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Em plena transição energética, CEOs de energia lideram sob pressão do curto prazo

Estudo da PwC aponta que setor brasileiro avança mais rápido que a média global na integração do clima ao negócio, mas ainda enfrenta desafios para planejar uma visão de futuro

A matriz energética brasileira é composta por composta por cerca de 50% de fontes renováveis, como a eólica e solar

A matriz energética brasileira é composta por composta por cerca de 50% de fontes renováveis, como a eólica e solar

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 14h00.

Última atualização em 26 de fevereiro de 2026 às 16h38.

Resultados financeiros, instabilidade econômica, riscos regulatórios e gestão de crises operacionais dominam a agenda dos CEOs de energia no Brasil.

Em um setor pressionado por volatilidade e incertezas, a maior parte do tempo das lideranças é consumida por demandas imediatas. É o que revela a nova edição da Global CEO Survey, da PwC, divulgada nesta quarta-feira: 56% do tempo dos CEOs é dedicado a temas com horizonte inferior a um ano, enquanto apenas 11% vai para estratégias de longo prazo. O levantamento ouviu 4.400 executivos em 95 países, incluindo o Brasil.

Ao mesmo tempo, essas grandes companhias precisam avançar em uma das maiores transformações para uma economia de baixo carbono: a transição energética, que exige planejamento de longo prazo, investimentos bilionários e decisões estratégicas visando inspirar todo setor. Para 2026, o desafio é transformar as soluções em infraestrutura, indústria e escala real. 

“Em um cenário marcado por instabilidade e pressão por tecnologias limpas, é inviável avançar em todas as frentes. A construção de valor exige priorização clara”, afirma Daniel Martins, sócio e líder do setor de energia e serviços de utilidade pública da PwC Brasil.

Para destravar a inovação, o maior gargalo apontado pelos executivos é justamente a gestão do tempo. O movimento caracterizado como “Pressão do curto prazo” reduz drasticamente o espaço para estratégias mais profundas, alerta a consultoria.

Brasil avança mais rápido e compete em novos mercados

Apesar das amarras impostas pelo curto prazo, a pesquisa também revela que o setor vive um ciclo ativo de reinvenção e o Brasil se consolida como líder da transição energética. 

Metade dos CEOs brasileiros de energia afirma já competir em novos mercados, como hidrogênio verde, biocombustíveis avançados, mobilidade elétrica e soluções digitais para eficiência energética.

Segundo a PwC, o movimento é impulsionado principalmente pela convergência entre tecnologia já existentes e sustentabilidade.

A diversificação reflete a busca por novas fontes de receita, maior eficiência operacional e posicionamento estratégico diante das mudanças no perfil da demanda, com avanço em áreas como geração renovável, digitalização, serviços energéticos e novas infraestruturas.

Para o especialista da PwC, estamos em um momento de tensão geopolítica e de riscos crescentes que exigem um planejamento das "demandas atuais e os investimentos que definirão o futuro energético".

Clima entra no negócio, mas ainda com alcance limitado

A incorporação dos riscos e oportunidades climáticas às decisões estratégicas começa a avançar, mas ainda ocorre de forma concentrada.

Segundo a pesquisa, 37% das empresas de energia no Brasil já têm processos definidos para considerar fatores climáticos no desenvolvimento e no design de produtos,  índice superior às médias brasileira (25%) e global (24%).

O resultado sugere que a agenda climática começa a influenciar diretamente decisões relacionadas à oferta, às tecnologias e às soluções do setor.

Ainda assim, essa integração permanece restrita a algumas frentes. Apenas 27% das companhias consideram o clima em processos de fusões e aquisições (M&A) e na cadeia de suprimentos, o revela um potencial para amadurecimento.

À EXAME, Daniel Martins disse que o setor está apenas no início dessa jornada. "As empresas reconhecem os riscos climáticos e os impactos da crise em suas operações, seja do ponto de vista da adaptação ou na criação de novos modelos de negócio e produtos. Mas ainda há muito caminho a trilhar", garante.

Segundo o executivo, quando se observa a operação do setor elétrico, o efeito de eventos extremos é sentido especialmente na rede de distribuição. 

Para responder a esses desafios, será necessário investir fortemente em antecipação de cenários, definição de uma governança mais ágil para gestão de crises e maior uso de tecnologia. Além disso, a realidade imposta pelo clima exige uma maior coordenação entre os diferentes stakeholders, com integração entre empresas, reguladores e poder público.

A pesquisa também ressalta que o avanço nas exigências de reporte em sustentabilidade ampliou a base de dados das empresas e abriu uma "janela de oportunidade".

“Com decisões mais bem fundamentadas, as organizações podem evoluir de uma abordagem focada apenas na mitigação de riscos para uma estratégia orientada à criação de valor”, destaca Daniel.

Principais ameaças, segundo os CEOs

No curto prazo, o ambiente externo adiciona novas camadas de complexidade. A instabilidade macroeconômica é apontada como a principal ameaça ao setor nos próximos 12 meses por 33% dos CEOs, seguida pela disrupção tecnológica (27%) e pela escassez de talentos (23%).

Já as mudanças climáticas aparecem com peso superior às médias nacional e global, sendo citadas por 23% dos executivos.

Os riscos geopolíticos, conflitos e tarifas comerciais permanecem em segundo plano, enquanto temas ligados à segurança e ao uso responsável da inteligência artificial ainda ocupam espaço limitado nas preocupações das lideranças.

“Os CEOs precisam evitar o chamado ‘teatro da inovação’ e garantir que ela gere valor concreto. A integração consistente entre tecnologia, sustentabilidade e estratégia financeira é fundamental para transformar desafios estruturais em oportunidades reais de crescimento”, conclui o líder de energia da PwC.

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