Uma onda de calor com temperaturas pelo menos 5°C acima da média histórica por cinco dias consecutivos atinge o Sul do Brasil nesta semana, com máximas que podem chegar a 42°C em algumas regiões.
O evento extremo é provocado por um sistema frontal praticamente estacionado sobre a região Sudeste, sem contraste térmico suficiente para se deslocar.
A explicação é do meteorologista Willians Bini, head de Projetos na METOS Brasil, que detalha o fenômeno climático por trás das temperaturas extremas previstas para os próximos dias.
"Os sistemas são comuns, o que não é normal é ficar parado dias seguidos. A alta nos termômetros irá seguir até que outro atue e podemos esperar temperaturas beirando na casa dos 40ºC", disse Willians em entrevista à EXAME.
Diante do cenário agravado pelas mudanças climáticas, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho (o mais grave da escala) para 511 municípios da região Sul a partir desta terça-feira, 3, e até sexta-feira, 6.
Mais de 6,5 milhões de pessoas devem ser afetadas pelas altas temperaturas, segundo dados do IBGE. As principais áreas atingidas incluem as regiões oeste e norte de Santa Catarina; sudoeste, noroeste, nordeste e centro do Rio Grande do Sul; e as regiões sudoeste, centro e sudeste do Paraná.
++ Leia mais: Ondas de calor: quais cuidados tomar, segundo órgãos oficiais de saúde
As capitais Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba, assim como o litoral dos três estados, não devem ser afetadas pela onda de calor.
Para outras partes do país, o Inmet prevê que as temperaturas devem ficar acima da média em grande parte do território nacional ao longo de fevereiro.
Reflexo das mudanças climáticas
O meteorologista chama a atenção para o cuidado ao classificar a onda de calor em curso e ressalta que não se trata de uma Zona de Convergência (ZCAS - Zona de Convergência do Atlântico Sul): sistema meteorológico que forma uma "faixa" ou "corredor" de nuvens e chuvas que vai desde a Amazônia, passa pelo Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, e se estende até o Atlântico Sul.
"Muitos confundem e pensam que é a ZCAS que leva ao estacionamento do sistema frontal. Mas é preciso cautela: essa zona tem características como a duração de sete dias, outros sistemas atuando em conjunto, alta pressão. Ou seja, não se caracteriza neste caso", explicou.
O especialista também alerta que o evento [grifar]não tem relação direta com El Niño ou La Niña e lembra que temperaturas elevadas são mais comuns durante o verão.
O que chama atenção, no entanto, é a intensidade e a persistência do calor, características cada vez mais frequentes em um cenário de mudanças climáticas.
Autoridades de saúde reforçam a importância da hidratação constante, mesmo sem sede, da redução da exposição ao sol, especialmente entre 10h e 16h, e da permanência em ambientes ventilados ou climatizados.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas exigem atenção redobrada, já que o calor extremo aumenta o risco de desidratação, exaustão térmica e insolação.
Chuvas fortes em São Paulo
Enquanto o Sul enfrenta temperaturas extremas, São Paulo deve registrar chuvas fortes com nesta terça-feira, 3, principalmente no oeste paulista, próximo à divisa com o Paraná.
A Defesa Civil do Estado divulgou alerta para risco de precipitações acompanhadas por raios, rajadas de vento e possibilidade de queda de granizo em diversas regiões.
Previsões meteorológicas indicam forte precipitação nas regiões do Vale do Ribeira, Itapeva, Sorocaba e Bauru. O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) afirmou que manterá plantão 24 horas durante o período e o Gabinete de Crise funcionará em formato remoto, com todas as concessionárias mobilizadas.
Em casos de emergência relacionados às condições meteorológicas extremas, a Defesa Civil pode ser contatada pelo telefone 199.
