Como o São Paulo quer somar pontos com a torcida — e ampliar receita fora de campo
Plano de virada do clube prevê programa de sócio-torcedor reformulado; em 2025, plataforma foi responsável por faturamento adicional de R$ 56 milhões


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 14 de agosto de 2026 às 11:14.
Última atualização em 14 de agosto de 2026 às 11:30.
À beira da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o São Paulo já traçou a estratégia para virar o jogo. A aposta não é reformular um elenco estrelado, contratar craques e gastar mais do que arrecada: é aproximar a arquibancada do dia a dia do clube.
O São Paulo tem cerca de 46 mil sócios-torcedores ativos, o que o coloca entre os cinco maiores programas de fidelidade do futebol brasileiro, atrás apenas de Flamengo, Palmeiras e Corinthians. No ano passado, o clube arrecadou R$ 56 milhões com sócios-torcedores.
Mas há espaço para melhora. O clube vai oferecer aos torcedores mais pontos no aplicativo do que tem oferecido na tabela — são 26 pontos em 21 jogos do Brasileirão. O programa vai transformar pontuação acumulada na plataforma em experiências exclusivas, como ingressos, entrada em grandes shows realizados no MorumBis e jogos comemorativos no centro de treinamento.
Até julho deste ano, foram registrados cerca de 4 mil resgates envolvendo experiências em dias de jogos, eventos promovidos pelo clube e ingressos para shows realizados no MorumBis. "Nosso objetivo é construir um programa que mantenha o torcedor próximo do São Paulo durante toda a temporada, e não apenas nos dias de jogo", diz André Marques, diretor executivo de marketing do São Paulo.
Segundo o executivo, a ampliação das ativações também faz parte de uma estratégia para contemplar, inclusive, quem acompanha o clube à distância. "Temos uma torcida espalhada por todo o Brasil e queremos que o programa seja relevante para esse público também. Eles também precisam ser reconhecidos com benefícios relevantes."
Linha de receita
Em 2025, os programas de sócio-torcedor dos 20 clubes da Série A movimentaram R$ 877 milhões, o maior valor já registrado. Somadas às receitas de bilheteria, essas iniciativas geraram cerca de R$ 2 bilhões e responderam por aproximadamente 8% do faturamento dos principais clubes brasileiros.
Palmeiras, Flamengo, São Paulo e Internacional estiveram entre os destaques em engajamento e arrecadação, com bases de associados que chegaram perto ou ultrapassaram a marca de 100 mil torcedores adimplentes.
Os R$ 877 milhões arrecadados exclusivamente com os programas de sócio-torcedor reforçam o peso crescente dessa fonte de receita no futebol brasileiro. Segundo os balanços financeiros dos clubes, o montante supera os R$ 800 milhões de 2024, R$ 705 milhões de 2023 e R$ 409 milhões de 2022. Em três anos, portanto, a arrecadação mais que dobrou.
De goleada
O São Paulo chega a 2026 em uma situação financeira melhor do que há um ano, mas ainda longe de confortável. Depois do déficit de R$ 287 milhões registrado em 2024, o clube fechou 2025 com superávit de R$ 57 milhões e receita operacional acima de R$ 1 bilhão. A dívida também recuou em cerca de R$ 110 milhões, de R$ 968 milhões para R$ 858 milhões.
A virada, porém, teve uma ajuda importante da negociação de jogadores. O São Paulo levantou R$ 283 milhões com vendas de atletas em 2025, quase o dobro dos R$ 155 milhões previstos no orçamento e três vezes os R$ 93 milhões obtidos no ano anterior. Ao mesmo tempo, as despesas do futebol profissional chegaram a R$ 687 milhões, acima do planejado.
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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