuccio, observou queda na venda de diesel deste a terça-feira.

"A venda de diesel caiu 50% em relação a um dia normal porque as grandes empresas resolveram reter caminhões para não serem pegas em um fogo cruzado, de levarem multa sem participarem dos atos", conta ele.

Para Adamuccio, lideranças como Zé Trovão, caminhoneiro bolsonarista que é considerado foragido da Justiça, não representam a categoria.

Procura por combustível

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) informou que tem monitorado as ações dos caminhoneiros, mas apontou que até o momento ainda não houve alteração no suprimento nacional de combustíveis.

Presidente da entidade, Paulo Miranda Soares explicou que o que tem ocorrido é um aumento da demanda nos postos de gasolina em algumas cidades, com os consumidores preocupados com a possibilidade de desabastecimento, como houve na greve dos caminhoneiros de 2018.

"Quem tem dinheiro já começou a encher o tanque para se preparar", afirma Soares, que ressalta que mesmo com a corrida dos motoristas aos postos ainda não houve problemas na oferta.

O presidente da Fecombustíveis afirmou que o setor tem se preparado para a possibilidade de paralisação dos caminhões tanque, mas que os postos em geral não possuem muita autonomia, o que dificulta estoques em grande quantidade.

Em geral, os tanques são de 60 litros, quantidade suficiente para abastecer o posto por cerca de uma semana.

"Os postos maiores estão trabalhando com o tanque cheio para evitar desabastecimento, mas a capacidade de tancagem é limitada. O que podemos fazer, estamos fazendo", garantiu Soares.

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