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Apresentado por INSTITUTO ITAÚSA

Competitividade, produtividade e clima: a agenda que ganhou força

Promovido pelo Instituto Itaúsa, o Fórum de Produtividade e Sustentabilidade reuniu líderes para discutir como transformar a transição climática em uma estratégia de crescimento para o Brasil.

Do roadmap à economia real: mediado por Marcelo Furtado, head de Sustentabilidade na Itaúsa, painel reuniu Ana Toni, CEO da COP30; Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco; Dan Ioschpe, presidente do Conselho de Administração da Ioschpe-Maxion; e Guilherme Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho de Administração da Gerdau (Itaúsa/Divulgação)

Do roadmap à economia real: mediado por Marcelo Furtado, head de Sustentabilidade na Itaúsa, painel reuniu Ana Toni, CEO da COP30; Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco; Dan Ioschpe, presidente do Conselho de Administração da Ioschpe-Maxion; e Guilherme Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho de Administração da Gerdau (Itaúsa/Divulgação)

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Publicado em 7 de agosto de 2026 às 11h58.

Última atualização em 7 de agosto de 2026 às 11h58.

Produtividade e sustentabilidade costumam ocupar espaços distintos nas discussões sobre o futuro do Brasil. Enquanto uma é tratada sob a ótica econômica, a outra normalmente aparece associada às agendas ambiental e climática. A proposta do Instituto Itaúsa foi justamente romper essa lógica.

Realizado nos dias 3 e 4 de agosto durante a São Paulo Climate Week, o 1º Fórum de Produtividade e Sustentabilidade reuniu pesquisadores, executivos, representantes do governo, investidores e especialistas nacionais e internacionais para discutir como transformar as vantagens competitivas do país em uma estratégia de desenvolvimento capaz de combinar crescimento econômico, competitividade e transição para uma economia de baixo carbono.

"Tratar produtividade e sustentabilidade como escolhas rivais talvez seja o erro analítico mais oneroso que o Brasil comete"Vicente Assis, conselheiro independente da Itaúsa

Mais do que um espaço de discussão, o fórum marca o avanço de uma agenda que pretende aproximar essas comunidades para qualificar o debate sobre desenvolvimento de longo prazo.

“O fórum nasce para construir um diagnóstico comum e identificar, de forma colaborativa, caminhos para o desenvolvimento do país", afirmou Natalia Cerri, gerente do Instituto Itaúsa.

Produtividade e sustentabilidade caminham juntas

Durante a abertura do evento, Rodolfo Villela, vice-presidente da Itaúsa, reforçou que as duas agendas precisam ser vistas como interdependentes. “Não há produtividade duradoura sem sustentabilidade, e não há sustentabilidade sem o melhor uso e a melhor alocação dos recursos humanos, naturais e financeiros.”

Conselheiro independente da Itaúsa, Vicente Assis também defendeu que o Brasil abandone a ideia de que crescimento econômico e preservação ambiental competem entre si. “Tratar produtividade e sustentabilidade como escolhas rivais talvez seja o erro analítico mais oneroso que o Brasil comete”, disse.

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Primeiro dia: do diagnóstico às evidências

O primeiro dia foi dedicado à construção de um diagnóstico compartilhado sobre os desafios da produtividade brasileira. Para isso, o instituto propôs duas trilhas paralelas: uma voltada à produção científica e outra às experiências práticas de implementação.

Em uma participação remota, Annabelle Mourougane, líder da Divisão de Estatísticas de Comércio e Produtividade da OCDE, mostrou que a desaceleração da produtividade é um fenômeno observado em diversos países, mas alertou que o Brasil ainda mantém um grande distanciamento das economias mais desenvolvidas.

Entre os principais gargalos apontados estão os baixos níveis de investimento, infraestrutura insuficiente, ambiente regulatório complexo e a dificuldade de transformar inovação em ganhos de produtividade.

A economista também defendeu uma visão mais ampla sobre o tema. “Produtividade é produzir mais valor, com empregos melhores, tecnologia mais avançada e menor impacto ambiental.”

