ESG

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Redes do Amanhã: Brasil pode reduzir pegada global de carbono de data centers

EPE estima potencial de 25 GW para centros de dados, enquanto setor energético avalia governança, investimento em tecnologia e rapidez em investimentos como desafios

Evento da EXAME e PSR reuniu especialistas, executivos e autoridades para debater o futuro do setor elétrico (Augusto Costa )

Evento da EXAME e PSR reuniu especialistas, executivos e autoridades para debater o futuro do setor elétrico (Augusto Costa )

Nivaldo Souza
Nivaldo Souza

Jornalista

Publicado em 1 de maio de 2026 às 06h00.

Última atualização em 7 de maio de 2026 às 15h38.

Priorizar nos meus resultados Google

A instalação no Brasil de centros de processamento de dados, os chamados data centers, deve exigir a ampliação da infraestrutura de energia para assegurar o consumo estimado em 25 Gigawatts (GW) até 2035, de acordo com a EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

O consumo, devido a matriz energética do Brasil ser composta por 90% de fontes renováveis, pode compensar as emissões de carbono realizadas por países como os Estados Unidos, líder em data centers. A combinação de fatores foi debatida no fórum “Redes do Amanhã”, realizado em Brasília pela EXAME e PSR.

Estudo da ABDC (Associação Brasileira de Data Center) aponta que o Brasil reduz anualmente a pegada de carbono em pelo menos 7 vezes a cada megawatt consumido por data center, em comparação com o mesmo consumo nos EUA.

Angela Gomes, diretora técnica da PSR, avaliou que o Brasil tem potencial para atender a novas demandas de energia com sustentabilidade.

“Temos redes de transmissão interligando o país inteiro, a distribuição que chega a 99% da população e as energias renováveis, que têm presença de 90% [da matriz], e são as mais competitivas. Podemos expandir e manter essa renovabilidade”, afirmou.

O Superintendente de Transmissão de Energia da EPE, Thiago Dourado Martins, reportou estudos realizados pela estatal para mensurar o potencial de demanda energética.

"Os data centers são um grande vetor para a expansão de grandes cargas no sistema e também entram em operação em intervalos de tempo curtos. Em resposta a isso, a EPE vem fazendo estudos de perspectiva de transmissão para realizar sua integração", disse.

A estimativa foi apresentada no painel “Perspectivas regulatórias e de investimentos para a transmissão de energia”, que reuniu especialistas para discutir governança regulatória, investimento em tecnologia e rapidez na execução de projetos como principais desafios.

Investimento e oferta

O avanço dos centros de processamento de dados, contudo, depende da aprovação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). O novo marco legal tramita no Congresso no projeto de lei 278/2026. Mas ainda não avançou no Senado, apesar de ter sido aprovado na Câmara em fevereiro.

A proposta empacou devido ao embate político entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o Palácio do Planalto sobre o tema. Mas há expectativa de acordo político.

O relator do marco regulatório da inteligência artificial (PL 2338/2023), deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), negocia com Alcolumbre a inclusão do Redata no texto sobre IA, cujo relatório pretende apresentar em 19 de maio para votação no plenário da Câmara no dia 27.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estima em R$ 1 trilhão os investimentos em datacenters no país ao longo de uma década. A pasta não divulgou o potencial de consumo de energia.

De acordo com Amanda Fernandes, Head na área de Redes da PSR, os data centers representam um desafio para a modernização das redes de transmissão no Brasil.

"Hoje, 2% da carga de energia é de data centers e deve chegar a 10% nos próximos anos", indicou.

Martins indicou o estado de São Paulo como o mais qualificado em infraestrutura para absorver investimentos.

A EPE já realizou quatro estudos sobre a capacidade paulista e identificou 9 GW do estado do Sudeste como potencial para fornecimento - outros dois levantamentos estão em andamento. Outros estudos indicaram 4 GW de potencial no Nordeste e 5 GW no Sul.

Nova fábrica

A perspectiva do mercado de data centers movimenta o setor de infraestrutura de bateria para armazenamento de energia, transformadores e outros periféricos.

É o caso da Hitachi, empresa japonesa dedicada ao desenvolvimento de tecnologia para energia. A companhia está com a fábrica de transformadores de Guarulhos (SP) com capacidade ocupada.

"É a maior fábrica em entrega e faturamento da Hitachi no mundo", disse o presidente da Hitachi Energy no Brasil e Head of South LATAM, Glauco Freitas.

De acordo com o executivo, a companhia investe R$ 270 milhões em uma nova unidade em Pindamonhangaba (SP) para ampliar a capacidade de produção em 120%, visando atender a demanda futura dos centros de dados de empresas como Google, Meta e NVidia.

“O volume de compras que esse pessoal tem para fazer é gigantesco, algo nunca antes visto", disse.

Carlos Adolfo Pereira, Coordenador do Comitê de Transmissão da ABDI (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), ponderou sobre a necessidade de o país manter a estrutura de governança representada pela Aneel e a EPE para garantir a expansão do ritmo atual de investimentos na interligação do sistema pelas linhas de transmissão.

"O Brasil hoje é um canteiro de obras de transmissão", ressaltou.

Pereira indicou que novos contratos devem partir da manutenção da segurança regulatória e da confiabilidade para o investidor. "Vamos ter de construir uma nova distribuição, além dessa que está aí. O que vem nos próximos 30 anos é investir em tecnologia", concluiu.

Acompanhe tudo sobre:ESGSustentabilidadeMudanças climáticasClimaData centerInteligência artificial

Mais de ESG

Comgás cria novo modelo regulado para venda direta de biometano em São Paulo

Empresas pedem que Brasil acelere agenda de adaptação diante dos riscos do El Niño

Acordo entre consultoria brasileira e Banco Mundial mira financiamento de baterias na América Latina