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Brasil já tem o que o mundo procura para investir em sustentabilidade

Com matriz energética limpa, soluções comerciais prontas e inovação, empresas mostram por que o país virou peça-chave na transição energética global

Consuelo Remmert, da Palantir Technologies, Joarez José Piccinini, da Randoncorp, e Camilo Adas, da Be8-Energy: para executivos, Brasil está pronto para atrair investimentos sustentáveis em escala global

Consuelo Remmert, da Palantir Technologies, Joarez José Piccinini, da Randoncorp, e Camilo Adas, da Be8-Energy: para executivos, Brasil está pronto para atrair investimentos sustentáveis em escala global

EXAME Solutions
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Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 17h05.

Última atualização em 29 de janeiro de 2026 às 17h34.

O discurso sobre investimentos sustentáveis costuma projetar cenários futuros. No painel “Investimentos sustentáveis: tendências, desafios e oportunidades”, o olhar foi para o que já está em operação.

Executivos da Be8 Energy, da Randoncorp e da Palantir Technologies apresentaram evidências de que o Brasil não apenas reúne condições únicas para atrair capital verde, como já entrega soluções comerciais capazes de combinar descarbonização, escala industrial e retorno econômico.

Na abertura do debate, a conselheira sênior da Palantir Technologies, Consuelo Remmert, contextualizou o interesse crescente de investidores internacionais pelo país. “O Brasil tem uma vantagem competitiva estrutural. Mais de 80% da nossa eletricidade vem de fontes renováveis. Isso significa que setores como energia, indústria e transporte representam pouco mais de 20% das emissões do país. Isso é algo sem precedentes no mundo.”

Segundo ela, essa base limpa ganha ainda mais relevância em um momento em que a inteligência artificial e a digitalização aceleram a demanda global por energia. “O que vemos é uma revolução global que está impulsionando a demanda por energia e eletricidade — e o Brasil está respondendo a esse desafio.”

Sustentabilidade como ativo industrial

Quando o debate avançou do discurso para a prática, a Randoncorp surgiu como um retrato de como a agenda ESG vem sendo incorporada às decisões centrais de negócio. Joarez José Piccinini, diretor de Relações Institucionais da companhia e presidente do Conselho do Banco Randon, apresentou um investimento de R$ 150 milhões destinado à substituição de um sistema de queima de gás por uma caldeira de biomassa — um movimento que consolida a sustentabilidade como ativo industrial, e não mais como promessa de longo prazo.

Embora o retorno financeiro não seja imediato, o impacto ambiental é concreto — e economicamente viável. “Do ponto de vista econômico, o payback é de longo prazo, mas o benefício em termos de redução de emissões é real e, economicamente, o projeto é sustentável.”

Piccinini também destacou o papel do centro tecnológico da empresa como plataforma de inovação contínua, incluindo uma usina solar capaz de abastecer integralmente o espaço.

“Temos um centro de tecnologia que funciona como um campo de provas, com muitas capacidades tecnológicas para melhorar a qualidade dos produtos, segurança e eficiência. Instalamos quase 3 mil painéis solares em uma área de cerca de 100 hectares, gerando energia suficiente para abastecer todo o centro.”

BeVant: o biocombustível que resolveu a conta do transporte pesado

Na sequência, Camilo Adas, diretor de transição energética da Be8 Energy, contou a trajetória de desenvolvimento do BeVant, biocombustível criado para atender à realidade brasileira e já testado em escala real.

“A Be8 tem 20 anos de atuação na produção de biodiesel. Cerca de dez anos atrás, percebemos que o HVO seria um biocombustível importante no mundo, mas também entendemos que, no Brasil, ele ainda é caro.”

Diante do dilema entre investir em HVO ou SAF, a empresa decidiu inovar. “Foi então que decidimos desenvolver uma nova molécula: o BeVant. Ele também é um combustível ‘drop-in’, mas muito mais barato e alinhado à realidade brasileira.”

O desenvolvimento começou em 2019 e levou cinco anos até chegar à formulação final. O resultado foi apresentado na COP30, em parceria com a Mercedes-Benz. “Levamos dois caminhões — um com mistura B15 e outro com 100% BeVant — e rodamos cerca de 4 mil quilômetros, da nossa planta no Sul até a COP30”, disse Adas.

Os números chamaram a atenção do mercado. “Os resultados mostraram redução de 91% de CO₂ biogênico e cerca de 65% de redução no conceito ‘do poço à roda’.” Mas foi o custo que transformou inovação em oportunidade de mercado.

“Enquanto o litro do HVO custa entre 15 e 20 reais no Brasil, o BeVant custa entre 6 e 7 reais. Ele é acessível, está pronto e pode ser usado imediatamente, sem nenhuma adaptação nos caminhões.”

Capital, confiança e soluções que já funcionam

Ao falar sobre o papel dos investidores estrangeiros, Piccinini destacou que o Brasil não oferece promessas, mas soluções comerciais em operação — apesar dos desafios.

“Capital é fundamental. O Brasil é reconhecido mundialmente como um país de enormes oportunidades. Temos desafios regulatórios, mas somos uma empresa com 77 anos de história, crescemos no Brasil e continuamos investindo independentemente das mudanças de governo.”

Ele reforçou que a inovação brasileira nasce em condições adversas — e ainda assim compete globalmente. “Desenvolvemos um eixo auxiliar elétrico que recupera energia da frenagem e a utiliza quando necessário. Fizemos isso no Brasil, pagando juros altos e impostos elevados — e ainda assim é extremamente relevante.”

Para acelerar a transição, segundo Piccinini, o acesso a financiamento é decisivo. “Precisamos de mais alternativas de financiamento para acelerar a adoção de tecnologias disruptivas que reduzem impacto ambiental. Os projetos que desenvolvemos não são pilotos em PowerPoint. São soluções reais, comerciais.”

Adas complementou com uma leitura mais estrutural, olhando menos para indicadores financeiros e mais para fundamentos. “O Brasil tem uma democracia estável há mais de 20 anos, uma matriz energética renovável há décadas e produz etanol desde 1974. Enquanto outros países ainda discutem como acessar energia limpa, nós já vivemos isso.”

Para o executivo, essa combinação cria um ambiente único para inovação. “Qualquer executivo que venha trabalhar no Brasil escuta a mesma frase: se você sabe gerir uma empresa aqui, está pronto para gerir em qualquer lugar do mundo. Isso explica por que investir no Brasil faz sentido.”

Soluções prontas, retorno possível

O Brasil, nesse cenário, não aparece como promessa — mas como fornecedor. “Quando falamos de energia e transporte no Brasil, não estamos falando apenas de investimento sustentável, mas de entrega real”, resumiu Consuelo Remmert.

Com tecnologia desenvolvida localmente, capacidade de escala e custos compatíveis com a realidade do mercado, empresas como Randoncorp e Be8 mostram que o país já ocupa um lugar estratégico no mapa global dos investimentos sustentáveis.

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