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Como a Motiva antecipou em oito anos sua meta climática e redesenha plano para crescer sem poluir

“O desafio agora é manter a trajetória de descarbonização enquanto a empresa cresce”, diz a VP de sustentabilidade à EXAME, após a companhia cortar 61% de suas emissões

Além das concessões rodoviárias, a Motiva opera trens metropolitanos como a Linha 9-Esmeralda na capital paulista (ViaMobilidade /Divulgação)

Além das concessões rodoviárias, a Motiva opera trens metropolitanos como a Linha 9-Esmeralda na capital paulista (ViaMobilidade /Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 12h30.

Última atualização em 18 de fevereiro de 2026 às 15h34.

Cada novo ativo precisa nascer sustentável, eletrificado e abastecido por energia renovável. Esse princípio passou a orientar todas as decisões estratégicas da Motiva, maior empresa brasileira de mobilidade e infraestrutura que acaba de antecipar em oito anos sua meta climática.

O grupo reduziu em 61% suas emissões de gases de efeito estufa, superando com folga o compromisso originalmente estabelecido para 2033, que previa um corte de 59% nos escopos 1 e 2.

A conquista não é simples em um setor intensivo em carbono, com grandes obras e operações complexas. Para chegar lá, a companhia promoveu uma profunda revisão de processos, redesenhou sua matriz energética, acelerou a eletrificação e colocou a agenda climática no centro da estratégia de negócios.

Em entrevista exclusiva à EXAME, a VP de sustentabilidade da Motiva, Raquel Cardoso, contou que a antecipação e superação da meta reflete uma mudança estrutural.

Nos últimos anos, o investimento pesado foi na migração para fontes renováveis, na modernização de sistemas, na eficiência energética e na descarbonização de suas operações. Hoje, praticamente toda a energia consumida vem de fontes limpas, e os novos empreendimentos já nascem obrigatoriamente dentro deste padrão.

Para a executiva, não faz mais sentido incorporar ativos que não estejam preparados para uma economia de baixo carbono.

"Sustentabilidade deixou de ser um diferencial reputacional para se tornar um critério central de investimento”, destaca.

Raquel Cardoso se tornou a primeira mulher a assumir o cargo de vice-presidente na companhia e em 2026 passou a liderar um guarda-chuva ampliado da agenda ESG  (Divulgação)

Plano é crescer sem poluir mais

O tamanho da operação ajuda a dimensionar o impacto da virada. A Motiva é hoje a segunda maior consumidora de energia da região metropolitana de São Paulo e opera ativos intensivos em eletricidade, como trens e sistemas de mobilidade urbana que transportam milhões de passageiros todos os dias.

É o caso da operação da Linha 9–Esmeralda, em São Paulo, por meio da concessionária ViaMobilidade, que também opera a Linha 8–Diamante.

Na maior metrópole brasileira, cada ganho de eficiência energética e megawatt-hora contratado de fontes limpas se traduzem em redução direta da pegada de carbono em larga escala.

“O desafio agora é manter a trajetória de descarbonização enquanto a empresa cresce. O plano é crescer, mas com inteligência climática, eficiência energética e escolhas sustentáveis desde a concepção dos projetos”, garante Raquel.

Esse protagonismo ganha ainda mais relevância em um setor que responde por cerca de 11% das emissões nacionais de gases de efeito estufa.

Para alavancar a transição rumo à economia de baixo carbono, a companhia lidera a Coalizão para Descarbonização dos Transportes, iniciativa que reúne mais de 50 organizações brasileiras e prevê até R$ 600 bilhões em investimentos sustentáveis. 

O redesenho do plano climático acompanha a ambição de crescimento do grupo nos próximos anos.

Entre as frentes prioritárias estão a eletrificação de frotas e equipamentos, o uso intensivo de dados para gestão energética, a incorporação de tecnologias mais eficientes e a ampliação do uso de energia renovável de longo prazo.

“Cada decisão de investimento passa agora por uma lente climática. A pergunta não é apenas se o projeto é financeiramente viável, mas se ele é compatível com a nossa trajetória”, explica Raquel.

Na prática, isso significa transformar a transição energética em vantagem competitiva. Ao antecipar metas e internalizar o custo do carbono em seu planejamento, a Motiva quer se posicionar melhor para acessar financiamentos verdes, reduzir riscos regulatórios e atrair investidores atentos à agenda verde. 

 “Estamos falando de um novo modelo de crescimento. Não é mais possível expandir ignorando o impacto ambiental", destaca a VP.

O maior gargalo: a cadeia de valor

Se nos escopos 1 e 2 — emissões diretas e consumo de energia — os avanços já são robustos, o maior foco agora está no escopo 3, que engloba toda a cadeia de valor, de fornecedores e obras à logística, passando pela operação terceirizada e pelo ciclo de vida dos ativos.

É nesse pilar que se concentram “o grosso do impacto” e também “a maior parte do problema e da complexidade”, destacou Raquel.

“Reduzir o escopo 3 exige transformar cadeias inteiras, engajar fornecedores, rever contratos, induzir inovação e criar novos padrões de mercado”, afirma Raquel.

A estratégia envolve critérios climáticos mais rígidos nas compras, exigências ambientais nos contratos, estímulo à descarbonização do setor e parcerias para desenvolvimento de novas tecnologias.

“A transição climática não é um projeto com começo, meio e fim. É uma jornada permanente. O futuro da infraestrutura será necessariamente limpo, eficiente e resiliente", conclui a VP da Motiva.

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