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Orla Total Pass integra esporte, gastronomia, entretenimento e sustentabilidade (Divulgação )
Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 14h13.
Quem passa pelo Parque Villa-Lobos, em São Paulo, agora vê um cenário diferente no espaço onde antes funcionava uma quadra de futebol: um espaço que imita a praia — sem mar, mas com areia de verdade. O novo complexo funciona como um 'oásis urbano', ou refúgio natural em meio ao concreto e ritmo acelerado da cidade.
O projeto, fruto de um investimento de R$ 20 milhões, é uma parceria entre a Orla Brasil e a Total Pass, empresa de benefícios corporativos, e nasce com um propósito ambicioso: oferecer uma experiência gratuita e democrática que integra esporte, gastronomia e entretenimento, tendo a sustentabilidade como eixo central.
"Não é um pilar isolado e nem restrito à agenda ambiental, orienta todas as decisões do negócio: do projeto arquitetônico à operação diária, passando pelo impacto social, pela governança e pela forma como o espaço se integra à cidade”, diz Cláudio Guarcello, diretor executivo da Orla TotalPass, em entrevista à EXAME.
À primeira vista, a iniciativa pode parecer uma jogada arriscada para um negócio que construiu sua trajetória no ambiente digital. Mas, para Felipe Calbucci, CEO da TotalPass, e para a Orla Brasil, gestora do projeto, a conta fecha — desde que a sustentabilidade deixe de ser discurso e se transforme em vantagem competitiva.
“Quando você cria experiências que melhoram a vida das pessoas e qualificam o espaço urbano, isso gera valor econômico, reputacional e social ao mesmo tempo”, afirma Calbucci.

O investimento pesado em um espaço presencial, gratuito e com foco explícito em ESG revela uma aposta estratégica: usar bem-estar, cidade e impacto socioambiental como vetores de expansão da marca.
Um dos diferenciais da Orla TotalPass é a conquista da primeira certificação Sustainable Site da América Latina, considerada o equivalente ao "LEED para edifícios", mas voltada a boas práticas em áreas públicas como parques, praças e outros empreendimentos urbanos e de paisagismo.
"Nosso ponto de partida já é um dos mais altos do setor. Toda a obra e todos materiais são certificados", diz Guarcello.
O complexo de 12 mil metros quadrados incluiu o plantio de 170 árvores nativas e área verde permeabilizada. Os executivos garantem que não houve nenhum desmatamento. Ao contrário: o foco foi na revitalização ambiental.
Enquanto uma quadra esportiva impermeabiliza o solo e contribui para a formação de ilhas de calor, a nova orla aumenta a permeabilidade, reforça a cobertura arbórea do parque e cria um microclima mais ameno.
O calçadão de pedra portuguesa desenhado pela artista plástica paulista Marcella Raíssa também chama a atenção e remete à praia de Copacabana, no Rio.
A operação também conta com cinco restaurantes, sete quiosques, cinco quadras de areia, área kids com piso emborrachado, praça de águas com chafarizes e uma arena central de 3 mil metros quadrados onde acontecem aulas gratuitas pela manhã e apresentações musicais e DJs no fim de tarde.
Na entrada do parque, uma estrutura cinza de metal chama a atenção e é o centro desta estratégia: um galpão de triagem e pesagem onde 100% dos resíduos gerados pelos restaurantes e quiosques do complexo serão medidos, categorizados e transformados em dados públicos de impacto acessíveis a qualquer visitante.
Para o diretor da Orla TotalPass, a gestão dos resíduos não é um complemento, mas o coração da operação do projeto. Enquanto orgânicos serão transformados em adubo por meio de compostagem no local, vidros e outros materiais serão destinados para a reciclagem e cooperativas parceiras.
A ideia é comunicar com transparência e ajudar os outros empreendimentos presentes no espaço a também melhorarem suas ações e tornarem suas operações mais sustentáveis. Cada restaurante receberá relatórios semanais com o peso exato de seus descartes por categoria, permitindo ajustes operacionais que reduzem desperdício e, consequentemente, os custos.
"O diferencial é informar, mostrar e educar, convidando as pessoas e os negócios a participar desse impacto. O foco é na conscientização, para que levem isso para casa", diz Guarcello.
Os dados não ficarão restritos aos parceiros. A partir de março, quando o parque deixa de operar em soft opening, painéis públicos mostrarão as métricas aos visitantes: quantos quilos de orgânicos foram compostados, quanto de vidro foi reciclado, e quanto adubo foi produzido e destinado às árvores.
A Orla TotalPass também integra um grupo de sustentabilidade europeu, o que permite importar soluções verdes já testadas internacionalmente.
Entre as tecnologias que estão sendo avaliadas para implementação estão o reaproveitamento de borra de café para fabricação de copos reutilizáveis e sistemas automatizados de gestão hídrica. "Temos o compromisso de trazer para o Brasil o que está funcionando lá fora", conta o executivo.
Se a gestão de resíduos é o coração operacional do projeto, a educação ambiental é a estratégia de longo prazo para transformar visitantes em "agentes de mudança".
Na área pública, ativações permanentes ensinarão crianças e famílias a replicar práticas sustentáveis em casa.
A programação cultural também conta com feiras temáticas, workshops de economia circular, encontros com produtores locais e debates sobre pegada de carbono e combate às mudanças climáticas.
Para o CEO da TotalPass, a dimensão educativa é o que transforma o espaço em materialização física do propósito da empresa. "É sobre a humanidade vivendo mais e melhor. Até hoje, o contato com a TotalPass era 100% digital. A Orla é a forma de transcender e elevar para o próximo passo de marca, entrando no universo da experiência."
A tecnologia também é uma aposta para garantir o acesso da população. A orla oferece Wi-Fi 6e, uma das mais avançadas disponível comercialmente na América Latina, em parceria com a Extreme Networks.
Segundo o diretor do espaço, o objetivo é que a infraestrutura de qualidade incentive o trabalho remoto no espaço verde, reduzindo deslocamentos, e consequentemente, as emissões.
"Por que em vez de você trabalhar em casa, você não vem aqui e faz uma atividade esportiva de manhã, toma banho e trabalha daqui conectado com a natureza?", provoca.
Todo o perímetro conta com câmeras de segurança com reconhecimento facial conectadas ao sistema Smart Sampa da prefeitura, além do controle de capacidade de público. Simultaneamente, a licença permite até 5 mil pessoas no espaço.
Por ora, o que existe de concreto no Villa-Lobos é um espaço verde, que promete transformar lixo em dado público e que mira operações mais sustentáveis de menor impacto. Caso o projeto avance como planejado, a Orla TotalPass pretende se posicionar como um modelo de como áreas públicas podem transformar a agenda ambiental em uma operação mensurável, transparente e replicável.
Os executivos afirmam que avaliam possibilidades de expansão, mas ainda não há definições sobre novos espaços. “Estamos olhando para outros lugares. Já entendemos que este negócio tem tudo a ver com a nossa marca", diz Calbucci. Miramos expandir”, complementa Guarcello.