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Empresa gaúcha inicia projeto pioneiro de hidrogênio verde no Brasil

Tramontina investe R$ 43 milhões em planta na cidade de Carlos Barbosa e mira descarbonizar a logística industrial; Expectativa é reduzir 4 mil toneladas de CO2 ao ano

Planta será construída na unidade de Cutelaria, em Carlos Barbosa (RS), região da serra gaúcha (Divulgação)

Planta será construída na unidade de Cutelaria, em Carlos Barbosa (RS), região da serra gaúcha (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 25 de dezembro de 2025 às 15h41.

Última atualização em 26 de dezembro de 2025 às 09h54.

Mirando a descarbonização da sua logística, a Tramontina acaba de assinar contrato para implementar uma planta de produção de hidrogênio verde (H₂V) em um projeto pioneiro na indústria brasileira para a produção e o uso desse combustível renovável para abastecer a frota de empilhadeiras e veículos de mobilidade da companhia.

O investimento de R$ 43 milhões é em sua unidade de Cutelaria, em Carlos Barbosa (RS). As obras têm previsão de início em 2026, com entrada em operação prevista para meados de 2027. A empresa responsável pelo projeto é a GH2 Global.

Na fase inicial, o projeto deverá reduzir cerca de 100 toneladas de carbono equivalente por ano.

Mas a expectativa é ultrapassar 4 mil toneladas anuais conforme a expansão da planta e a ampliação do uso do hidrogênio em outros processos industriais intensivos em energia, em substituição ao uso de combustíveis fósseis no transporte.

O gás gerado na planta será encaminhado para todas as fábricas de Carlos Barbosa, Garibaldi e Farroupilha.

Com capacidade inicial de 1,25 MW, a planta poderá produzir até 500 quilos diários de hidrogênio verde de alta pureza, obtido por meio de eletrólise da água utilizando eletricidade 100% vinda de fontes renováveis certificadas e água pluvial, garantindo um processo sustentável do início ao fim.

“Essa iniciativa vai além da pauta ambiental. Trata-se de um investimento de longo prazo, que fortalece nossa segurança energética, melhora a eficiência logística e contribui de forma concreta para a transição do Brasil”, destacou Osvaldo Steffani, conselheiro-consultivo da unidade Cutelaria da Tramontina.

Do chão de fábrica à expansão industrial

Na primeira fase, o hidrogênio verde será aplicado na logística interna da divisão Starflon, substituindo empilhadeiras movidas a fósseis ou baterias convencionais.

Para a Tramontina, a transição criará as bases para uma operação com emissão zero no longo prazo e traz potencial de expansão para outros processos industriais da companhia.

O projeto recebeu parte do financiamento aprovado em edital de fomento do Governo do Rio Grande do Sul, reforçando o papel estratégico do estado na economia do hidrogênio e integra a estratégia mais ampla da gigante de bens de consumo na diversificação da matriz energética e aumento da autonomia operacional.

++ Leia mais: Tramontina fecha parceria com Voz dos Oceanos para combater poluição plástica

Um mapeamento da consultoria CELA identificou em 2025 mais de 100 projetos de hidrogênio verde e derivados, com R$ 454 bilhões em investimentos anunciados. A maioria se encontra em fase inicial de desenvolvimento, incluindo iniciativas de amônia, e-metanol e aço verde.

Atualmente, a única planta certificada em operação é da White Martins, em Pernambuco, e a empresa planeja a expansão para São Paulo.

Com o movimento, a Tramontina se antecipa à tendência global de eletrificação da logística, um segmento que responde por parte significativa das emissões e onde soluções de baixo carbono ainda são incipientes.

O Brasil tem potencial para liderar o mercado de hidrogênio verde pelo perfil da sua matriz energética limpa, mas ainda enfrenta desafios estruturais, como o custo elevado e a falta de escala da tecnologia.

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