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O projeto da EcoRodovias, em parceria com a Volkswagen Caminhões e Ônibus, vai continuar até agosto, completando 12 meses de operação (Freepik)
Repórter de ESG
Publicado em 17 de março de 2026 às 11h47.
Última atualização em 17 de março de 2026 às 11h49.
Um projeto piloto em rodovias do interior de São Paulo chegou a 100 mil quilômetros rodados com caminhões movidos a biodiesel puro (B100) e os primeiros resultados indicam que o combustível vegetal pode ser uma alternativa viável para frotas que buscam reduzir emissões sem trocar todos os veículos agora.
A iniciativa é da concessionária Ecovias Noroeste Paulista, do grupo EcoRodovias, em parceria com a Volkswagen Caminhões e Ônibus. Quatro caminhões usados em serviços de guincho e apoio operacional foram abastecidos exclusivamente com B100 durante cinco meses.
O principal indicador monitorado até agora foi a disponibilidade dos veículos, que ficou acima de 95%. Na prática, isso significa que os caminhões passaram menos de 5% do tempo parados para manutenção, o que é considerado um bom índice para o setor.
O projeto começou em 2025 e a ideia é testar o biodiesel em condições reais de uso, não apenas em laboratório. Ao contrário dos caminhões elétricos, que exigem estrutura de recarga e substituição da frota, o B100 pode ser usado em veículos adaptados com algumas modificações.
O combustível usado no teste é produzido a partir de soja e, segundo dados da ANP, Abiove e EPE, pode reduzir em até 90% as emissões de CO₂ em relação ao diesel comum.
Para a diretora de sustentabilidade da EcoRodovias, Monica Jaén, os números mostram que o biocombustível merece ser levado a sério.
"Alcançar 100 mil quilômetros com disponibilidade acima de 95% demonstra que é possível reduzir emissões de forma imediata, mantendo eficiência e segurança operacional. A partir disso, podemos começar a pensar em expandir a solução na própria concessionária e em outras operações do grupo", afirma.
A empresa incluiu o teste em sua meta climática, que prevê reduzir as emissões diretas e indiretas em 25% até 2026 e 42% até 2030.
Startup usa leveduras para turbinar biocombustíveis — e recebe R$ 3 mi para escalarNa avaliação da montadora, os dados são consistentes. O vice-presidente de Engenharia da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Rodrigo Chaves, diz que os veículos tiveram comportamento estável. "Esses resultados reforçam o potencial do B100 e contribuem para a construção de um caminho técnica e operacionalmente viável para sua aplicação no transporte pesado", afirma.
O projeto vai continuar até agosto, completando 12 meses de operação. Participam do teste um caminhão guincho Meteor 29.530, dois guinchos Delivery 11.180 e um caminhão-pipa Constellation 17.190. O abastecimento é feito por um caminhão-tanque na base do Serviço de Atendimento ao Usuário em Araraquara (SP), o que permite controlar a qualidade do combustível.
Por enquanto, os resultados são promissores, mas o projeto ainda está em andamento. A ideia é que, ao final, os dados ajudem a mostrar se o B100 pode sair do teste e virar opção de fato para frotas no Brasil.