Como a Central da Visão quer tirar pacientes da fila do SUS e gerar impacto social

Modelo de negócio voltado para o impacto faz com que a Central da Visão seja certificada pelo Sistema B ao oferecer cirurgias de visão para brasileiros da classe C e D
Marta Luconi, sócia da Central da Visão (Central da Visão/Divulgação)
Marta Luconi, sócia da Central da Visão (Central da Visão/Divulgação)
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Marina Filippe

Publicado em 27/09/2022 às 08:00.

Última atualização em 27/09/2022 às 13:53.

Depois de empreender em projetos de educação financeira, Guilherme de Almeida Prado constatou que além da organização do dinheiro, a população brasileira precisa de mais acessos em serviços, como os de saúde.

Pensando nisto, em 2017, ele lançou a Central da Catarata, uma plataforma de meio de pagamento para parcelamentos de cirurgias de visão. Mas, os resultados foram inexpressíveis nos sete primeiros meses, até a chegada de Marta Luconi, que havia passado por companhias como Unilever e Coca-Cola.

"Eu havia conversado com brasileiros de todo o país para entender hábitos de consumo. Realizei trabalho semelhante e identifiquei que era preciso oferecer além do parcelamento, um atendimento robusto e inclusivo. Com isto em mente, mudamos o negócio e passamos a ser a Central da Visão, uma plataforma de saúde e inclusão social", diz Luconi.

De acordo com a executiva, o que fez o projeto deslanchar foi o atendimento com um perfil específico. "Não dá para ter um robô escrevendo em letras miúdas para atender pessoas com baixa visão, por exemplo". Assim, foi desenvolvido um sistema de voz para redes como Facebook e Instagram.

Além disso, há pessoas que se dedicam em explicar todos os procedimentos e custos aos interessados. "Não medimos eficiência de atendimento por rapidez, mas sim por clareza e cuidado. Estamos falando de pessoas que voltam a enxergar, que pela primeira vez podem ver seus netos". Atualmente são 34 pessoas na equipe da Central da Visão, que vão de administradores à psicólogos para o acompanhamento detalhado sobre a situação do paciente.

Modelo de negócios

Para Luconi, um dos diferenciais no modelo de negócios é explicar os possíveis valores logo no início do contato. "Na rede particular o paciente gasta com inúmeros exames para só depois ter ideia do valor da cirurgia. No nosso caso, a consulta custa tem um preço fixo e a cirurgia é entre 30% a 50% menos do que na rede particular tradicional", afirma Luconi.

Isto é possível porque há um trabalho de geração de receita para as 40 clínicas parceiras em momentos que haveria ociosidade. "Um cirurgião experiente pode operar um paciente sem comorbidade em 15 minutos, com materiais de qualidade e tudo feito da melhor forma. Assim, ele tem receita nesse período e utiliza lentes e outros insumos de qualidade que já estavam no investimento", explica.

Para o paciente, a cirurgia se torna possível por modelos de parcelamentos com juros mais baixos. Alguns dos pacientes, por exemplo, retornam depois de um ano para realizar a cirurgia do outro olho, já com o pagamento do primeiro procedimento quitado.

Com esse modelo, a Central da Visão segue crescendo, sendo que 10% dos novos pacientes são indicações de antigos. No ano passado, a companhia faturou 6 milhões de reais. "Foram cinco mil cirurgias realizadas até agora, mas temos um plano ambicioso de chegar a 100 mil em cinco anos", diz Luconi. Para ela, isto é possível ao considerar que, atualmente, a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) conta com 500 mil pessoas.

Com o modelo de impacto social, a Central da Visão é certificada pelo sistema B, movimento global que mede o impacto socioambiental gerado pelas empresas e confirma o atendimento a altos padrões de desempenho social e ambiental, a critérios de transparência e de responsabilidade legal no equilíbrio do propósito e do lucro.