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'Sem chance de errar': como uma policial aposentada virou destaque no triatlo do Brasil

As pedaladas começaram a aparecer pouco antes da aposentadoria, quando chegou a fazer algumas viagens por Santiago de Compostela

Vendo os bons resultados e ouvindo outros atletas sobre seu desempenho, Cibele resolveu se federar (Divulgação)

Vendo os bons resultados e ouvindo outros atletas sobre seu desempenho, Cibele resolveu se federar (Divulgação)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 12 de setembro de 2026 às 10h11.

Última atualização em 12 de setembro de 2026 às 10h13.

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Policial aposentada há cinco anos, Cibele Molinari começou a fazer triatlo no Sesc Jundiaí, em São Paulo, há 10 meses. Se para muitos a nova atividade poderia soar como um "passatempo de aposentadoria", para Cibele ganhou outra conotação: ela venceu, há duas semanas, o Campeonato Brasileiro de Triatlo Standard 2026, disputado no Pontão do Lago Sul, em Brasília, em sua categoria - 55 a 59 anos.

Com o resultado, se classificou para o mundial a ser disputado no ano que vem em Hamburgo. Ao todo, 15 mulheres e 41 homens conquistaram a classificação para representar o país no torneio para amadores em 2027.

“Brasília foi o ponto de partida de um sonho que agora segue para a Alemanha. O Sesc-DF tem orgulho de apoiar competidores de diferentes gerações, fortalecer o triatlo e criar oportunidades para que talentos brasileiros alcancem o cenário mundial”, afirma Valcides de Araújo, diretor regional do Sesc-DF.

"Sempre fui ligada ao esporte. Joguei voleibol dos 13  aos 23 anos, passando por algumas equipes durante a juventude. Todas de forma amadora. Quando ingressei na Polícia Civil, durante a academia, também fiz parte da equipe de voleibol. Posteriormente, já exercendo a carreira policial, passei à prática de atividades individuais, entrando para artes marciais", conta Cibele em entrevista à EXAME.

As pedaladas começaram a aparecer pouco antes da aposentadoria, quando chegou a fazer algumas viagens de bike por Santiago de Compostela, Chile, Argentina e diversas partes do Brasil.

O começo da nova paixão

Quando se aposentou, Cibele mudou-se para a cidade do interior paulista e lá começou a praticar corrida. Isso em 2024. "Acompanhando um amigo delegado, assisti à sua prova de Ironman 70.3 do Rio de Janeiro e tomei a decisão de iniciar no triatlo, uma vez que já sabia pedalar, corria o suficiente e sabia nadar. Foi aí que resolvi entrar para o esporte. Desde então, participei de provas e fui gostando dos resultados, e decidi levar o esporte a sério, pois aquilo me desafiou muito. Desde minha primeira participação, consegui pegar pódio na modalidade super Sprint e, até hoje, em todas as provas, fui agraciada com pódio", diz.

Vendo os bons resultados e ouvindo outros atletas sobre seu desempenho, com potencial para disputar vagas em torneios nacionais e internacionais, decidiu se federar. "A sensação de vitória é indescritível, principalmente porque estou no esporte porque adoro o processo, curto o treinamento, acordar e saber que tenho uma planilha para cumprir. Cheguei à minha melhor fase da vida, em que estou resolvida financeiramente, profissionalmente e emocionalmente. O triatlo veio para coroar tudo aquilo que gosto do esporte", fala.

A paixão de Cibele pelo triatlo também a faz lembrar da atividade policial que exerceu por décadas. "Me conquistou [o triatlo] em pouco tempo porque são esportes diferentes que você precisa administrar na mesma prova. Não se pode precipitar, mas também não se pode deixar de tomar decisões rápidas, o que remetia à minha profissão, que muitas vezes precisava tomar decisões imediatas sem a menor chance de errar. Isso me fascinou. Algo que depende de estratégia, decisão, sem medo de errar e para cima do resultado", explica.

O que vem por aí

Para 2027, além do mundial, Cibele já definiu que irá disputar uma corrida de montanha, em Campos do Jordão, de 30 km, e outra na Serra da Canastra, de 100 km.

"Pretendo me preparar seriamente para o mundial. Tenho uma assessoria que me acompanha, com fisioterapeuta e nutricionista. Sou aquela 'amadora' que leva o esporte a sério', brinca.

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