Segundo apuração da EXAME, Neymar pai aceitou o convite de Teixeira por ter uma "relação de confiança" com o presidente (Reprodução)
Repórter
Publicado em 6 de novembro de 2026 às 14h28.
Última atualização em 6 de novembro de 2026 às 14h45.
O pai de Neymar foi nomeado CEO do Santos FC até o final de 2023, com possibilidade de permanência caso o presidente atual seja reeleito. A principal função dele é fortalecer parcerias comerciais e atrair novas receitas para o clube. Apesar da nomeação, o Santos não planeja se transformar em SAF imediatamente devido a obstáculos estatutários.
O pai de Neymar foi anunciado como CEO do Santos nesta sexta-feira. O contrato é válido até o final do ano. Caso o presidente Marcelo Teixeira seja reeleito, o Neymar pai deve permanecer mais tempo no posto. O Peixe tem eleições marcadas para o dia 12 de dezembro.
Segundo apuração da EXAME, Neymar pai aceitou o convite de Teixeira por ter uma "relação de confiança" com o presidente.
Mesmo com a chegada de Neymar pai, executivos como Alexandre Mattos e Caio Lacerda (do marketing) não perdem espaço. "A ideia é que ele agregue, aumente a relação com patrocinadores, marcas, e traga novas receitas", disse uma fonte próxima da Vila Belmiro.
Em razão de sua situação financeira difícil - segundo o Conselho Fiscal do clube, o endividamento total do Santos é superior a R$ 1,1 bilhão -, surgiu a dúvida se o clube iria iniciar o caminho para virar SAF com a chegada de Neymar pai. Não é o que deve acontecer neste momento.
Para que isso tenha chance de acontecer, o Peixe precisa mudar o estatuto, que hoje prevê vender, no máximo, 49% do clube, o que não despertou o interesse do mercado. Uma fatia considerada pelos investidores seria 80%. Mas isso só aconteceria com uma votação de mudança do estatuto, prevista para acontecer neste domingo, mas que já foi adiada. Agora, no melhor cenário, a questão deve voltar à mesa depois da eleição para presidente do clube da Baixada.
O momento institucional e financeiro do Santos voltou a enfrentar turbulências no mês passado. A entidade máxima do futebol mundial, a FIFA, publicou em seu sistema oficial novos transfer bans contra o clube paulista, impedindo-o temporariamente de registrar novos atletas. As punições decorrem de pendências financeiras e do não cumprimento de acordos de indenização referentes à rescisão contratual do técnico português Pedro Caixinha e de sua comissão técnica, demitida ainda em abril de 2025 após uma passagem relâmpago de apenas 16 partidas no comando da equipe.
A investida jurídica levou o caso até o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), que em setembro condenou o clube em todas as instâncias. Diante da ausência de acordos amigáveis ou do pagamento das multas rescisórias estipuladas — após tentativas frustradas de parcelamento por parte da diretoria santista —, a FIFA começou a aplicar as sanções de forma escalonada.
Somente no processo movido por Pedro Caixinha, o montante devido pelo clube ultrapassa a casa dos R$ 13 milhões. A sentença judicial determinou o pagamento de 1,8 milhão de euros líquidos com base na cotação da época do desligamento (R$ 6,69), acrescidos de juros anuais de 5%. Além do treinador principal, a comissão técnica também acionou o clube na esfera internacional:
O montante acumulado com o pacote de rescisões da comissão portuguesa supera a marca de R$ 15 milhões. A sanção ocorre logo após o clube conseguir respirar aliviado no meio da temporada, quando precisou do apoio financeiro externo para quitar uma antiga pendência com o Monaco (Francia) referente à contratação do volante Jean Lucas.
A saúde financeira do Santos passa por um momento de vulnerabilidade. Relatórios publicados pelo Conselho Fiscal do clube apontam que o endividamento total da instituição atingiu a marca alarmante de R$ 1,24 bilhão, impulsionado por um déficit acumulado de quase R$ 120 milhões apenas no primeiro semestre de 2026.
O transfer ban (proibição de transferências) é uma sanção regulatória e administrativa severa aplicada pela FIFA contra clubes de futebol que descumprem obrigações financeiras, tais como o pagamento de transferências de atletas entre clubes, comissões de intermediários ou salários e indenizações devidas a jogadores e comissões técnicas ordenadas por tribunais desportivos como o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).
Na prática, quando um clube recebe um transfer ban, ele fica estritamente proibido de registrar novos jogadores em âmbito nacional e internacional. A punição permanece ativa de forma contínua e irrevogável no sistema digital da entidade até que o clube comprove a quitação integral da dívida cobrada ou chegue a um acordo formal de parcelamento aceito pelo credor. Caso o clube acumule múltiplos processos em aberto — como o caso recente do Santos com a comissão de Pedro Caixinha —, os bloqueios multiplicam-se de forma sucessiva, travando totalmente a janela de reforços da equipe até que as pendências sejam sanadas.