A fachada histórica do Estádio Urbano Caldeira, a Vila Belmiro, sede do Santos FC. (Ricardo Moreira/Getty Images) (Eicardo Moreira/Getty Images)
Redator na Exame
Publicado em 11 de outubro de 2026 às 12h57.
RESUMO | O Santos Futebol Clube voltou a sofrer duras sanções administrativas por parte da FIFA, acumulando novos transfer bans em decorrência do não pagamento de indenizações rescisórias devidas ao ex-técnico Pedro Caixinha e a membros de sua comissão técnica.
O momento institucional e financeiro do Santos voltou a enfrentar turbulências. A entidade máxima do futebol mundial, a FIFA, publicou em seu sistema oficial novos transfer bans contra o clube paulista, impedindo-o temporariamente de registrar novos atletas. As punições decorrem de pendências financeiras e do não cumprimento de acordos de indenização referentes à rescisão contratual do técnico português Pedro Caixinha e de sua comissão técnica, demitida ainda em abril de 2025 após uma passagem relâmpago de apenas 16 partidas no comando da equipe.
A investida jurídica levou o caso até o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), que em setembro condenou o clube em todas as instâncias. Diante da ausência de acordos amigáveis ou do pagamento das multas rescisórias estipuladas — após tentativas frustradas de parcelamento por parte da diretoria santista —, a FIFA começou a aplicar as sanções de forma escalonada.
Somente no processo movido por Pedro Caixinha, o montante devido pelo clube ultrapassa a casa dos R$ 13 milhões. A sentença judicial determinou o pagamento de 1,8 milhão de euros líquidos com base na cotação da época do desligamento (R$ 6,69), acrescidos de juros anuais de 5%. Além do treinador principal, a comissão técnica também acionou o clube na esfera internacional:
O montante acumulado com o pacote de rescisões da comissão portuguesa supera a marca de R$ 15 milhões. A sanção ocorre logo após o clube conseguir respirar aliviado no meio da temporada, quando precisou do apoio financeiro externo para quitar uma antiga pendência com o Monaco (Francia) referente à contratação do volante Jean Lucas.
A saúde financeira do Santos passa por um momento de vulnerabilidade. Relatórios publicados pelo Conselho Fiscal do clube apontam que o endividamento total da instituição atingiu a marca alarmante de R$ 1,24 bilhão, impulsionado por um déficit acumulado de quase R$ 120 milhões apenas no primeiro semestre de 2026.
O transfer ban (proibição de transferências) é uma sanção regulatória e administrativa severa aplicada pela FIFA contra clubes de futebol que descumprem obrigações financeiras, tais como o pagamento de transferências de atletas entre clubes, comissões de intermediários ou salários e indenizações devidas a jogadores e comissões técnicas ordenadas por tribunais desportivos como o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).
Na prática, quando um clube recebe um transfer ban, ele fica estritamente proibido de registrar novos jogadores em âmbito nacional e internacional. A punição permanece ativa de forma contínua e irrevogável no sistema digital da entidade até que o clube comprove a quitação integral da dívida cobrada ou chegue a um acordo formal de parcelamento aceito pelo credor. Caso o clube acumule múltiplos processos em aberto — como o caso recente do Santos com a comissão de Pedro Caixinha —, os bloqueios multiplicam-se de forma sucessiva, travando totalmente a janela de reforços da equipe até que as pendências sejam sanadas.
As punições foram aplicadas devido ao calote nas indenizações rescisórias devidas ao ex-técnico Pedro Caixinha e sua comissão técnica.
Apenas com o treinador português, o valor corrigido com juros e câmbio ultrapassa os R$ 13 milhões, com o pacote total da comissão superando R$ 15 milhões.
É uma sanção administrativa aplicada pela FIFA que proíbe o clube punido de registrar novos jogadores até que as dívidas comprovadas sejam quitadas.
Após impasse nas negociações diretas, o litígio tramitou na FIFA e teve condenação definitiva confirmada pelo Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).