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Após título na Copa do Golfo, Iraque volta a ter esperança de sediar competições internacionais

A realização do evento no país marca um retorno gradativo dos compromissos entre diversas nações nas cidades iraquianas, depois de décadas de proibições devido a condições de segurança

Iraque: a seleção iraquiana bateu o Omã, por 3 a 2, no Estádio Internacional de Basra (Essam al-Sudani/Reuters)

Iraque: a seleção iraquiana bateu o Omã, por 3 a 2, no Estádio Internacional de Basra (Essam al-Sudani/Reuters)

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Agência O Globo

20 de janeiro de 2023, 10h51

Após ter sediado e vencido a Copa do Golfo de 2023, o Iraque voltou a ter esperança de receber competições esportivas em sua região. O título, que veio após um jejum de 35 anos, também coroou um retorno que mobilizou milhares de pessoas a estarem no Estádio Internacional de Basra para vibrar por uma nova abertura a eventos internacionais.

Nesta quinta, a seleção iraquiana bateu o Omã, por 3 a 2, no Estádio Internacional de Basra. A vitória veio na prorrogação, com muita emoção, e em uma data extremamente simbólica para o país: o Iraque voltou a sediar o evento depois 44 anos - a ultima vez tinha sido em 1979.

Os iraquianos chegaram ao seu quarto título, triunfando em cima de seleções fortes como a Arábia Saudita, na fase de grupos, e também Catar, nas semifinais. A vitória na competição e a realização do evento no país marcam um retorno gradativo dos compromissos internacionais às cidades iraquianas, após décadas de proibições devido a condições de segurança.

O momento é extremamente significativo para o país. A euforia para assistir ao jogo da final foi tanta que, cinco horas antes da partida iniciar, o Estádio Internacional de Basra, que tem capacidade para 65 mil pessoas, já estava lotado.

Torcedores sem ingresso lotaram as ruas ao redor do local e terminaram gerando uma confusão que acabou em tragédia: uma pessoa morreu e outras dezenas ficaram feridas. Horas depois do ocorrido, o Ministério do Interior informou que tudo já tinha sido normalizado.

O Iraque investiu fortemente nesta edição com o objetivo de recuperar sua imagem diante dos participantes da competição. Em preparação para receber o evento, diversos moradores pintaram murais coloridos pelo país.

O ano de 1979, quando foi sediada pela ultima vez a competição no país, foi emblemático não só para os iraquianos, mas para todos os integrantes do Golfo Pérsico. A data marca o início dos movimentos que culminaram no conflito entre Irã e Iraque e que custou a vida de milhares de pessoas.

Da perspectiva esportiva, a guerra no país gerou diversas sanções expedidas pela Fifa por guerras e invasões em sua região - os torneios internacionais passaram longe de lá por diversas décadas.

Anos depois, após a invasão norte-americana, em 2003, o país liberou apenas dois jogos em seu território, válidos pelas eliminatórias da Copa do Mundo em 2011 e 2019. A sociedade iraquiana viu a oportunidade de sediar o evento de uma perspectiva de renovação e esperança.

Nas redes sociais, o presidente da Associação de Futebol do Iraque, Adnan Darjal, parabenizou a seleção pela conquista e também agradeceu o apoio do governo Iraquiano.

O ministro dos esportes e presidente do Comitê Olímpico e Paraolímpico da Arábia Saudita ,Abdulaziz bin, também parabenizou a equipe iraquiana e acenou positivamente para o Omã.

A Copa do Golfo reuniu oito países. São eles: Iraque, Kuwait, Omã, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Iêmen e Emirados Árabes Unidos.

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