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Carlos Battistella, presidente da Be8, ao lado de Luiz Carlos Moraes, diretor de Comunicação e Relações Institucionais da Mercedes-Benz do Brasil: executivos apresentaram o projeto Rota Sustentável na Brazil House, em Davos (BRAZIL HOUSE 2026/Divulgação)
EXAME Solutions
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 10h52.
Última atualização em 20 de janeiro de 2026 às 17h15.
A Mercedes-Benz do Brasil percorreu mais de 4.000 quilômetros com caminhões e ônibus abastecidos exclusivamente com um biocombustível renovável para responder a uma pergunta central do debate climático: é possível reduzir emissões sem ter que trocar a frota ou investir em infraestrutura?
A resposta foi apresentada na Brazil House – a casa brasileira do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O espaço é uma iniciativa do BTG Pactual e conta com o apoio de empresas como a Be8, desenvolvedora do combustível testado.
A experiência, batizada de Rota Sustentável COP30, comparou veículos movidos a diesel comercial B15 e o BeVant, biocombustível 100% renovável da Be8, em condições reais de operação no Brasil. Os veículos deixaram Passo Fundo (RS) rumo a Belém (PA), atravessando diferentes tipos de estrada, relevo e clima.
Os resultados indicaram redução de até 99% das emissões de CO₂ no indicador tanque-à-roda – que considera as emissões durante o uso do combustível no veículo –, com desempenho equivalente ao diesel convencional.
Os dados foram medidos e certificados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, seguindo protocolos internacionais, e apresentados como evidência prática de descarbonização imediata no transporte pesado.
O projeto foi apresentado no painel “Projeto Be8 Rota Sustentável – COP 30” por Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8, e Luiz Carlos Moraes, diretor de Comunicação e Relações Institucionais da Mercedes-Benz do Brasil.
“O nosso propósito como companhia é liderar a descarbonização junto com diversos stakeholders, preservando a nossa origem e a Terra, sem abrir mão de valores como sustentabilidade, integridade e inovação”, afirmou Battistella.
Segundo ele, produzir energia renovável deixou de ser apenas um compromisso ambiental para se tornar também uma estratégia de geração de valor econômico ao longo de toda a cadeia.
Fundada há 20 anos a partir do Programa Nacional de Biodiesel, a Be8 hoje atua como uma plataforma de transição energética, com presença no Brasil, Paraguai e Suíça, além de planos de expansão para Europa, América do Norte e Oriente Médio. A empresa investe em biodiesel, etanol — incluindo o de segunda geração —, SAF, HVO e hidrogênio verde voltado ao transporte.
Do lado da montadora, o teste respondeu a um desafio concreto. Enquanto a eletrificação avança na Europa, ela ainda enfrenta limitações técnicas e de infraestrutura no transporte pesado de longa distância, especialmente no Brasil.
“Caminhões no Brasil rodam com até 74 toneladas. Ter bateria suficiente para isso ainda não é viável de forma sustentável”, disse Moraes. “O Brasil tem um ativo estratégico, que são os biocombustíveis, e é isso que precisa ser explorado.”
Segundo o executivo, a Mercedes-Benz já comercializa veículos homologados para B20 e realiza testes com teores maiores. No caso do BeVant, o uso foi experimental, acompanhado pelas equipes técnicas da empresa.
O BeVant é um biocombustível patenteado pela Be8, desenvolvido para substituir o diesel na proporção de um para um, sem necessidade de adaptações mecânicas. Pode ser utilizado puro (B100) em veículos novos diretamente no abastecimento.
“Nós desenvolvemos o BeVant porque a molécula de substituição do diesel precisa entregar três coisas: redução de emissões, impacto social e custo compatível com o mercado”, afirmou Battistella.
Durante a rota, os veículos abastecidos com BeVant rodaram mais de 4.000 km sem perda de performance. Para frotas já em operação, o procedimento envolve apenas troca de filtros e limpeza do sistema, em cerca de 30 minutos.
As medições consideraram tanto o consumo quanto o ciclo de vida do combustível, seguindo padrões como GHG Protocol, ISO 14064, RenovaBio e ISCC, certificação internacional de sustentabilidade.
Além da redução de até 99% no uso, o estudo indicou 63,5% de redução de emissões no ciclo completo. Em termos de comparação, um caminhão que roda 700 mil quilômetros com o combustível pode evitar a emissão de cerca de 580 toneladas de CO₂ ao longo de sua vida útil.
Para os executivos, o principal diferencial do biocombustível é a possibilidade de aplicação imediata em larga escala, inclusive na frota atual, estimada entre 2 e 2,4 milhões de veículos pesados no Brasil.
“Não existe uma única solução para a descarbonização. Mas precisamos acelerar. Não dá para esperar a tecnologia perfeita enquanto o aquecimento global avança”, disse Battistella. “O BeVant permite reduzir emissões agora, usando a infraestrutura que já existe.”