Esporte

Klopp se revolta contra críticas da extrema-direita à composição da seleção alemã

Figuras da AfD retomaram ataques xenófobos comparando o time atual com a escalação de 1990, gerando forte reação do treinador, que desde que assumiu o cargo em julho tem buscado "reclamar o patriotismo" para toda a população alemã.

O técnico Jurgen Klopp durante entrevista coletiva da seleção da Alemanha. (Foto: John MacDougall / AFP) ((Foto: John MacDougall / AFP))

O técnico Jurgen Klopp durante entrevista coletiva da seleção da Alemanha. (Foto: John MacDougall / AFP) ((Foto: John MacDougall / AFP))

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 2 de outubro de 2026 às 15h42.

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RESUMO | O técnico da seleção alemã, Jurgen Klopp, classificou como "completa tolice" as críticas de políticos do partido de extrema-direita AfD sobre a diversidade racial e a composição de seu elenco antes da partida da Liga das Nações contra a Sérvia.


O técnico da seleção da Alemanha, Jurgen Klopp, adotou um tom  direto para repudiar manifestações de cunho xenófobo direcionadas a seu elenco. Em entrevista coletiva concedida em Munique na quarta-feira, 30, véspera do confronto da Liga das Nações contra a Sérvia, o treinador classificou como "completa tolice" as acusações de que a equipe nacional seria "não branca o suficiente".

As declarações de Klopp surgiram após ser questionado sobre postagens em redes sociais publicadas por políticos do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD). O grupo passou a criticar abertamente a composição multirracial do plantel após a derrota da Alemanha para a Grécia em Augsburg.

Os ataques da AfD e o histórico de rejeição

Segundo reportagem do The Athletic, a retórica contra a diversidade na seleção alemã não é inédita, mas ganhou novo fôlego na esteira de reveses esportivos. Kay Gottschalk, vice-líder da AfD, compartilhou recentemente imagens comparativas entre a seleção da Alemanha Ocidental campeã da Copa do Mundo de 1990 — composta exclusivamente por jogadores brancos — e o time escalado por Klopp na semana passada, que contava com oito jogadores não brancos. Na publicação, Gottschalk insinuou que "traços de caráter, certas virtudes e espírito de equipe são valores culturais que se desenvolvem ao longo de séculos".

O histórico de tensões políticas envolvendo a equipe nacional é recorrente. Em 2016, após a eliminação da Eurocopa, a parlamentar Beatrix von Storch questionou se o time em campo representava de fato a nação. Já em 2024, antes da Euro sediada no país, o político ultranacionalista Bjoern Hoecke — condenado judicialmente por utilizar slogan nazista — afirmou publicamente que "já não conseguia se identificar com a seleção", criticando também pautas de inclusão.

Diante dos ataques, Klopp foi categórico na defesa de seus comandados:

"Não há absolutamente nenhuma razão para prestar atenção a essas pessoas", disparou o treinador. "Vocês não terão meus pensamentos sobre isso. Tenho pouco tempo na vida cotidiana para a idioticcia — e ainda menos nas redes sociais".

Desde que assumiu o comando técnico da seleção em julho, substituindo o antigo ciclo e adotando uma postura de união pública — utilizando inclusive bonés com a estampa "One of 83 million" (Uma de 83 milhões de pessoas, em referência à população do país) —, Klopp tem defendido a necessidade de "reclamar a bandeira" e "reclamar o patriotismo das mãos das pessoas erradas".

"Quero resgatar a bandeira": o posicionamento político de Jurgen Klopp

Em meio a um cenário de polarização política e à ascensão do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) — que conquistou mais de 43% dos votos nas eleições do estado da Saxônia-Anhalt —, o técnico Jurgen Klopp utilizou sua primeira convocação à frente da seleção alemã para dar um recado fora das quatro linhas. Exibindo um boné com a estampa "um entre 83 milhões" (em referência direta à população total do país), o treinador transformou sua primeira aparição pública na nova função em um manifesto político contra a apropriação dos símbolos nacionais por grupos extremistas.

Questionado pela imprensa sobre o significado do adereço e o impacto do pleito eleitoral — que gerou angústia no eleitorado alemão diante do crescimento da retórica anti-imigração e nacionalista —, Klopp foi enfático ao declarar que "não quer deixar o orgulho nacional nas mãos das pessoas erradas":

"Quero resgatar a bandeira para nós. Quero que sempre acenemos com ela de uma forma que ninguém pense: 'O que há de errado com você?', mas sim que as pessoas simplesmente sintam que você é feliz e entendam a sorte que você tem de ter nascido, crescido ou se mudado para este país maravilhoso", pontuou o técnico.

Defendendo o que chamou de “patriotismo positivo”, Klopp destacou que o futebol tem o papel fundamental de fomentar um senso de comunidade e união em momentos de divisão social. Embora tenha ressalvado não ser um especialista em política, o ex-comandante do Liverpool reforçou que o orgulho de representar a nação deve servir para aproximar a população, blindando a identidade alemã contra os discursos de exclusão que ganham força em áreas de declínio industrial e no leste do país.


O que Jurgen Klopp respondeu às críticas da extrema-direita?

O técnico classificou as acusações de que a seleção alemã seria "não branca o suficiente" como "completa tolice", recusando-se a dar espaço à idioticcia política.

Quem originou os ataques contra a seleção?

Políticos do partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha), incluindo o vice-líder Kay Gottschalk.

Qual foi o argumento utilizado pelos políticos da AfD?

Eles compararam o número de jogadores não brancos na seleção atual com escalações históricas totalmente brancas da década de 1990, associando a composição racial a "valores culturais".

Qual tem sido a postura de Klopp desde que assumiu a seleção?

O treinador tem pregado abertamente a união nacional, declarando publicamente que deseja resgatar o patriotismo e a identidade da bandeira alemã para toda a população.

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