ESG

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Holanda promete US$ 500 milhões para TFFF e deixa fundo de florestas a US$ 2,2 bi da meta

Compromisso deve ser oficializado na COP31, mas decisão final fica para 2027; Capobianco vê voto de confiança no projeto do Brasil

Fundo Florestas Tropicais para Sempre: com US$ 125 bilhões, mecanismo pode proteger até 900 milhões de hectares.

Fundo Florestas Tropicais para Sempre: com US$ 125 bilhões, mecanismo pode proteger até 900 milhões de hectares.

Lia Rizzo
Lia Rizzo

Editora ESG

Publicado em 26 de outubro de 2026 às 12h51.

Priorizar nos meus resultados Google

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo idealizado pelo Brasil para remunerar países que preservam suas matas, ganhou nesta segunda-feira, 26, um novo investidor europeu.

A Holanda anunciou que pretende destinar até US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) à iniciativa, ao longo de dez anos.

A proposta foi formalizada por meio de carta enviada ao Parlamento pelo ministro de Comércio Exterior e Cooperação para o Desenvolvimento, Sjoerd Sjoerdsma.

O aval final, porém, deve sair só em meados de 2027, quando os países participantes e o Banco Mundial concluírem o desenho do fundo e ele começar a operar.

Com a adesão, os compromissos chegam a US$ 7,8 bilhões. Restam US$ 2,2 bilhões para o patamar de US$ 10 bilhões exigido até o fim de 2026.

A formalização está prevista para a COP31, que começa em duas semanas em Antália, na Turquia. A notícia saiu um dia depois da reeleição do presidente Lula, no domingo, 25.

Segurança como argumento

O gabinete holandês apresentou a decisão como parte de um esforço para ampliar o papel do país no financiamento climático internacional. Em comunicado oficial, Sjoerdsma associou a proteção das áreas tropicais à agenda de segurança.

“As mudanças climáticas são uma ameaça direta à nossa segurança, à nossa prosperidade e às nossas liberdades”, afirmou.

O ministro defende o investimento oferece aos países com cobertura tropical um incentivo firme para conservá-la e ajuda a Holanda a cumprir as metas do Acordo de Paris. “Investimos juntos”, resumiu.

O governoda Holanda informou ainda que investidores institucionais do país já demonstraram interesse no TFFF.

A chamada Declaração de Investidores de Roterdã, endossada por 34 instituições financeiras e organizações de apoio, entre elas algumas das maiores gestoras de ativos do mundo, sinaliza disposição do setor privado de aplicar recursos no mecanismo.

Aposta brasileira

“A adesão dos Países Baixos ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) representa mais um importante voto de confiança na iniciativa proposta originalmente pelo Brasil”, afirmou, em nota, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.

Capobianco lembrou também que, por décadas, o mundo reconheceu o papel das florestas tropicais para o clima e a biodiversidade, mas sem criar instrumentos financeiros à altura.

Segundo o ministro, o TFFF foi concebido para preencher essa lacuna, com recursos permanentes e previsíveis para quem preserva.

“Cada nova adesão fortalece essa construção coletiva e nos aproxima de uma mudança histórica de paradigma: fazer com que conservar as florestas seja mais vantajoso do que destruí-las”, completou.

Como funciona

O TFFF opera como um fundo patrimonial. Para explicar de forma simples: o rendimento líquido das aplicações paga, todo ano, os países que mantêm sua cobertura florestal, depois de verificação por satélite.

A remuneração indicativa é de cerca de US$ 4 por hectare, e parte dela segue diretamente para povos indígenas e comunidades locais.

O objetivo final é reunir US$ 125 bilhões, dos quais US$ 100 bilhões viriam do setor privado. Se atingir esse valor, o TFFF poderá proteger de 800 milhões a 900 milhões de hectares, segundo estimativa citada pelo governo holandês.

A área equivale a cerca de 200 vezes o território dos Países Baixos.

Corrida contra o calendário

Do prazo de dezembro depende o maior aporte já prometido ao fundo.

A Noruega, copresidente do TFFF ao lado do Brasil, anunciou cerca de US$ 3 bilhões em Belém, mas só libera os recursos se o mecanismo atingir US$ 10 bilhões até o encerramento de 2026.

Além de Brasil, Noruega e Holanda, já anunciaram contribuições Indonésia, Alemanha, França, Luxemburgo e Reino Unido.

Londres formalizou 400 milhões de libras (cerca de US$ 540 milhões) em setembro, durante a Semana do Clima de Nova York, o que levou o total a US$ 7,3 bilhões naquela ocasião.

A expectativa é que outros países e filantropias usem a conferência na Turquia para revelar novos compromissos.

Para o diretor-executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, o calendário amplia o peso da decisão. “O anúncio do investimento da Holanda no TFFF ganha especial relevância por acontecer enquanto a comunidade internacional está reunida na COP17 da Biodiversidade, na Armênia”, afirmou.

Voivodic destacou que a agenda é estratégica para o Brasil, já que a influência da Amazônia sobre o clima, a biodiversidade e os ciclos da água ultrapassa as fronteiras do país. Mas fez uma ressalva.

“O compromisso da Holanda é um passo importante, mas precisamos que mais países e investidores se juntem a essa iniciativa para torná-la uma solução duradoura, à altura do desafio ambiental que enfrentamos”, completou.

Acompanhe tudo sobre:FlorestasClimaMinistério do Meio AmbienteCOP31

Mais de ESG

EXAME reúne especialistas para debater impactos da longevidade nos negócios e na sociedade

Quando outubro acabar: como garantir o combate ao câncer de mama em todo o ano

Com alerta para El Niño, SP amplia ações contra enchentes e secas com R$ 1,19 bilhão

Sem indústria, não há bioeconomia: o papel do setor na COP17