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Daniel Randon (Presidente e CEO da Randoncorp) e Noam Boussidan (Programme Head, First Movers Coalition, World Economic Forum) (Filipe Penko/Divulgação)
EXAME Solutions
Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 17h52.
Última atualização em 21 de janeiro de 2026 às 17h52.
A pequena cidade suíça de Davos voltou a concentrar um dos maiores centros de poder econômico do mundo. É ali que acontece o Fórum Econômico Mundial, encontro anual que reúne chefes de governo, executivos e investidores para discutir rumos da economia global.
Entre os temas recorrentes — clima, energia e tecnologia —, o Brasil busca ampliar sua voz, enquanto empresas nacionais disputam espaço para mostrar que a sustentabilidade deixou de ser promessa e passou a orientar decisões concretas.
É nesse ambiente que a Randoncorp participa novamente da Brazil House, espaço organizado pelo BTG Pactual em parceria com grupos como Vale, Gerdau e Be8. Pelo segundo ano consecutivo, a casa funciona como uma base brasileira em Davos, reunindo painéis e encontros fechados sobre infraestrutura, transição energética e inovação industrial.
Mais do que visibilidade institucional, a presença tem peso estratégico: é ali que se constroem relações que influenciam acesso a capital, cadeias globais de suprimentos e novos mercados.
“Participar do Fórum Econômico Mundial é uma oportunidade estratégica para fortalecer nossa atuação global. Queremos ampliar nossa capacidade de impacto por meio do diálogo e da cooperação. Por isso, buscamos estabelecer contatos com potenciais parceiros da iniciativa privada, do setor público e de organismos globais, especialmente aqueles alinhados aos nossos planos estratégicos de inovação, competitividade e transição para uma economia de baixo carbono”, analisa Daniel Randon, presidente e CEO da Randoncorp.
A ida a Davos ocorre em um momento em que a empresa aprofunda compromissos ambientais com impacto direto no negócio. Um dos movimentos mais simbólicos é a adesão à First Movers Coalition (FMC), iniciativa global criada pelo Fórum Econômico Mundial para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono.
A coalizão reúne empresas que se comprometem a usar seu poder de compra para criar demanda inicial por tecnologias limpas ainda pouco disseminadas — uma forma de destravar investimentos e reduzir riscos para soluções inovadoras.
A Randoncorp passa a integrar esse grupo ao lado da CBA, parceira estratégica no fornecimento de alumínio. O passo coloca a companhia entre as primeiras empresas brasileiras a assumir compromissos desse tipo, alinhados às metas globais de descarbonização até 2030. Na prática, trata-se de antecipar mudanças que tendem a se tornar exigências de mercado, e não apenas recomendações ambientais.
“Atualmente, a companhia já utiliza o ‘alumínio verde’, com índices acima da meta estabelecida pela First Movers Coalition, que é de 10%. Essa adesão é um reconhecimento de que a Randoncorp estimula outros parceiros e entrega resultados concretos em descarbonização. Estamos antecipando movimentos que serão decisivos para o futuro da indústria”, explica Randon.
Outro eixo central do Fórum Econômico Mundial — e cada vez mais presente na rotina das empresas — é o dos investimentos sustentáveis. A Randoncorp tem avançado nesse campo por meio de operações de crédito vinculadas ao desempenho ambiental, como a captação junto ao IFC, braço financeiro do Banco Mundial.
Classificada como Sustainability-Linked Loan, a operação atrela condições financeiras ao cumprimento de indicadores de sustentabilidade, conectando diretamente resultado ambiental e custo de capital.
Da agenda global à indústria
Esse tipo de estrutura ajuda a explicar por que a agenda climática deixou de ficar restrita a relatórios. Ela se materializa em produtos e processos industriais. Um exemplo é o e-Sys, sistema de tração auxiliar elétrico desenvolvido pela Suspensys em parceria com o Centro Tecnológico Randon. Modular e independente do cavalo mecânico, o sistema mira ganhos de eficiência e redução de emissões no transporte pesado, um dos setores mais pressionados pela transição energética.
No parque fabril, a lógica é semelhante. Em Caxias do Sul (RS), a Frasle Mobility, empresa da Randoncorp, inaugurou, em dezembro de 2024, a chamada Caldeira Verde, projeto que substituiu o gás natural por biomassa na geração de vapor usado na produção de componentes de freio.
Com investimento de R$ 17 milhões, a mudança reduziu em cerca de 10 mil toneladas por ano as emissões de dióxido de carbono da operação local — o equivalente a 60% das emissões próprias da unidade e metade da meta de redução do grupo até 2030.
“A Randoncorp entende que o seu propósito é conectar pessoas e riquezas, gerando prosperidade, e, para isso, reconhece que a tecnologia é essencial para viabilizar uma mobilidade cada vez mais sustentável. Nesse contexto, a descarbonização não é tratada apenas como uma pressão externa, mas como um pilar estratégico da companhia. Projetos como a Caldeira Verde e o e-Sys são exemplos concretos dessa visão”, afirma o executivo.
O fio condutor entre Davos e a fábrica não é retórico. Em um cenário em que investidores, bancos e grandes compradores exigem metas claras e execução mensurável, a sustentabilidade passou a operar como critério econômico. A participação no Fórum Econômico Mundial de 2026, nesse contexto, funciona menos como vitrine e mais como ferramenta: um espaço onde compromissos globais ajudam a moldar decisões de crédito, inovação e competitividade industrial.
“Davos representa, para nós, não apenas uma vitrine internacional, mas um ambiente de construção conjunta, onde propósito, estratégia e colaboração se encontram para gerar prosperidade”, finaliza Randon.