O goleiro Lionel Mpasi durante partida da Copa do Mundo 2026, disputa nos Estados Unidos, Canadá e México. (Reprodução/FIFA) (Reprodução)
Redator na Exame
Publicado em 7 de outubro de 2026 às 14h14.
RESUMO | Uma investigação exclusiva publicada pelos jornais The New York Times (Estados Unidos) e Le Monde (França) revelou que a FIFA determinou internamente que a seleção da República do Congo escalou um jogador irregular — o goleiro Lionel Mpasi — nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, mas optou por não punir a equipe para evitar um escândalo institucional.
Em meio a uma série de polêmicas envolvendo a gestão do presidente Gianni Infantino, uma nova denúncia abala os bastidores do futebol mundial. Informações obtidas pelo jornal norte-americano The New York Times e pelo periódico francês Le Monde revelam que os departamentos jurídicos da FIFA determinaram internamente, ainda antes da realização do torneio, que a República do Congo escalou um jogador irregular nas eliminatórias africanas, mas a entidade optou por não tomar nenhuma providência prática, permitindo que a seleção disputasse a Copa do Mundo de 2026.
Segundo documentos internos e correspondências confidenciais revisadas pelas publicações, a questão girava em torno do goleiro Lionel Mpasi. A investigação apontou que a Federação Congolesa nunca concluiu adequadamente a documentação necessária para a mudança oficial de filiação esportiva do atleta, que havia defendido as seleções de base da França antes de atuar pelo Congo.
De acordo com o regulamento rigoroso da entidade, a utilização de um atleta inelegível deveria resultar na desqualificação da equipe ou na perda automática das partidas disputadas — punição que já foi aplicada de forma severa em casos semelhantes envolvendo seleções como Grécia e Bolívia em ciclos passados.
O caso veio à tona após uma reclamação formal apresentada pela federação de Nigéria, seleção que havia sido eliminada pelos congoleses na fase anterior à repescagem contra a Jamaica. Contudo, os dirigentes da FIFA decidiram encerrar o caso com base em tecnicidades procedimentais, mantendo o Congo na repescagem, onde superou os jamaicanos para garantir uma vaga inédita em 52 anos no Mundial.
A condução silenciosa do processo gerou revolta e teve consequências severas no futebol africano, culminando na renúncia de toda a diretoria da federação nigeriana. Ibrahim Musa Gusau, presidente da entidade do país, criticou duramente a postura da cúpula do futebol mundial:
"Eles apenas ficaram quietos e não podem contar a ninguém porque sabem que isso causará uma crise séria para eles" — declarou Gusau, exigindo uma investigação externa.
Especialistas e ex-dirigentes ouvidos pelo The New York Times e pelo Le Monde apontam que a decisão de acobertar a irregularidade esteve fortemente atrelada à conveniência política de Gianni Infantino. À época das investigações internas, Véron Mosengo-Omba — um dos principais aliados políticos de Infantino — articulava sua candidatura para assumir a presidência da federação congolesa, cargo para o qual foi eleito meses depois, em meio à euforia pela classificação mundialista. Com a proximidade das novas eleições presidenciais da FIFA e a necessidade crucial de assegurar o apoio do bloco de 54 federações africanas, o escândalo acabou abafado nos corredores da entidade.
Nascido em Meaux, na França, em 1 de agosto de 1994, Lionel Mpasi-Nzau é um goleiro profissional que construiu sua carreira no futebol francês e defende a Seleção da República Democrática do Congo.
Formado nas categorias de base de grandes clubes, Mpasi passou por tradicionais centros de formação como o Paris Saint-Germain e o Toulouse. Após buscar afirmação no cenário profissional, encontrou estabilidade no Rodez, clube onde atuou por vários anos e ajudou a conquistar o acesso à segunda divisão francesa, acumulando mais de 130 partidas. Em 2025, transferiu-se para o Le Havre, equipe que disputa a Ligue 1.
No âmbito internacional, o jogador representou as seleções de base da França na juventude, mas optou por defender a pátria de seus pais no futebol profissional. Sua afirmação como titular absoluto da República Democrática do Congo veio em destaque durante a Copa Africana de Nações (CAN) de 2023, quando brilhou inclusive marcando o pênalti decisivo que eliminou o Egito nas oitavas de final.
Mais recentemente, Mpasi esteve sob os holofotes globais ao ser o goleiro titular da seleção congolesa na Copa do Mundo de 2026, campanha que posteriormente gerou controvérsias extracampo nos bastidores da FIFA reveladas pela imprensa internacional.
A participação da República do Congo na Copa do Mundo de 2026 marcou o fim de um jejum de 52 anos — desde a histórica aparição em 1974 ainda sob o nome de Zaire. Apesar de todo o turbulento contexto de bastidores envolvendo a irregularidade documental do goleiro Lionel Mpasi, os Leopardos conseguiram desempenhar um papel competitivo e surpreenderam ao avançar para a fase mata-mata do torneio expandido.
Integrantes do Grupo K, os congoleses lutaram em cada partida da primeira fase até garantirem a classificação como um dos melhores terceiros colocados. O ponto alto da campanha ocorreu no mata-mata, quando a seleção vendeu caro a derrota para uma das potências europeias.
Os resultados da República do Congo na Copa de 2026:
Fase de grupos (K):
Mata-mata (16 avos de final):
A seleção utilizou o goleiro Lionel Mpasi sem que a federação local tivesse concluído a documentação exigida pela FIFA para a mudança de associação do atleta, que havia atuado nas categorias de base da França.
Embora os documentos internos tenham confirmado a irregularidade, a FIFA encerrou a investigação sob alegações técnicas e optou por não desclassificar o Congo, permitindo sua participação na Copa do Mundo.
A investigação foi divulgada em uma apuração exclusiva conjunta dos jornais The New York Times (EUA) e Le Monde (França).
A seleção nigeriana, que havia sido eliminada pelo Congo, teve prejuízos esportivos e institucionais severos, resultando na renúncia de toda a diretoria da sua federação de futebol.