Patrocínio:
Parceiro institucional:
Ao todo, 17.200 pessoas perderam a vida em desastres naturais no ano — número bem superior às 11 mil mortes de 2024 (JOSH EDELSON/AFP)
Repórter de ESG
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 06h00.
A conta dos desastres naturais em 2025 ficou salgada: US$ 224 bilhões em perdas globais, sendo US$ 108 bilhões cobertos por seguros.
O que chama atenção nos números divulgados pela resseguradora Munich Re não é apenas o volume, mas a mudança no perfil dos eventos que mais custaram ao longo do ano. Incêndios florestais, enchentes e tempestades severas — aqueles eventos que não aparecem nas manchetes como "grande furacão" ou "terremoto histórico" — foram os vilões, acumulando US$ 166 bilhões em prejuízos totais.
Esqueça a ideia de que só grandes catástrofes pontuais pesam no bolso das seguradoras. Os dados de 2025 mostram que eventos climáticos menores, porém recorrentes e espalhados, estão mudando o jogo.
Das perdas com esses riscos considerados "secundários", US$ 98 bilhões tinham cobertura de seguro — bem acima das médias históricas de 10 anos (US$ 60 bilhões) e 30 anos (US$ 33 bilhões), ambas ajustadas pela inflação.
"Precisamos olhar para isso com realismo: a adaptação a esses riscos deixou de ser opcional", diz Thomas Blunck, do conselho da Munich Re. Ele lembra que os Estados Unidos tiveram sorte em 2025 — já que por pouco, nenhum furacão atingiu o país diretamente. "Mas isso não impediu que as perdas fossem altíssimas, especialmente por conta dos incêndios em Los Angeles."
Janeiro mal tinha começado e a Califórnia já enfrentava o pior. Os incêndios florestais que varreram Los Angeles se tornaram o desastre natural mais caro de 2025 — e o incêndio mais custoso já documentado. Seca prolongada, ventos intensos de inverno e uma sequência de faíscas transformaram a região em um inferno que custou US$ 53 bilhões, com US$ 40 bilhões segurados. Trinta pessoas não sobreviveram.
Enquanto os furacões passaram longe do território americano continental, mais de 100 tornados rasgaram o centro e o sul dos Estados Unidos em março. Alguns alcançaram a categoria EF4, com ventos superiores a 200 km/h. O estrago: US$ 9,4 bilhões em perdas, sendo US$ 7 bilhões segurados.
Somando todas as tempestades severas do ano — aquelas com tornados, granizo e chuvas torrenciais — os Estados Unidos contabilizaram US$ 56 bilhões em danos, dos quais US$ 42 bilhões cobertos por apólices. É bem mais que a média da última década.
Se os americanos respiraram aliviados com a ausência de furacões em seu território, o mesmo não aconteceu no Caribe. O furacão Melissa, categoria 5, trouxe ventos de quase 300 km/h e destruição maciça à Jamaica. Cuba também sofreu impacto pesado. Cem vidas perdidas, US$ 9,8 bilhões em prejuízos totais — apenas US$ 3 bilhões segurados.
A formação de três furacões categoria 5 no Atlântico Norte em 2025 não acontecia desde 2005, ano do Katrina. A diferença é que condições meteorológicas atípicas — como uma zona de alta pressão posicionada mais a leste — desviaram as tempestades para longe dos Estados Unidos.
Do outro lado do mundo, Myanmar sofreu um terremoto de magnitude 7,7 que matou cerca de 4.500 pessoas. As perdas econômicas chegaram a US$ 12 bilhões, mas quase nada estava segurado. O tremor atingiu a região da megacidade de Mandalay, ao longo da Falha de Sagaing. Até Bangkok, a mil quilômetros de distância, registrou danos — o solo aluvial profundo da capital tailandesa amplificou os efeitos sísmicos.
A Ásia-Pacífico acumulou US$ 73 bilhões em perdas, acima da média de 10 anos (US$ 66 bilhões), mas apenas US$ 9 bilhões estavam segurados — reflexo da baixa penetração de seguros na região.
Ciclones seguiram rotas mais ao sul que o normal, poupando o Japão mas castigando Tailândia, Vietnã, Indonésia, Filipinas e China. O ciclone Ditwah devastou Sri Lanka e Índia com chuvas torrenciais que provocaram enchentes e deslizamentos. Resultado: US$ 4 bilhões em perdas e 650 mortos.
Mais ao sul, o ciclone Senyar fez história ao se formar no Estreito de Malaca, entre Malásia e Sumatra — região onde ciclones tropicais simplesmente não costumam nascer por estar próxima à linha do Equador. Mais de mil pessoas morreram nas enchentes que se seguiram.
Tobias Grimm, climatologista-chefe da Munich Re, não tem dúvidas: "Um mundo mais quente multiplica as chances de eventos climáticos extremos. Com 2025 figurando novamente entre os anos mais quentes, e os últimos 12 anos no topo do ranking histórico, os alertas continuam acesos."
Ao todo, 17.200 pessoas perderam a vida em desastres naturais no ano — número bem superior às 11 mil mortes de 2024, embora ainda abaixo das médias de 10 anos (17.800) e 30 anos (41.900).
Um dado positivo: metade das perdas estava segurada, índice melhor que a média de 60% dos últimos 10 anos. Mas isso se deve principalmente ao peso dos incêndios de Los Angeles no total. Tirando esse evento específico, a "lacuna de proteção" segue no mesmo patamar histórico.