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Protesto fecha entrada oficial da COP30 nesta sexta-feira

Manifestação pacífica exige reunião com Lula e cancelamento de projetos de infraestrutura na bacia do Tapajós; André Corrêa do Lago se reúne com lideranças.

Protesto pacífico bloqueia acesso de delegações à COP30. Embaixador André Corrêa do Lago caminha com indígenas até prédio para reunião. (Ediago Quincó/Exame)

Protesto pacífico bloqueia acesso de delegações à COP30. Embaixador André Corrêa do Lago caminha com indígenas até prédio para reunião. (Ediago Quincó/Exame)

Publicado em 14 de novembro de 2025 às 09h52.

Última atualização em 14 de novembro de 2025 às 10h05.

Belém - Desde as primeiras horas desta sexta-feira, 14, um grupo formado por indígenas da etnia Munduruku fecha a entrada da Blue Zone, área que sedia as negociações da COP30, em um protesto. Apesar de pacífico, o protesto bloqueia a entrada das delegações, voluntários e funcionários da COP30 e da imprensa.

De acordo com informações da Amazon Watch, que acompanha o movimento dos indígenas Munduruku, o grupo exige uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O objetivo é interromper a exploração da bacia do Tapajós e Xingu por projetos de infraestrutura, como a ferrovia Ferrogrão.

Por volta de 9h30, André Corrêa do Lago, presidente da COP30 chegou ao Parque da Cidade e caminhou entre os manifestantes, entrando pela portaria principal de acesso à Blue Zone, mas não deu declarações.

O embaixador se dirigiu do centro do protesto com as lideranças para um local fora da Blue Zone. Na caminhada, ele acompanhou pacificamente junto aos indígenas e rodeado de jornalistas. Quando chegou no prédio, apenas os manifestantes e o presidente da COP30 entraram.

Presidente da COP30, André Corrêa do Lago chega ao Parque da Cidade e caminha entre os manifestantes, entrando pela portaria principal de acesso à Blue Zone. (Ediago Quincó/Exame)

Na noite de quinta-feira, Corrêa do Lago foi questionado sobre as consequências da manifestação de terça-feira e uma carta que teria sido enviada pela ONU ao presidente Lula, cobrando medidas de segurança e também resoluções para questões de infraestrutura.

Assim como outros membros da gestão brasileira da conferência, o diplomata minimizou o tema. Segundo ele, "os problemas com segurança foram completamente sanados. Sobre segurança, todas as questões foram garantidas e resolvidas, ar-condicionado foi resolvido, problemas técnicos estão sendo solucionados", afirmou em coletiva para imprensa.

Uma entrada lateral foi aberta para garantir que o acesso ao evento não seja bloqueado, de acordo com comunicado oficial da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. A nota afirma que não há perigo, mas "use a entrada lateral da COP se você estiver com um crachá válido".

Após a chegada de Corrêa do Lago e a entrada com o grupo manifestante para uma reunião privativa, um comunicado oficial da Convenção Quadro-Clima da ONU (UNFCCC) anunciou que a portaria principal foi aberta por volta da 9h55.

Desde o começo oficial da conferência em 10 de novembro, esta é a segunda manifestação que bloqueia o acesso à Blue Zone. Na noite da terça-feira, 11, um grupo de manifestantes tentou invadir a área restrita, causando tumulto próximo à área de credenciamento das delegações.

Reivindicações do movimento

Em nota à imprensa, o Movimento Munduruku Ipereg Ayu detalhou as principais reivindicações do protesto.

O grupo exige a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que instituiu o Plano Nacional de Hidrovias e incluiu o Tapajós, o Madeira e o Tocantins como eixos prioritários para navegação de cargas.

Para os Munduruku, o decreto "abre a porteira" para novas dragagens, derrocamento de pedrais sagrados e expansão acelerada de portos privados.

"Esse decreto ameaça exterminar nosso modo de vida, porque transforma o rio em estrada de soja. Presidente Lula, o senhor precisa ouvir o nosso povo antes de decidir sobre nosso futuro", afirma liderança do Movimento Ipereg Ayu na nota.

Os indígenas também cobram o cancelamento definitivo da Ferrogrão (EF-170), ferrovia planejada para transportar soja desde Sinop (MT) até Miritituba (PA). Segundo estudos do Ministério dos Transportes, a ferrovia pode multiplicar por seis o volume de grãos enviados pelo rio Tapajós até 2049.

O movimento denuncia ainda projetos de crédito de carbono e mecanismos de REDD+ jurisdicional discutidos no âmbito da COP30.

Para os Munduruku, tais iniciativas representam formas de "venda da floresta" que retiram autonomia dos povos e não enfrentam a raiz dos problemas climáticos.

"Presidente Lula, estamos aqui na frente da COP porque queremos que o senhor nos escute. Não aceitamos ser sacrificados para o agronegócio. Revogue o Decreto 12.600. Cancele a Ferrogrão. Demarque nossas terras. Fora crédito de carbono. Nossa floresta não está à venda", finaliza o documento.

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