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Data center de IA: estruturas especializadas exigem mais energia e resfriamento.
Colunista
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 14h00.
A revolução digital está transformando radicalmente a infraestrutura tecnológica global. Mas, para entender as recentes transformações desta indústria em ascensão, é preciso compreender primeiro o que são os data centers. Na sua essência, trata-se de instalações físicas que abrigam computadores, servidores, unidades de armazenamento e equipamentos de rede. Historicamente, essas estruturas eram voltadas para o armazenamento de bancos de dados e processamento dessas informações — o que conhecemos como computação em nuvem.
Até a década de 2010, as empresas mantinham seus próprios centros de processamento de dados, hospedando e gerenciando internamente todas as suas informações. Com o tempo, grandes empresas criaram os serviços de computação em nuvem, como Amazon AWS, o Google Cloud e a Microsoft Azure. Esses serviços passaram a oferecer uma infraestrutura compartilhada de data centers, permitindo que empresas hospedem seus dados e aplicações sem precisar manter fisicamente os seus próprios centros de dados.
Quando armazenamos um arquivo na nuvem, esses dados são guardados na infraestrutura dessas empresas. A grande vantagem é a segurança combinada com um custo reduzido: essas companhias operam em larga escala, o que torna os serviços mais baratos e mais seguros, reduzindo significativamente o risco de perda de dados. Esse modelo revolucionou a forma como organizações de todos os portes lidam com tecnologia da informação.
Mas, atualmente, os data centers tradicionais de nuvem não são mais o centro das atenções, dando espaço a um novo tipo de instalação: o data center de inteligência artificial. Essas estruturas estão em alta por oferecem uma capacidade de processamento muito superior aos modelos tradicionais, necessária para treinar e executar grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT ou o Gemini.
Esses modelos exigem volumes massivos de dados e enorme poder computacional para funcionar. Quando falamos em "grandes volumes", nos referimos a praticamente toda a informação textual, visual e sonora disponível no mundo. Os data centers tradicionais não eram capazes de processar tudo de forma eficiente e em tempo razoável. Os novos data centers de IA são projetados especificamente para essa demanda, utilizando milhares de GPUs, processadores gráficos otimizados para realizar cálculos paralelos em altíssima velocidade, em vez das CPUs convencionais.
Toda essa capacidade, porém, vem com um custo significativo. Os data centers de IA consomem muito mais energia e exigem sistemas de resfriamento mais sofisticados para manter os equipamentos operando em temperaturas adequadas. Assim, a eficiência energética se torna uma preocupação central na construção e operação dessas instalações. Esse é o novo desafio do setor: entregar a potência necessária para impulsionar a era da inteligência artificial sem comprometer a sustentabilidade ambiental e os recursos naturais do planeta.