ESG

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Novo barco movido a hidrogênio verde pode produzir seu próprio combustível

Projeto inédito prevê barco de 50 metros com autonomia energética para navegação de longo curso; lançamento está programado para 2027

O hidrogênio verde é produzido por eletrólise da água e usa eletricidade para separar a molécula de H₂O em hidrogênio e oxigênio

O hidrogênio verde é produzido por eletrólise da água e usa eletricidade para separar a molécula de H₂O em hidrogênio e oxigênio

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 27 de março de 2026 às 17h03.

Priorizar nos meus resultados Google

Um novo barco desenvolvido no Brasil é capaz de produzir o hidrogênio verde usado no seu abastecimento.

O trabalho é fruto de uma parceria entre o Grupo Náutica, companhia especializada em negócios náuticos, e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), que vai validar tecnicamente o sistema de produção de hidrogênio a bordo da embarcação JAQ H2.

O barco de 50 metros está em construção no Guarujá (SP) e tem lançamento previsto para 2027.

A parceria foi formalizada neste mês e marca o início da terceira fase do programa JAQ Hidrogênio Verde. O IPT, instituição pública com 125 anos de atuação em ciência aplicada e inovação, assume a validação técnica do sistema de eletrólise do barco.

Como vai funcionar?

O trabalho do instituto inclui o desenho do sistema de produção de hidrogênio a bordo, a integração com os sistemas elétricos da embarcação e a avaliação do eletrolisador em condições reais de navegação.

Também fazem parte do escopo os estudos de viabilidade técnica, os testes de desempenho em operação, as análises de segurança para armazenamento e uso do hidrogênio e os ensaios que podem subsidiar processos de certificação naval e energética.

A JAQ H2 é a primeira embarcação do mundo projetada para produzir o próprio hidrogênio a bordo, o que garante autonomia energética para navegações de longo curso.

O projeto JAQ Hidrogênio Verde já havia lançado anteriormente o JAQ H1 na COP30, uma embarcação de 36 metros com motorização híbrida capaz de reduzir em 80% as emissões de CO2 e com toda a hotelaria movida a hidrogênio verde. Em abril, o H1 inicia um tour técnico partindo de Belém (PA) em direção ao Sudeste para validar a operação da tecnologia alemã de propulsão.

Parcerias estratégicas

Além do IPT, o projeto conta com outros parceiros. A fabricante global GWM participa da etapa de maturação do novo barco. O Porto do Açu (RJ) oferece apoio logístico para os testes em condições reais e para expedições científicas pelo litoral brasileiro. O SENAI Pernambuco também integra a rede de cooperação.

Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica e idealizador do projeto, afirma que ao articular um centro de pesquisa tecnológica como o IPT e portos estratégicos para a cadeia do hidrogênio, como o Açu, o projeto integra desenvolvimento tecnológico, produção e abastecimento de hidrogênio, operação logística e aplicação científica em campo.

"Isso permite avançar de um protótipo para um modelo operacional completo, replicável e comercialmente viável, capaz de produzir hidrogênio a bordo, se abastecer em hubs estratégicos e realizar expedições científicas com duas embarcações simultaneamente", explica.

Como é obtido o hidrogênio verde?

O hidrogênio verde é produzido por eletrólise da água. O processo usa eletricidade para separar a molécula de H₂O em hidrogênio (H₂) e oxigênio (O₂) dentro de um equipamento chamado eletrolisador.

O hidrogênio só é considerado “verde” quando a eletricidade utilizada vem de fontes renováveis, como solar ou eólica, o que garante que não haja emissão direta de CO₂ na produção.

Existem diferentes tipos de eletrolisadores, como os alcalinos e os PEM, usados conforme a aplicação e a escala. O custo e a escala ainda são desafios para o processo.

Acompanhe tudo sobre:Hidrogênio verdeBiocombustíveisTransição energéticaBarcos

Mais de ESG

Aquecimento acima de 1,5°C pode provocar perda irreversível de geleiras, alerta estudo

Incêndio em Alter do Chão é totalmente controlado, mas região segue sob vigilância

Pesquisa da UFPA mostra como indicadores de pobreza distorcem realidade da Amazônia

Governo amplia presença da Força Nacional em aldeias indígenas de MS após ataques