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Cientistas criam 'gêmeo digital' da Terra para análises climáticas

Projeto europeu promete simulações de eventos extremos com precisão e soluções inéditas

Projeto Destination Earth: réplicas digitais da Terra permitem simular eventos climáticos e testar cenários futuros, como um planeta 2°C mais quente. (Freepik)

Projeto Destination Earth: réplicas digitais da Terra permitem simular eventos climáticos e testar cenários futuros, como um planeta 2°C mais quente. (Freepik)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 15h10.

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A Europa está construindo uma cópia digital da Terra. O projeto, chamado Destination Earth, foi lançado pela Comissão Europeia em 2022 com o objetivo de criar uma réplica digital de alta precisão do planeta.

Agora, com a assinatura do acordo para sua terceira fase, entra em um novo capítulo, em que a inteligência artificial passa a ter um papel central.

O que seria um "gêmeo digital" da Terra?

A ideia é aparentemente simples: criar um modelo digital tão detalhado do planeta que permita simular, com precisão, como eventos climáticos acontecem, aconteceram e poderão acontecer. 

O Destination Earth desenvolveu dois gêmeos digitais principais, o Gêmeo Digital de Adaptação às Mudanças Climáticas e o Gêmeo Digital de Eventos Extremos Induzidos pelo Clima.

Juntos, eles permitem explorar cenários do passado, do presente e do futuro, incluindo situações hipotéticas. Uma das possibilidades, por exemplo, é simular como um determinado evento climático se desenrolaria em um planeta 2 °C mais quente.

Essas simulações, chamadas de Storyline, não são apenas exercícios teóricos. São ferramentas concretas para que instituições da Europa e dos países membros possam se preparar melhor para os riscos impostos pelas mudanças climáticas.

A terceira fase do projeto, que será iniciada nos próximos meses e vai até junho de 2028, marca uma virada importante: a inteligência artificial passa a ser integrada de forma profunda ao sistema.

O que não é exatamente uma novidade. Desde 2024, já havia avanços nessa direção, com o desenvolvimento de componentes de aprendizado de máquina para diferentes partes do sistema terrestre, como oceano, gelo marinho e ondas.

O que muda agora é a ambição. O objetivo é desenvolver um modelo de IA que complemente as simulações baseadas em física e permita experimentação rápida de cenários imaginários e uma melhor compreensão de quão precisas as previsões podem ser.

Essas possibilidades serão viabilizadas pelo Digital Twin Engine, plataforma que organiza os fluxos de dados e trabalho dos gêmeos digitais nos supercomputadores europeus. Deste modo, serviços meteorológicos e outras instituições podem acessar os dados que mais interessam a cada caso.

Precisão inédita e colaboração

Por trás do projeto há uma estrutura colaborativa ampla. O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) trabalha junto com a Agência Espacial Europeia (ESA) e mais de 100 organizações parceiras, incluindo institutos meteorológicos nacionais de vários países.

O Destination Earth já produz modelos com resolução de 5 km, o que permite visualizar sistemas globais de nuvens através da distribuição de água líquida e gelo com um nível de detalhamento que não era possível anteriormente.

Representantes da comunidade científica consideram que o projeto não se trata apenas de um avanço técnico impressionante, mas de algo decisivo para tornar as previsões meteorológicas e climáticas mais precisas.

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