Ao longo do dia, especialistas como o cientista social Élcio Batista, professor do Insper; Juliano Assunção, diretor executivo do CPI/PUC-Rio, a economista Zeina Latif, Márcia Cristina Gomes da Rocha, especialista líder em Saúde do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); Marcello Brito, diretor acadêmico da Fundação Dom Cabral e Annelise Vendramini, professora e pesquisadora em finanças sustentáveis na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV discutiram como aumentar a eficiência da economia brasileira sem abrir mão da preservação ambiental.

Apesar das diferentes abordagens, os painéis convergiram para um mesmo diagnóstico: o Brasil reúne ativos naturais, capacidade técnica e setores altamente competitivos, mas ainda carece de planejamento de longo prazo, melhor coordenação entre agentes públicos e privados e maior capacidade de transformar conhecimento em políticas públicas e investimentos.

Segundo dia: do diagnóstico à decisão

Se o primeiro dia foi dedicado à construção de um diagnóstico, o segundo voltou o olhar para um desafio ainda maior: transformar evidências em decisões concretas.

O painel de abertura do segundo dia reuniu algumas das principais lideranças empresariais e da agenda climática brasileira para discutir como transformar a transição para uma economia de baixo carbono em uma estratégia de competitividade.

Para Ana Toni, CEO da COP30, o Brasil precisa abandonar uma postura defensiva e assumir seu papel como protagonista da agenda climática mundial. “Precisamos chegar ao mundo pensando em soluções e colocando o Brasil como provedor de soluções climáticas.”

Segundo ela, três desafios serão decisivos nos próximos anos: fortalecer a parceria entre setor público e privado, transformar projetos-piloto em iniciativas de escala e acelerar a implementação. “Precisamos sair de pilotos para pipeline. Precisamos sair do pequeno para a escala.”

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Na avaliação de Dan Ioschpe, presidente do Conselho da Ioschpe-Maxion, o país vive uma oportunidade única de desenvolvimento econômico. “A sustentabilidade é um processo competitivo. Ela não está nos aguardando”. Para ele, o maior desafio brasileiro é transformar potencial em execução.

Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, defendeu que sustentabilidade deixe de ser tratada como uma agenda isolada dentro das empresas. “Essa agenda não pode ser responsabilidade de uma única área. Ela precisa permear toda a estratégia da organização.”

Segundo ele, integrar sustentabilidade à gestão significa criar valor para empresas, investidores e sociedade. “Você tem que transformar essa agenda em negócio.”

Representando a indústria, Guilherme Gerdau Johannpeter chamou atenção para um dos principais gargalos do crescimento brasileiro. “O Brasil não cresce porque investe apenas 17% do PIB, ao contrário da Índia, que já investe 33%, e da China, de onde voltei agora, onde o investimento é por volta de 40% do PIB. Então para a gente conseguir ter esse crescimento sustentável, nós vamos precisar investir mais”.

Da discussão à ação

Ao longo do segundo dia, os participantes aprofundaram o debate sobre três frentes estratégicas para o desenvolvimento brasileiro — uso do solo, energia e materiais e sistemas urbanos — além do papel da transformação digital como vetor de produtividade.

Embora os desafios variem entre os setores, o consenso foi que o país reúne vantagens competitivas raras: uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, abundância de recursos naturais, capacidade agrícola, indústria consolidada e conhecimento científico.

O desafio, concluíram os participantes, é criar mecanismos capazes de transformar esses ativos em investimentos, inovação e crescimento de longo prazo. Como resumiu Ana Toni: “Isso não vai acontecer sem regulamentação e não vai acontecer sem o setor privado.”

Uma agenda permanente

Depois de dois dias de debates, o consenso foi de que produtividade e sustentabilidade não representam agendas concorrentes, mas complementares.

Ao reunir pesquisadores, empresários, formuladores de políticas públicas, investidores e organismos internacionais durante a São Paulo Climate Week, o Instituto Itaúsa deu início a uma agenda colaborativa que pretende aproximar conhecimento e implementação para transformar evidências em decisões concretas.

Como sintetizou Rodolfo Villela na abertura do evento, o Brasil possui ativos extraordinários, mas ainda precisa convertê-los em prosperidade. “Vantagens comparativas, por si só, não geram prosperidade. Elas precisam ser transformadas em produtividade, competitividade e crescimento sustentável.”

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