(Marco Galvao/Sports Press Photo/Getty Images)
Repórter
Publicado em 22 de julho de 2025 às 15h15.
As camisas de futebol deixaram de ser apenas parte do uniforme: elas viraram ferramentas geopolíticas. No livro More Than A Shirt: How Football Shirts Explain Global Politics, Money and Power (tradução livre para: ‘Mais que um uniforme: como as camisas de futebol explicam a política global, dinheiro e poder'), o jornalista Joey D’Urso, do Times, explica como o que está estampado na frente da camisa pode dizer sobre poder, interesses econômicos e propaganda estatal.
Um dos casos mais simbólicos é o do PSG, que estampa a Qatar Airways — controlada pelo mesmo governo que também é dono do clube. Mais do que marketing, o patrocínio reforça a presença internacional do Catar e ajuda a limpar sua imagem. Segundo D’Urso, patrocinar clubes é uma forma eficiente de “fazer diplomacia com milhões de torcedores”.
Uma reportagem da The Economist também refletiu sobre a maneira que o autor mostra como empresas obscuras ou mal regulamentadas usam o futebol para ganhar legitimidade.
Em 2021, o Chelsea fechou com a asiática Leyu Sports. Jogadores gravaram vídeos em chinês e o estádio exibiu o nome da marca, mas não havia provas concretas de que a empresa sequer existia — fotos falsas, sede fantasma e origem desconhecida marcaram o episódio.
Outro exemplo de alerta vem das criptomoedas. Em 2022, quase todos os clubes da Premier League anunciaram produtos cripto aos torcedores, como NFTs. Segundo D’Urso, o foco eram jovens mais vulneráveis a assumir riscos financeiros. Muitos perderam dinheiro quando os ativos desabaram. "A camisa virou um canal de marketing barato para mercados voláteis", diz o jornalista.
Já no cenário brasileiro, todos os clubes da série A do Brasileirão são patrocinados por casas de apostas. Uma reportagem do Globo Esporte revelou que as chamadas ‘bets’ já estão presentes em 90% dos times com o patrocínio master do campeonato. Apenas o Mirassol e o Bragantino não estampam o patrocínio de apostas no centro da camisa.
Para D’Urso, a camisa de futebol virou palco de disputas políticas, interesses econômicos e estratégias de propaganda. Clubes muitas vezes aceitam dinheiro sem questionar a origem, enquanto os torcedores, que deveriam vestir o símbolo com orgulho, se veem no meio de jogos de poder e patrocínios que muitas vezes podem ultrapassar os limites.