O técnico Jurgen Klopp durante entrevista coletiva da seleção da Alemanha. (Foto: John MacDougall / AFP) ((Foto: John MacDougall / AFP))
Redator na Exame
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 15h42.
RESUMO | O técnico da seleção alemã, Jurgen Klopp, classificou como "completa tolice" as críticas de políticos do partido de extrema-direita AfD sobre a diversidade racial e a composição de seu elenco antes da partida da Liga das Nações contra a Sérvia.
O técnico da seleção da Alemanha, Jurgen Klopp, adotou um tom direto para repudiar manifestações de cunho xenófobo direcionadas a seu elenco. Em entrevista coletiva concedida em Munique na quarta-feira, 30, véspera do confronto da Liga das Nações contra a Sérvia, o treinador classificou como "completa tolice" as acusações de que a equipe nacional seria "não branca o suficiente".
As declarações de Klopp surgiram após ser questionado sobre postagens em redes sociais publicadas por políticos do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD). O grupo passou a criticar abertamente a composição multirracial do plantel após a derrota da Alemanha para a Grécia em Augsburg.
Segundo reportagem do The Athletic, a retórica contra a diversidade na seleção alemã não é inédita, mas ganhou novo fôlego na esteira de reveses esportivos. Kay Gottschalk, vice-líder da AfD, compartilhou recentemente imagens comparativas entre a seleção da Alemanha Ocidental campeã da Copa do Mundo de 1990 — composta exclusivamente por jogadores brancos — e o time escalado por Klopp na semana passada, que contava com oito jogadores não brancos. Na publicação, Gottschalk insinuou que "traços de caráter, certas virtudes e espírito de equipe são valores culturais que se desenvolvem ao longo de séculos".
O histórico de tensões políticas envolvendo a equipe nacional é recorrente. Em 2016, após a eliminação da Eurocopa, a parlamentar Beatrix von Storch questionou se o time em campo representava de fato a nação. Já em 2024, antes da Euro sediada no país, o político ultranacionalista Bjoern Hoecke — condenado judicialmente por utilizar slogan nazista — afirmou publicamente que "já não conseguia se identificar com a seleção", criticando também pautas de inclusão.
Diante dos ataques, Klopp foi categórico na defesa de seus comandados:
"Não há absolutamente nenhuma razão para prestar atenção a essas pessoas", disparou o treinador. "Vocês não terão meus pensamentos sobre isso. Tenho pouco tempo na vida cotidiana para a idioticcia — e ainda menos nas redes sociais".
Desde que assumiu o comando técnico da seleção em julho, substituindo o antigo ciclo e adotando uma postura de união pública — utilizando inclusive bonés com a estampa "One of 83 million" (Uma de 83 milhões de pessoas, em referência à população do país) —, Klopp tem defendido a necessidade de "reclamar a bandeira" e "reclamar o patriotismo das mãos das pessoas erradas".
Em meio a um cenário de polarização política e à ascensão do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) — que conquistou mais de 43% dos votos nas eleições do estado da Saxônia-Anhalt —, o técnico Jurgen Klopp utilizou sua primeira convocação à frente da seleção alemã para dar um recado fora das quatro linhas. Exibindo um boné com a estampa "um entre 83 milhões" (em referência direta à população total do país), o treinador transformou sua primeira aparição pública na nova função em um manifesto político contra a apropriação dos símbolos nacionais por grupos extremistas.
Questionado pela imprensa sobre o significado do adereço e o impacto do pleito eleitoral — que gerou angústia no eleitorado alemão diante do crescimento da retórica anti-imigração e nacionalista —, Klopp foi enfático ao declarar que "não quer deixar o orgulho nacional nas mãos das pessoas erradas":
"Quero resgatar a bandeira para nós. Quero que sempre acenemos com ela de uma forma que ninguém pense: 'O que há de errado com você?', mas sim que as pessoas simplesmente sintam que você é feliz e entendam a sorte que você tem de ter nascido, crescido ou se mudado para este país maravilhoso", pontuou o técnico.
Defendendo o que chamou de “patriotismo positivo”, Klopp destacou que o futebol tem o papel fundamental de fomentar um senso de comunidade e união em momentos de divisão social. Embora tenha ressalvado não ser um especialista em política, o ex-comandante do Liverpool reforçou que o orgulho de representar a nação deve servir para aproximar a população, blindando a identidade alemã contra os discursos de exclusão que ganham força em áreas de declínio industrial e no leste do país.
O técnico classificou as acusações de que a seleção alemã seria "não branca o suficiente" como "completa tolice", recusando-se a dar espaço à idioticcia política.
Políticos do partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha), incluindo o vice-líder Kay Gottschalk.
Eles compararam o número de jogadores não brancos na seleção atual com escalações históricas totalmente brancas da década de 1990, associando a composição racial a "valores culturais".
O treinador tem pregado abertamente a união nacional, declarando publicamente que deseja resgatar o patriotismo e a identidade da bandeira alemã para toda a população.