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Crises geopolíticas: principal ameaça para setor pode redefinir prioridades e alocar capital em segurança energética, defesa e guerras comerciais (Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 16h00.
A emissão de títulos sustentáveis em 2026 deve atingir US$ 900 bilhões em 2026, puxado pela necessidade de projetos de mitigação e adaptação climática. A informação é de um relatório da Moody's, financeira especializada nas avaliações de crédito.
A expectativa é que o fôlego para o mercado de projetos sustentáveis ao longo do ano será o mesmo de 2025. A estabilidade não é vista como um ponto negativo: a destinação de quase US$ 1 trilhão por ano para a agenda é sinal de consolidação.
Cerca de US$ 530 bilhões de títulos verdes ainda são direcionados para a mitigação climática, como a redução de emissões, projetos de energia renovável e eficiência energética, que concentram a maior parcela das dívidas ligadas a algum critério sustentável.
O restante do valor que deve ser utilizado ao longo deste ano envolve títulos de sustentabilidade, em US$ 190 bilhões; títulos sociais, com US$ 115 bilhões; títulos de transição, com US$ 40 bilhões; e títulos vinculados à sustentabilidade, com US$ 25 bilhões.
Neste ano, a grande novidade é a alta em investimentos em resiliência. Conforme os eventos climáticos extremos atingem patamares mais altos todos os anos, a emissão de títulos deve crescer nas áreas de infraestruturas e obras, com foco em apoiar a tornar as cidades mais resistentes.
O relatório aponta que a necessidade de refinanciamento, uma vez que cerca de US$ 520 bilhões em instrumentos financeiros rotulados conta com vencimento para 2026, contra os US$ 425 bilhões em 2025.
Outra forte oportunidade é o desenvolvimento de uma infraestrutura digital que suporte as novas inteligências artificiais e a computação em nuvem, abrindo novos horizontes para as dívidas sustentáveis. A Moody's espera que os títulos avancem em 2026 para incluir o desenvolvimento de data centers focados em eficiência energética e hídrica.
Os chamados títulos azuis, que são projetos relacionados ao litoral, oceano e corpos-d'água, também podem ganhar maior tração neste ano, especialmente após entrar em vigor o Tratado Global dos Oceanos, que levou duas décadas de negociações e, enfim, entrou em operação no último sábado, 17.
A projeção de US$ 900 bilhões em emissões de títulos sustentáveis para este ano se apoia em quatro tendências principais que moldam o mercado global de dívida verde. São elas:
A emissão de títulos sustentáveis na América Latina deve viver uma recuperação moderada neste ano, após um desempenho fraco em 2025. No último ano, a região concentrou apenas 3% do volume operacionalizado em todo o mundo, totalizando US$ 23 bilhões. O recorde na região foi em 2023, com volume de US$ 56 bilhões.
Segundo a pesquisa, a oportunidade para a região está, justamente, na maior exposição aos riscos climáticos que a América Latina enfrenta. A forte presença de bancos públicos e organizações de desenvolvimento nos países latinos também é um forte apoio para os títulos sustentáveis, segundo a Moody's.
A Europa, líder em títulos ESG, seguirá na liderança que tem sido preservada desde 2017. A região contava com 47% do volume total de emissões no último ano, um total de US$ 379 bilhões. A expectativa é de crescimento com o Regulamento de Títulos Verdes Europeus neste ano.
Novas taxonomias financeiras sustentáveis devem apoiar o desenvolvimento dos títulos na Ásia, segundo principal mercado.
Na América do Norte, as opiniões políticas de Donald Trump contra a sustentabilidade podem ser responsáveis por atrasar, ainda mais, o cenário nos Estados Unidos.No Oriente Médio e África, regiões que ainda não atraem a maior parcela de ativos sustentáveis, podem conquistar mais holofotes para títulos ESG a partir das energias limpas. No último ano, a Arábia Saudita anunciou quase US$ 9 bilhões no financiamento de parques eólicos e solares.
Um fator de preocupação, no entanto, são as crises geopolíticas e a alteração no que é tomado como prioridade por distintos governos.
Segundo o relatório, a sustentabilidade pode decair no critério quando comparado com temas como segurança energética, defesa e guerras comerciais.
Exemplos são as tarifas impostas pelo presidente americano, Donald Trump, além das guerras entre Ucrânia e Rússia, Israel e Palestina, e dos conflitos no Irã, Líbano e Venezuela.