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Inação climática pode custar 15% da receita anual das empresas, revela estudo

Apesar de 64% das empresas terem planos de transição, maioria não compreende impacto financeiro da crise do clima

Uma projeção do governo brasileiro na conferência do clima em Belém mostrou que a inação climática pode fazer o Brasil perder R$ 17,1 trilhões de PIB potencial em 25 anos (Getty Images)

Uma projeção do governo brasileiro na conferência do clima em Belém mostrou que a inação climática pode fazer o Brasil perder R$ 17,1 trilhões de PIB potencial em 25 anos (Getty Images)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 27 de novembro de 2025 às 18h00.

Enquanto a COP30 levou um chamado para implementação, um novo estudo revelou que a inação climática pode custar até 15% da receita anual das companhias. 

O alerta vem da sétima edição do "Barômetro Global de Ação Climática" da consultoria EY após analisar 857 empresas de 13 setores em 50 países, incluindo Brasil, México e Colômbia.

Dados recentes já mostraram que eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e intensos custaram R$ 61 bilhões aos cofres públicos dos estados brasileiros em 10 anos.  

Ao mesmo tempo, uma projeção do governo brasileiro divulgada na conferência do clima em Belém mostrou que a falta de ações para combater as mudanças climáticas e evitar o aumento da temperatura global pode fazer o país perder R$ 17,1 trilhões de PIB potencial em 25 anos.

Embora 64% delas possuam um plano de transição, a maioria não demonstra progresso ou está regredindo em relação aos compromissos ESG e ainda não parece compreender o impacto financeiro da crise climática

Entre aquelas que definiram objetivos net zero, 69% pretendem alcançá-los apenas até 2050, enquanto apenas 30% se comprometem no marco de 2030. Para compensar essa defasagem, três em cada cinco empresas incorporaram créditos de carbono em suas estratégias.

Além disso, apenas uma em cada três empresas (31%) avalia simultaneamente o custo da ação e o custo de longo prazo de não agir diante dos riscos climáticos.

Segundo Leonardo Dutra, sócio-líder de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade da EY Brasil, as razões são variadas: incertezas políticas e regulatórias, custos crescentes, dificuldades no cumprimento das metas e em alguns casos, metas muito ambiciosas que precisam ser revisadas.

A pesquisa também expõe uma lacuna preocupante entre diagnóstico e comunicação. A maioria das empresas (68%) realizou alguma avaliação quantitativa de riscos climáticos, mas apenas 17% divulgam o impacto financeiro em seus relatórios. 

"É necessário aumentar esse número para termos um progresso sistemático nessas temáticas. Quanto mais forem divulgados os impactos, as outras vão seguir o fluxo e divulgar também", afirma Dutra.

A falta de transparência não apenas oculta riscos reais dos investidores e stakeholders, mas também reduz o senso de urgência no mercado.

Em meio à pressão regulatória crescente, as conclusões soam como um chamado urgente: compreender o custo da inação climática pode ser, finalmente, o gatilho que as empresas precisavam para sair do papel. A mensagem é clara: o progresso existe, mas ainda é insuficiente.

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