-
1/17
Imagem aérea de sobrevoo do presidente Lula em Canoas (RS)
(Imagem aérea de sobrevoo do presidente Lula em Canoas (RS))
-
2/17
Homens movem pacotes em um barco através de uma rua inundada no centro histórico de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em 14 de maio de 2024. Crédito: Anselmo Cunha / AFP)
(Homens movem pacotes em um barco através de uma rua inundada no centro histórico de Porto Alegre)
-
3/17
Vista das áreas inundadas ao redor do estádio Arena do Grêmio em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, tirada em 29 de maio de 2024. A água e a lama tornaram os estádios e sedes do Grêmio e Internacional inoperáveis. Sem locais para treinar ou jogar futebol, os clubes brasileiros tornaram-se equipes itinerantes para evitar as enchentes que devastaram o sul do Brasil. (Foto de SILVIO AVILA / AFP)
(Vista das áreas inundadas ao redor do estádio Arena do Grêmio em Porto Alegre)
-
4/17
Vista aérea do centro de treinamento do Internacional ao lado do estádio Beira Rio em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, tirada em 29 de maio de 2024. Foto de SILVIO AVILA / AFP
(Vista aérea do centro de treinamento do Internacional ao lado do estádio Beira Rio em Porto Alegre)
-
5/17
Pessoas atravessam uma ponte flutuante para pedestres sobre o rio Forqueta, entre os municípios de Lajeado e Arroio do Meio, no Rio Grande do Sul, Brasil, em 21 de maio de 2024. O Rio Grande do Sul experimentou um desastre climático severo, destruindo pelo menos seis pontes e causando interrupções generalizadas no transporte. O exército respondeu construindo pontes flutuantes para pedestres, uma solução temporária e precária para permitir que a infantaria atravesse rios durante conflitos. (Foto de Nelson ALMEIDA / AFP)
(Pessoas atravessam uma ponte flutuante para pedestres sobre o rio Forqueta)
-
6/17
Ana Emilia Faleiro usa um barco para transportar suprimentos em uma rua inundada em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, em 26 de maio de 2024. O estado sulista do Rio Grande do Sul está se recuperando de semanas de inundações sem precedentes que deixaram mais de 160 pessoas mortas, cerca de 100 desaparecidas e 90% de suas cidades inundadas, incluindo a capital do estado, Porto Alegre. (Foto de Anselmo Cunha / AFP)
(Ana Emilia Faleiro usa um barco para transportar suprimentos em uma rua inundada em Porto Alegre)
-
7/17
Um homem limpa sua casa atingida pela enchente no bairro Sarandi, um dos mais atingidos pelas fortes chuvas em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em 27 de maio de 2024. Cidades e áreas rurais no Rio Grande do Sul foram atingidas por semanas por um desastre climático sem precedentes de chuvas torrenciais e enchentes mortais. Mais de meio milhão de pessoas fugiram de suas casas, e as autoridades não conseguiram avaliar completamente a extensão dos danos. (Foto de Anselmo Cunha / AFP)
(Um homem limpa sua casa atingida pela enchente no bairro Sarandi)
-
8/17
Alcino Marks limpa corrimãos sujos de lama após a enchente no bairro Sarandi, um dos mais atingidos pelas fortes chuvas em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em 27 de maio de 2024. Esta é a segunda enchente histórica que Marks enfrenta aos 94 anos de idade. A primeira foi em 1941, quando ele morava no centro de Porto Alegre. Cidades e áreas rurais no Rio Grande do Sul foram atingidas por semanas por um desastre climático sem precedentes de chuvas torrenciais e enchentes mortais. Mais de meio milhão de pessoas fugiram de suas casas, e as autoridades não conseguiram avaliar completamente a extensão dos danos. (Foto de Anselmo Cunha / AFP)
(Alcino Marks limpa corrimãos sujos de lama após a enchente no bairro Sarandi)
-
9/17
(Um trabalhador usa uma mangueira de alta pressão para remover a lama acumulada pela enchente)
-
10/17
(Destruição no RS após chuvas e enchentes)
-
11/17
Vista da estátua de José e Anita Garibaldi na inundada Praça Garibaldi, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, tirada em 14 de maio de 2024. Foto de Anselmo Cunha / AFP
(Vista da estátua de José e Anita Garibaldi na inundada Praça Garibaldi)
-
12/17
Resgate de pessoas afetadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul, na Base Aérea de Santa Maria (RS).
(Resgate de pessoas afetadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul, na Base Aérea de Santa Maria)
-
13/17
Eduardo Leite: “Faremos de tudo para garantir que a reconstrução preserve nossas vocações”
(Eduardo Leite: “Faremos de tudo para garantir que a reconstrução preserve nossas vocações”)
-
14/17
Imagem aérea de sobrevoo do presidente Lula em Canoas (RS)
(Imagem aérea de sobrevoo do presidente Lula em Canoas (RS))
-
15/17
(Imagem aérea da destruição no Rio Grande do Sul - Força Aérea Brasileira/Reprodução)
-
16/17
Setor elétrico: Aneel propõe medidas para melhorar resposta a desastres causados pelas mudanças climáticas para melhorar resposta a desastres causados pelas mudanças climáticas.
(Vista aérea mostrando a estrada ERS-448 inundada em Canoas)
-
17/17
(Vista aérea mostrando a estrada ERS-448 inundada em Canoas, no estado do Rio Grande do Sul)