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Flexibilidade Operativa: a chave para o equilíbrio do sistema elétrico brasileiro

Coalizão e evolução setorial são fundamentais para enfrentar os desafios da transição energética

Energia renovável: fontes solar e eólica já representam 74% da expansão da matriz desde 2020.

Energia renovável: fontes solar e eólica já representam 74% da expansão da matriz desde 2020.

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 09h00.

Última atualização em 23 de janeiro de 2026 às 10h32.

Além de contribuir com a transição energética, o expressivo crescimento das fontes renováveis variáveis nos últimos anos ajudou a amenizar os efeitos das mudanças climáticas no atendimento à demanda de energia. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), entre janeiro de 2020 e novembro de 2025, as fontes eólica e solar foram responsáveis por aproximadamente 74% de toda a expansão da matriz de geração centralizada do país, atingindo, respectivamente, cerca de 34,4 gigawatts (GW) e 18,9 GW de capacidade instalada no final do período. No mesmo recorte, a micro e minigeração distribuída (MMGD) apresentou expansão ainda mais significativa, com a capacidade instalada aumentando de 2,3 GW para expressivos 43,4 GW.

Apesar da grande contribuição no contexto do suprimento energético, a forte expansão das fontes renováveis variáveis trouxe desafios à operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). Dentre os principais desafios, destaca-se o efeito dessas fontes, em especial da MMGD, no perfil de carga intradiário, acentuando o fenômeno popularmente conhecido como curva do pato.

Nos próximos anos, espera-se que esse fenômeno, que impõe ao sistema excessos de oferta no ápice do período diurno e riscos de déficit de oferta no final do dia, se intensifique ainda mais, elevando a complexidade operativa do SIN. Segundo projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a rampa de demanda do sistema entre 13h e 20h pode atingir variações da ordem 50 GW no final de 2029.

Tendo em conta este panorama desafiador, o atributo de flexibilidade operacional tem ganhado cada vez mais importância no planejamento do setor elétrico. Nos últimos meses, foi possível observar algumas medidas setoriais para promover o aumento da flexibilidade operativa, como a operacionalização do programa de resposta da demanda  bem como das condicionantes para redução de inflexibilidade termelétrica, que, apesar de importantes, ainda não são suficientes para agregar esse atributo na medida em que o sistema necessita. Para tanto, são necessárias soluções estruturantes tanto do ponto de vista tecnológico quanto normativo.

Embora careçam de arranjos normativos e comerciais sólidos até o momento, algumas alternativas imprescindíveis para ampliar a flexibilidade do sistema, como a implantação dos sistemas de armazenamento de energia em larga escala e a criação dos Operadores dos Sistemas de Distribuição (DSOs), integraram a pauta de relevantes discussões setoriais no período recente.

Os sistemas de armazenamento, por exemplo, foram objeto de consulta pública promovida pelo Ministério de Minas e Energia (MME), com o intuito de discutir as diretrizes e a sistemática de um Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) exclusivo para a tecnologia de baterias. Por sua vez, o tema dos DSOs, amplamente estudado e debatido pelas instituições setoriais nos últimos anos, ganhou notória importância e relevância no contexto das recentes tratativas entre Aneel e ONS acerca do Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição.

Essas medidas são louváveis e contribuirão com a construção de bases normativas sólidas para lidar com a operação do futuro. Contudo, dada a criticidade dos desafios vislumbrados, é indispensável que ocorra uma coalizão setorial, no sentido de acelerar o ritmo e destravar essas e outras iniciativas relacionadas à flexibilidade operativa, visando a assegurar tempestivamente o equilíbrio, a controlabilidade e a segurança de suprimento do SIN.

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