Fórmula 1: categoria pode perder até R$ 1 bilhão com cancelamento de duas etapas em abril (Lars Baron/Getty Images)
Publicado em 14 de março de 2026 às 09h36.
A Fórmula 1 deve cancelar as etapas do Bahrein e da Arábia Saudita, previstas para abril, em razão do conflito armado no Oriente Médio. Segundo a Reuters, múltiplas fontes indicam que o cancelamento deve ser anunciado oficialmente até a próxima segunda-feira, 17. O prazo tem razão logística: cargas e equipamentos das equipes precisam ser despachados até 20 de março para chegar a tempo ao Bahrein — o que, na prática, obriga a F1 a confirmar ou cancelar as corridas antes dessa data. A emissora britânica Sky Sports, detentora dos direitos de transmissão no Reino Unido, informou que esperava a confirmação do cancelamento ainda no domingo à noite.
O GP do Bahrein estava marcado para 12 de abril, e o da Arábia Saudita, em Jeddah, para 19 de abril. As fontes ouvidas pela Reuters indicam que nenhuma das duas corridas deve ser reagendada ou substituída, deixando abril sem etapas no calendário e reduzindo o campeonato de 24 para 22 provas na temporada.
O impacto financeiro do cancelamento das duas etapas pode ser expressivo. Um relatório divulgado pelo banco de investimentos Guggenheim, citado pela Forbes, estima perda de aproximadamente US$ 190 milhões a US$ 200 milhões em receita (mais de R$ 1 bilhão) e cerca de US$ 80 milhões (R$ 425 milhões) em EBITDA — medida que representa o lucro operacional da empresa antes de impostos, juros e amortizações.
Além da perda direta de receita, o conflito já vem gerando custos adicionais para as equipes. Com o fechamento dos aeroportos de Dubai, Abu Dhabi e Doha — importantes hubs de conexão para voos entre Europa e Ásia — após ataques de mísseis iranianos, equipes e staff foram obrigados a recorrer a voos fretados para contornar as restrições de tráfego aéreo na região. São centenas de profissionais entre as 11 equipes do grid afetados por essas mudanças logísticas.
Os cancelamentos ocorrem em meio à continuidade dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, com retaliações iranianas atingindo capitais do Oriente Médio, incluindo Manama, no Bahrein — cidade onde a maior parte do pessoal das equipes ficaria hospedada durante o GP local.
Neste fim de semana, a F1 está na China para a segunda etapa da temporada, após a abertura na Austrália. O próximo GP confirmado é o do Japão, em 29 de março, com a corrida de Miami na sequência, em 3 de maio. A eventual etapa do Azerbaijão, marcada para setembro, também é apontada pela Forbes como potencialmente vulnerável aos desdobramentos do conflito.
O mundo das corridas automobilísticas já viu outro campeonato ser afetado: o Mundial de Endurance (WEC) adiou sua etapa inaugural no Catar, originalmente prevista para 26 a 28 de março, transferindo-a para outubro.
Procuradas pela Reuters, a Fórmula 1 e a FIA não se manifestaram até o momento da publicação da reportagem. O chefe de equipe da Audi, Jonathan Wheatley, disse acompanhar as orientações das entidades: "Ninguém vai comprometer nada que coloque as equipes em uma situação desconfortável."